PAUL MCCARTNEY es­tá mor­to, e faz tem­po

Bai­xis­ta, mor­to du­ran­te um aci­den­te de mo­to, ga­nhou um só­sia pa­ra as ima­gens de di­vul­ga­ção e tam­bém pa­ra os shows

GRANDES MITOS ALMANAQUE DO ROCK - - Lendas Do Rock -

Os Be­a­tles fo­ram um fenô­me­no. Se­ja a fa­se iê-iê-iê, o psi­co­de­lis­mo em “Sgt. Pep­pers”, até mes­mo a se­pa­ra­ção con­tur­ba­da e o fim ofi­ci­al da ban­da em 1970, tu­do sem­pre ga­nhou ar de gran­di­o­si­da­de quan­do se tra­ta­va do quar­te­to.

Ho­je, quem es­tá aí pa­ra con­tar his­tó­ria é o ex-ba­te­ris­ta da ban­da, Rin­go Star – até por­que os de­mais in­te­gran­tes já dei­xa­ram o mundo dos vi­vos pa­ra in­te­grar o mundo dos mi­tos: Len­non foi as­sas­si­na­do, Har­ri­son per­deu a lu­ta pa­ra o cân­cer e Paul McCartney, o ori­gi­nal, mor­reu há mui­to tem­po, lá nos anos 1960, em um aci­den­te de mo­to.

Sim, lei­tor: es­se McCar­te­ney que vo­cê vê aqui, do la­do es­quer­do, che­gan­do aos 64 anos co­mo na música “When I’m 64”, é um im­pos­tor. O ver­da­dei­ro Mac­ca es­tá mor­to.

Quan­do sou­be­ram da fa­ta­li­da­de, os de­mais in­te­gran­tes cor­re­ram pa­ra pro­cu­rar um só­sia de Paul. En­con­tra­ram: Billy She­ars lem­bra­va o be­a­tle, mas não pen­sou du­as ve­zes em fa­zer al­gu­mas ci­rur­gi­as pa­ra fi­car mais pa­re­ci­do ain­da. Além dis­so, ele é um ex­ce­len­te mú­si­co, o que caiu co­mo uma lu­va pa­ra a far­sa.

Pis­tas

Só que a his­tó­ria va­zou. O quar­te­to, en­tão, de­ci­diu ali­men­tar a po­lê­mi­ca dei­xan­do pis­tas so­bre a mor­te de Paul em to­dos os seus ál­buns – das ca­pas às le­tras de mú­si­cas.

Pri­mei­ro, veio o anún­cio de que a ban­da não mais fa­ria shows ao vi­vo – ma­no­bra ób­via pa­ra não ex­por o só­sia. Em “Re­vol­ver”, a tra­di­ci­o­nal fo­to da ban­da é subs­ti­tuí­da por um de­se­nho – ain­da com in­tui­to de não ex­por o “no­vo” Paul.

Mas é em “Sgt. Pep­per’s Lo­nely He­arts Club Band” que os fãs do quar­te­to co­me­çam a se cer­ti­fi­car que a mor­te de McCartney não era uma sim­ples len­da. A ca­pa sim­bo­li­za o en­ter­ro de Paul e, na música tí­tu­lo, a ban­da “or­gu­lho­sa­men­te apre­sen­ta o pri­mei­ro e úni­co Billy She­ars” – ou­tras le­tras tam­bém fa­zem men­ção ao aci­den­te do bai­xis­ta.

Vem o ál­bum “Ma­gi­cal Mis­tery Tour” e, com ele, mais pis­tas. Em “All You Ne­ed Is Lo­ve”, John fa­la: “Yes! He is de­ad!” (“Sim, ele es­tá mor­to”). Em “Straw­ber­ry Fi­elds Fo­re­ver”, Len­non diz: “I bu­ri­ed Paul” (“Eu en­ter­rei Paul”).

Com o lan­ça­men­to de “Ab­bey Ro­ad”, o úl­ti­mo pre­go no cai­xão. A tra­di­ci­o­nal fo­to na rua diz tu­do: pri­mei­ro, Paul é o úni­co des­cal­ço (co­mo são en­ter­ra­dos os mor­tos) e es­tá com os olhos fe­cha­dos. O bai­xis­ta se­gu­ra o ci­gar­ro com a mão di­rei­ta (o ver­da­dei­ro Paul é ca­nho­to). Nas can­ções, mais pis­tas: “Co­me To­gether” can­ta “One and one and one is th­ree” (“Um mais um mais um são três”) – ou se­ja, John mais Ge­or­ge mais Rin­go são três, pois Paul, mor­to, não en­tra mais na con­ta­gem.

O mais le­gal é que, con­for­me o tem­po pas­sa, são en­con­tra­das mais e mais pis­tas – além des­tas e mui­tas ou­tras que os Be­a­tles dei­xa­ram de pro­pó­si­to pa­ra os fãs. Um de­ta­lhe di­fe­ren­te no en­car­te, um ba­ru­lho es­tra­nho aos 3min13s da música tal, fio de ca­be­lo bran­co na fo­to do Paul: tu­do is­so só ali­men­ta a len­da, que já cor­re pa­ra com­ple­tar na­da me­nos do que 50 anos.

O só­sia de Paul era um pou­co pa­re­ci­do e tam­bém bom mú­si­co: com al­gu­mas plás­ti­cas e con­se­lhos, to­mou o lu­gar do bai­xis­ta ori­gi­nal, mor­to

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