DE­POIS DE FRED­DIE

Após a per­da in­subs­ti­tuí­vel, os in­te­gran­tes re­ma­nes­cen­tes do Que­en le­va­ram ou­tros pro­je­tos adi­an­te

GRANDES ÍDOLOS DA MÚSICA - Queen - - PLAYLIST - TEX­TO Ana Be­a­triz Gar­cia/Co­la­bo­ra­do­ra DE­SIGN Ka­ri­na Ar­ru­da FOTOS Shutterstock Ima­ges

Após a mor­te do vo­ca­lis­ta e a saí­da de De­a­con, o Que­en ain­da emo­ci­o­na mul­ti­dões

Du­ran­te a gra­va­ção do ál­bum In­nu­en­do, o Que­en já ti­nha co­nhe­ci­men­to da­qui­lo que os fãs só vi­ri­am sa­ber um dia an­tes da mor­te de Fred­die Mer­cury: o vo­ca­lis­ta es­ta­va em avan­ça­da lu­ta con­tra a aids. Os mú­si­cos co­me­ça­ram as gra­va­ções cons­ci­en­tes de que a for­ma­ção ori­gi­nal, em bre­ve, so­fre­ria uma per­da in­subs­ti­tuí­vel. Mas, em res­pei­to à de­ci­são do ami­go, o gru­po men­tia des­ca­ra­da­men­te pa­ra a im­pren­sa e não re­ve­la­va na­da a res­pei­to do es­ta­do de saú­de do par­cei­ro de banda, mes­mo com a vi­sí­vel fra­gi­li­da­de em que o vo­ca­lis­ta se en­con­tra­va.

Fred­die não que­ria que o dis­co ti­ves­se mai­or saí­da por con­ta da ca­ri­da­de das pes­so­as em re­la­ção a sua con­di­ção de saú­de. Ele de­se­ja­va com­por e can­tar, dei­xan­do pron­to o mai­or re­per­tó­rio pos­sí­vel. As­sim, jus­ti­fi­ca­va o si­lên­cio.

Em 24 de no­vem­bro de 1991 – no­ve me­ses após o lan­ça­men­to de In­nu­en­do –, Fred­die Mer­cury fa­le­ceu em sua ca­sa em Ken­sing­ton, Lon­dres, um dia de­pois de ter pe­di­do pa­ra Jim Be­a­ch, em­pre­sá­rio do Que­en, co­mu­ni­car ofi­ci­al­men­te à im­pren­sa e aos fãs so­bre sua do­en­ça.

Tri­bu­to a Fred­die Mer­cury

No ano se­guin­te à mor­te do vo­ca­lis­ta do Que­en, os de­mais mem­bros da banda e Jim Be­a­ch or­ga­ni­za­ram o show The Fred­die Mer­cury Tri­bu­te Con­cert, uma ho­me­na­gem me­mo­rá­vel a Fred­die Mer­cury, que con­tou com a par­ti­ci­pa­ção das ban­das de ami­gos pró­xi­mos ao mú­si­co e de con­jun­tos, co­mo o Me­tal­li­ca e o Guns n’ Ro­ses, que vi­vi­am o au­ge de su­as car­rei­ras. Ou­tros as­tros da mú­si­ca co­mo Ro­bert Plant, Ge­or­ge Mi­cha­el, El­ton John e Li­za Mi­nel­li mar­ca­ram pre­sen­ça com be­lís­si­mas e mar­can­tes apre­sen­ta­ções.

Os in­gres­sos pa­ra o show, re­a­li­za­do em 20 de abril de 1992, no es­tá­dio de Wem­bley, na In­gla­ter­ra, co­me­ça­ram a ser ven­di­dos me­ses an­tes, em fe­ve­rei­ro. Sem ne­nhu­ma atra­ção con­fir­ma­da – além dos mem­bros do Que­en –, o even­to te­ve os in­gres­sos es­go­ta­dos em ape­nas seis ho­ras após a aber­tu­ra das bi­lhe­te­ri­as.

