UMA VER­TI­CAL DE BO­JA­DOR

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Os vi­nhos ela­bo­ra­dos em ân­fo­ras de­ram vi­si­bi­li­da­de ao pro­du­tor por­tu­guês Pe­dro Ri­bei­ro (fo­to), do Es­pa­ço Ru­ral, no Alen­te­jo. Sua con­sa­gra­ção veio quan­do a in­gle­sa Jan­cis Ro­bin­son es­co­lheu o seu Bo­ja­dor Vi­nho de Ta­lha co­mo des­ta­que de uma apre­sen­ta­ção in­ter­na­ci­o­nal. Mas além do re­co­nhe­ci­men­to, co­mo os vi­nhos em ân­fo­ras se com­por­tam de­pois de al­gum tem­po em gar­ra­fa? En­ve­lhe­cem bem? São vi­nhos pa­ra con­su­mo ime­di­a­to? Pa­ra res­pon­der es­sas per­gun­tas, o pro­du­tor trou­xe na ma­la, com ex­clu­si­vi­da­de pa­ra a Me­nu, três sa­fras do Bo­ja­dor Bran­co (2015, 2016 e 2017) e qua­tro do Bo­ja­dor Tin­to (2014 a 2017). A de­gus­ta­ção acon­te­ceu no res­tau­ran­te Car­li­nhos, no bair­ro do Pa­ri, de cu­li­ná­ria ar­mê­nia e con­tou tam­bém com a pre­sen­ça dos som­me­li­ers

Ma­no­el Be­a­to e Ju­li­a­na Ca­ra­ni.

Nas ta­ças, a resposta é cla­ra: sim, es­ses vi­nhos têm vi­da fo­ra das ân­fo­ras, ou ta­lhas, co­mo es­ses po­tes de bar­ro são cha­ma­dos em Por­tu­gal. Nos bran­cos, o 2015 se mos­trou mais sel­va­gem, um tan­to de­se­qui­li­bra­do. Mas os 2016 e 2017 bri­lha­ram, pe­la boa in­ten­si­da­de aro­má­ti­ca, no­tas de ca­mo­mi­la (no pri­mei­ro) e de amên­do­as (2017), boa cre­mo­si­da­de, aci­dez e lon­ge­vi­da­de. “To­dos fo­ram vi­ni­fi­ca­dos igual­men­te, em ta­lha, sem con­tro­le de tem­pe­ra­tu­ra ou adi­ção de le­ve­du­ras. As di­fe­ren­ças se de­vem às sa­fras”, afir­ma Ri­bei­ro. Os bran­cos são ela­bo­ra­dos com as va­ri­e­da­des per­run, rou­pei­ro, ra­bo de ove­lha e man­teú­do, to­das de vi­nhe­dos an­ti­gos, plan­ta­dos na sub-re­gião da Vi­di­guei­ra.

Os tin­tos são ela­bo­ra­dos com trin­ca­dei­ra, mou­re­to e tin­ta gros­sa, tam­bém de vi­nhas an­ti­gas. As­sim co­mo os bran­cos, os tin­tos mos­tra­ram que as ca­rac­te­rís­ti­cas do ano são de­ter­mi­nan­tes no vi­nho fi­nal. O 2014, ma­cio e fru­ta­do, nem lem­bra um vi­nho de ân­fo­ra. O 2015 foi o mais com­ple­xo, com no­tas de fru­tas ver­me­lhas fres­cas, flo­ral, de­li­ca­do. O 2016, ele­gan­te no na­riz, ca­re­ce de fres­cor no pa­la­dar. E o mais jo­vem, o de 2017, con­quis­ta pe­las no­tas de fru­tas fres­cas, os to­ques mi­ne­rais; é o mais com­ple­xo do pai­nel. Nos qua­tro, a cons­ta­ta­ção foi que a ta­lha tem o pa­pel de ar­re­don­dar os ta­ni­nos. A Wi­neLo­vers im­por­ta es­ses vi­nhos pa­ra o Bra­sil e tan­to o bran­co co­mo o tin­to são ven­di­dos por R$ 168 a gar­ra­fa.

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