San­ci­o­na­da lei de R$ 3 bi­lhões pa­ra cul­tu­ra

San­ci­o­na­da on­tem, le­gis­la­çãoi de­ve li­be­rar até R$ 3 bi­lhões pa­ra os Es­ta­dos

Jornal do Commercio - - Primeira Página -

Cha­ma­da Lei Al­dir Blanc te­rá mai­o­ria dos re­cur­sos do Fun­do Na­ci­o­nal de Cul­tu­ra.

RIO – San­ci­o­na­da on­tem pe­lo pre­si­den­te Jair Bol­so­na­ro após tra­mi­tar na Câ­ma­ra e no Se­na­do por pou­co mais de um mês, a Lei Al­dir Blanc traz uma es­pe­ran­ça aos tra­ba­lha­do­res da cul­tu­ra. Ela pro­me­te li­be­rar até R$ 3 bi­lhões pa­ra Es­ta­dos e mu­ni­cí­pi­os, com re­cur­sos oriun­dos, em sua mai­o­ria, do Fun­do Na­ci­o­nal de Cul­tu­ra (FNC).

Por mais de cem di­as, a eco­no­mia da cul­tu­ra so­freu tan­to com os efei­tos da pan­de­mia da co­vid-19 so­bre su­as ati­vi­da­des, qu­an­to com a de­mo­ra do se­tor pú­bli­co na res­pos­ta à ero­são de re­cur­sos, que já eram es­cas­sos an­tes da qua­ren­te­na. Em al­guns ca­sos, Es­ta­dos e mu­ni­cí­pi­os saí­ram à fren­te, com a cri­a­ção de edi­tais e lan­ça­men­to de li­nhas de cré­di­tos, mas que não abran­gi­am a to­ta­li­da­de de tra­ba­lha­do­res do se­tor, que fi­cou à pró­pria sor­te com o fe­cha­men­to de te­a­tros, ca­sas de shows e cen­tros cul­tu­rais.

Apro­va­da na Câ­ma­ra e no Se­na­do em tem­po re­cor­de (no Se­na­do, te­ve vo­ta­ção unâ­ni­me, dia 4 de ju­nho), a lei – ba­ti­za­da em ho­me­na­gem ao com­po­si­tor que mor­reu ví­ti­ma de co­vid-19 – nas­ceu de um acor­do cos­tu­ra­do en­tre os par­la­men­ta­res, que con­tou com a ga­ran­tia de lí­de­res go­ver­nis­tas de que se­ria san­ci­o­na­da sem ve­tos.

A ar­ti­cu­la­ção po­lí­ti­ca evi­tou a ide­o­lo­gi­za­ção do te­ma, so­bre­tu­do em um cam­po que es­tá no cen­tro das dis­pu­tas de nar­ra­ti­vas en­tre a di­rei­ta e a es­quer­da. Tan­to que o tex­to de au­to­ria de Be­ne­di­ta da Sil­va (PT-RJ), re­la­ta­do por Jan­di­ra Fegha­li na Câ­ma­ra e no Se­na­do por Ja­ques Wag­ner (PT-BA), te­ve o apoio do de­pu­ta­do Vi­tor Hu­go (PSL-GO) e do se­na­dor Chi­co Rodrigues (DEM-RR), lí­de­res do go­ver­no nas du­as ca­sas.

“Ini­ci­al­men­te pro­pu­se­mos R$ 6 bi­lhões, mas fi­cou em R$ 3 bi­lhões por­que o go­ver­no não acei­tou co­lo­car di­nhei­ro que não fos­se do FNC”, diz Be­ne­di­ta da Sil­va, que pre­pa­rou uma car­ti­lha pa­ra ser dis­tri­buí­da a Es­ta­dos e mu­ni­cí­pi­os.

Pre­si­den­te da As­so­ci­a­ção dos Pro­du­to­res de Te­a­tro do Rio (APTR), Edu­ar­do Ba­ra­ta, que acom­pa­nhou as ne­go­ci­a­ções, acre­di­ta que o fo­co nas ques­tões téc­ni­cas fez com que a pau­ta con­tor­nas­se o de­ba­te ide­o­ló­gi­co. “Em 30 anos de mi­li­tân­cia na po­lí­ti­ca cul­tu­ral, nun­ca vi uma ar­ti­cu­la­ção que pro­mo­ves­se tão bem o diá­lo­go com o se­tor. A Lei da Meia En­tra­da, por exem­plo, fi­cou oi­to anos tra­mi­tan­do”, lem­bra o pro­du­tor. “Foi mais que uma vi­tó­ria da clas­se. Foi uma de­mons­tra­ção de que, uni­dos, nos tor­na­mos for­ça po­lí­ti­ca.”

A lei pre­vê um au­xí­lio de R$ 600, em três par­ce­las pa­ra tra­ba­lha­do­res da cul­tu­ra. Po­dem so­li­ci­tar o re­cur­so pro­fis­si­o­nais que com­pro­vem atu­a­ção no se­tor nos úl­ti­mos dois anos, com ren­di­men­tos de até R$ 28,5 mil em 2018.

Do va­lor ge­ral, 20% pre­ci­sam ser des­ti­na­dos pa­ra cus­te­ar edi­tais, cha­ma­das pú­bli­cas, cur­sos, prê­mi­os e aqui­si­ção de bens e ser­vi­ços (uma pre­fei­tu­ra po­de, por exem­plo, com­prar an­te­ci­pa­da­men­te in­gres­sos de uma ins­ti­tui­ção). O uso dos 80% res­tan­tes po­de ser de­ci­di­do por Es­ta­dos e pre­fei­tu­ras.

A lei tam­bém pre­vê au­xí­lio pa­ra es­pa­ços ar­tís­ti­cos e mi­cro e pe­que­nas em­pre­sas cul­tu­rais que ti­ve­ram as su­as ati­vi­da­des in­ter­rom­pi­das por con­ta das me­di­das de iso­la­men­to so­ci­al. As em­pre­sas pre­ci­sam com­pro­var ca­das­tro municipal, es­ta­du­al, dis­tri­tal ou de pon­tos de cul­tu­ra. Ago­ra, o go­ver­no tem 15 di­as pa­ra li­be­rar a ver­ba pa­ra Es­ta­dos e mu­ni­cí­pi­os.

co­men­ta a de­pu­ta­da Jan­di­ra Fegha­li (PC­doB-RJ), re­la­to­ra do pro­je­to na Câ­ma­ra

Exis­ti­am seis pro­je­tos, de 34 au­to­res, de 11 par­ti­dos. Foi pre­ci­so uma es­cu­ta am­pla pa­ra che­gar ao tex­to fi­nal. Co­mo o mo­vi­men­to foi am­plo, sen­si­bi­li­zou as ban­ca­das. E, por ser uma lei que tem fon­te de re­cur­sos iden­ti­fi­ca­da, tam­bém di­mi­nuiu a re­sis­tên­cia de­las”,

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