Além dos pre­sen­tes no es­tá­dio, o tri­bu­to foi te­le­vi­si­o­na­do pa­ra mais 76 paí­ses e as­sis­ti­do por cer­ca de seis mi­lhões de pes­so­as na In­gla­ter­ra. O que so­mou um pú­bli­co mai­or que o do fes­ti­val Li­ve Aid, re­a­li­za­do em 1985.

To­dos os re­cur­sos ar­re­ca­da­dos fo­ram re­ver­ti­dos pa­ra o fi­nan­ci­a­men­to da Mer­cury Phoenix Trust, uma fun­da­ção vol­ta­da pa­ra o com­ba­te à aids. Os tu­to­res e ide­a­li­za­do­res da ins­ti­tui­ção são Bri­an May, Jim Be­a­ch, Mary Aus­tin (ex-noi­va e prin­ci­pal her­dei­ra da for­tu­na de Fred­die Mer­cury) e Ro­ger Tay­lor.

Obra fi­nal

Após en­cer­rar as gra­va­ções dos cli­pes de I’m Going Sligh­tly Mad e The­se Are The Days Of Our Li­ves, Fred­die pro­cu­rou dei­xar al­gum ma­te­ri­al no­vo pa­ra que o gru­po o apro­vei­tas­se de­pois. Em três me­ses, o vo­ca­lis­ta con­se­guiu gra­var A Win­ter’s Ta­le, You Don’t Fo­ol Me e Mother Lo­ve, seu úl­ti­mo re­gis­tro vo­cal.

Pas­sa­do o even­to The Fred­die Mer­cury Tri­bu­te Con­cert, os três in­te­gran­tes re­ma­nes­cen­tes ti­nham uma dí­vi­da pa­ra com o ex-com­pa­nhei­ro de banda: con­cluir o pro­je­to de dis­co que ele ha­via ini­ci­a­do.

O ál­bum Ma­de in He­a­ven foi lan­ça­do em 6 de no­vem­bro de 1995, fe­chan­do a dis­co­gra­fia do Que­en. O trio, com a for­ma­ção dos tem­pos de Fred­die, reu­niu-se ape­nas mais uma vez, em ou­tu­bro de 1997, pa­ra gra­var a ho­me­na­gem fi­nal pa­ra o ami­go, a mú­si­ca No-One but You (Only the Go­od Die Young), que en­trou co­mo úni­ca inédita da com­pi­la­ção Que­en Rocks, lan­ça­do em no­vem­bro do mes­mo ano.

Após o lan­ça­men­to da mú­si­ca, o bai­xis­ta John De­a­con se apo­sen­tou da in­dús­tria mu­si­cal. A úl­ti­ma can­ção lan­ça­da ofi­ci­al­men­te pe­lo Que­en, Let me In Your He­art Again, tam­bém con­tou com a par­ti­ci­pa­ção do mú­si­co. John afas­tou-se e de­ci­diu por não par­ti­ci­par de fu­tu­ras apre­sen­ta­ções dos ex-com­pa­nhei­ros de banda.

Re­tor­nos de Que­en

“Após per­der Fred­die, hou­ve um lon­go pe­río­do em que Ro­ger e eu não que­ría­mos fa­lar so­bre o Que­en. Aque­la par­te de nos­sa vi­da ha­via che­ga­do ao fim, mas aca­bou vol­tan­do e de uma for­ma agra­dá­vel, pois as pes­so­as ain­da que­rem ou­vir nos­sa mú­si­ca, ain­da es­ta­mos ap­tos a to­car e tam­bém po­de­mos tra­zer Fred­die e John de vol­ta de uma cer­ta for­ma. Em­bo­ra ne­nhum dos dois es­te­ja mais co­nos­co, tec­ni­ca­men­te fa­lan­do, es­pi­ri­tu­al­men­te, eles con­ti­nu­am aqui”, afir­mou o gui­tar­ris­ta Bri­an May em en­tre­vis­ta a Nicky Hor­ne, pa­ra a Clas­sic Rock Magazine, em 2014. Foi com es­se pen­sa­men­to que May e Tay­lor re­a­li­za­ram al­guns shows de “re­tor­no” após a mor­te de Fred­die e a saí­da de John De­a­con.

Em 2001, a banda en­trou pa­ra o Rock and Roll Hall of Fa­me. Du­ran­te es­sa épo­ca, Ro­ger e Bri­an gra­va­ram We Are the Cham­pi­ons com Rob­bie Wil­li­ams pa­ra o mu­si­cal We Will Rock You.

Um dos des­ta­ques da apre­sen­ta­ção fo­ram os co­men­tá­ri­os ne­ga­ti­vos de John De­a­con em en­tre­vis­ta ao jor­nal The Sun. “Eu não

que­ria es­tar en­vol­vi­do nis­so e es­tou fe­liz. Ou­vi o que eles fi­ze­ram e é um li­xo. É uma das mai­o­res mú­si­cas já es­cri­tas, mas eu acho que eles a des­truí­ram. Eu não qu­e­ro ser ru­de, mas di­ga­mos que Rob­bie Wil­li­ams não é Fred­die Mer­cury. Fred­die nun­ca se­rá subs­ti­tuí­do - e cer­ta­men­te não por ele”, afir­mou o mú­si­co.

Já em 2003, Bri­an e Ro­ger par­ti­ci­pa­ram do even­to 46664 Con­cert, na Ci­da­de do Ca­bo, or­ga­ni­za­do pe­la Fun­da­ção Nel­son Mandela com o in­tui­to de sen­si­bi­li­zar a po­pu­la­ção so­bre a aids na Áfri­ca do Sul.

Anos de­pois, a du­pla re­sol­veu fa­zer par­ce­ri­as com ou­tros ar­tis­tas. As­sim, ini­ci­a­ram o Que­en + Paul Rod­gers, gru­po que re­a­li­zou vá­ri­as tur­nês em di­ver­sas par­tes do mun­do. Tam­bém lan­ça­ram al­guns ál­buns ao vi­vo, co­mo Re­turn of the Cham­pi­ons, mas a pro­du­ção inédita The Cos­mos Rocks, lan­ça- da em 2008, foi a que, ape­sar das vá­ri­as crí­ti­cas ne­ga­ti­vas, ob­te­ve mai­or no­to­ri­e­da­de. Em 2009, a par­ce­ria che­gou ao fim.

Que­en + Adam Lam­bert

Em 2011, qu­an­do o Que­en co­me­mo­rou 40 anos, Bri­an e Ro­ger re­lan­ça­ram to­do o re­per­tó­rio de es­tú­dio da banda. O pro­je­to ain­da in­cluiu ver­sões ao vi­vo e gra­va­ções al­ter­na­ti­vas em es­tú­dio pa­ra al­gu­mas mú­si­cas, além de no­vas mi­xa­gens.

Nes­sa épo­ca, May e Tay­lor par­ti­ci­pa­ram do pro­gra­ma Ame­ri­can Idol, on­de co­nhe­ce­ram o can­tor Adam Lam­bert. Des­se en­con­tro sur­giu Que­en + Adam Lam­bert que, con­tan­do com a par­ti­ci­pa­ção do te­cla­dis­ta Spi­ke Ed­ney, do per­cus­si­o­nis­ta Ru­fus Ti­ger Tay­lor – fi­lho de Ro­ger Tay­lor – e do bai­xis­ta Neil Fair­clough, es­tão na es­tra­da até os di­as de ho­je.

A com­pi­la­ção Que­en Fo­re­ver foi lan­ça­da em 2014, con­ten­do a já ci­ta­da úl­ti­ma mú­si­ca inédita da banda Let Me in Your He­art Again, com par­ti­ci­pa­ção de Fred­die e John e The­re Must Be Mo­re to Li­fe Than This, can­ção com par­ti­ci­pa­ção de Mi­cha­el Jack­son.

Em 2015, Bri­an May re­ce­beu a ho­me­na­gem “Li­ving Le­gends” (Len­das vi­vas, em por­tu­guês) do gui­tar­ris­ta Joe Sa­tri­a­ni, em no­me do Que­en, no even­to Clas­sic Rock Roll Of Ho­nour Awards 2015.

Na opor­tu­ni­da­de, co­men­tou so­bre o fe­liz en­con­tro en­tre a banda e o no­vo co­le­ga de pal­co. “Adam é um fenô­me­no, vo­cê tem que ver, deu tão cer­to! Nós não es­tá­va­mos pro-

Du­ran­te a apre­sen­ta­ção, a emo­ção to­mou con­ta do show qu­an­do o gui­tar­ris­ta Bri­an May se po­si­ci­o­nou so­zi­nho ao cen­tro do pal­co e pe­diu – em por­tu­guês – pa­ra que o pú­bli­co can­tas­se “por Fred­die”. A can­ção era Lo­ve of my Li­fe, a mú­si­ca mais lem­bra­da da apre­sen­ta­ção do Que­en na aber­tu­ra do Rock in Rio, em 1985”

cu­ran­do por ele, nós nun­ca pro­cu­ra­mos por nin­guém pa­ra subs­ti­tuir Fred­die. A co­la­bo­ra­ção com Paul Rod­gers acon­te­ceu na­tu­ral­men­te e co­me­ça­mos a fa­zer ou­tras co­la­bo­ra­ções. Adam sim­ples­men­te sur­giu, foi um pre­sen­te de Deus”, dis­se.

Bri­an ain­da apro­vei­tou pa­ra co­men­tar so­bre as com­pa­ra­ções en­tre o jo­vem vo­ca­lis­ta e Fred­die Mer­cury. “Ele não é uma có­pia de Fred­die em ne­nhum sen­ti­do, ele é mui­to mais ele mes­mo. Uma com­bi­na­ção ado­rá­vel de con­fi­an­ça e hu­mil­da­de, ele tem os dois. E ele tem o to­que má­gi­co que é a co­mu­ni­ca­ção com a au­di­ên­cia. E aque­la voz? Eu di­go aque­la voz é ina­cre­di­tá­vel, eu pen­so que até mes­mo Fred­die di­ria ‘uau’”, de­cla­rou o gui­tar­ris­ta em en­tre­vis­ta no ta­pe­te ver­me­lho do even­to.

An­tes que 2015 aca­bas­se, em no­vem­bro, Bri­an e Ro­ger lan­ça­ram o ál­bum A Night at the Ode­on - Ham­mers­mith 1975, con­ten­do a gra­va­ção do show com re­per­tó­rio mui­to se­me­lhan­te ao Li­ve at the Rain­bow ‘74, ou­tro ál­bum ao vi­vo, lan­ça­do em 2014.

Nós não es­tá­va­mos pro­cu­ran­do por ele, nós nun­ca pro­cu­ra­mos por nin­guém pa­ra subs­ti­tuir Fred­die” Bri­an May so­bre Adam Lam­bert, em en­tre­vis­ta no Clas­sic Rock Awards, em 2015

De vol­ta ao pal­co do mun­do

Em 2015, o gru­po Que­en + Adam Lam­bert apre­sen­tou-se na ci­da­de do Rio de Ja­nei­ro em co­me­mo­ra­ção aos 30 anos do Rock in Rio, pa­ra um pú­bli­co de mais de 85 mil pes­so­as. O show, além de con­tar com os su­ces­sos da banda, in­cluiu o sin­gle Ghost Town, de Adam Lam­bert.

Du­ran­te a apre­sen­ta­ção, a emo­ção to­mou con­ta do show qu­an­do o gui­tar­ris­ta Bri­an May se po­si­ci­o­nou so­zi­nho ao cen­tro do pal­co e pe­diu – em por­tu­guês – pa­ra que o pú­bli­co can­tas­se “por Fred­die”. A can­ção era Lo­ve of my Li­fe, a mú­si­ca mais lem­bra­da da apre­sen­ta­ção do Que­en na aber­tu­ra do Rock in Rio, em 1985.

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