VI­NHO NA­CI­O­NAL

A vi­ní­co­la gaú­cha traz pa­ra São Pau­lo amos­tras de bar­ri­cas dos seus vi­nhos pre­mium, nu­ma avant-pre­miè­re da úl­ti­ma co­lhei­ta

Menu - - Contents - Mi­o­lo apre­sen­ta amos­tras da pro­mis­so­ra sa­fra de 2018

Nem bem as uvas co­me­ça­vam a che­gar nas vi­ní­co­las no co­me­ço des­te ano, os pro­du­to­res bra­si­lei­ros já alar­de­a­vam so­bre a qua­li­da­de da sa­fra. Ex­cep­ci­o­nal, úni­ca, per­fei­ta fo­ram al­guns dos ad­je­ti­vos usa­dos pe­los gaú­chos pa­ra des­cre­ver o ano vi­ti­vi­ní­co­la. Uma flo­ra­da me­nor, re­sul­ta­do do tem­po me­nos frio no in­ver­no, o cli­ma bem se­co no ve­rão, pe­lo fenô­me­no do “la Niña”, e a gran­de am­pli­tu­de tér­mi­ca, re­gis­tra­da nos me­ses que an­te­ce­dem a co­lhei­ta, fo­ram os prin­ci­pais fa­to­res que ge­ra­ram uvas de qua­li­da­de. Va­ri­e­da­des bran­cas e tin­tas es­ta­vam sa­nas, ma­du­ras, in­tei­ras.

Mas e o vi­nho? Bo­as uvas são o pri­mei­ro pré-re­qui­si­to pa­ra óti­mos vi­nhos. Sem elas, o enólogo tem mui­to mais tra­ba­lho pa­ra ela­bo­rar uma be­bi­da de qua­li­da­de e nem sem­pre con­se­gue. Pa­ra mos­trar o que con­si­de­ra uma das me­lho­res sa­fras bra­si­lei­ras, Adri­a­no Mi­o­lo, o prin­ci­pal enólogo do gru­po Mi­o­lo, de­ci­diu ou­sar: en­gar­ra­fou amos­tras de seus prin­ci­pais vi­nhos de 2018, que ain­da es­tão em bar­ri­ca, e trou­xe as gar­ra­fas pa­ra São Pau­lo, pa­ra de­gus­tar com um gru­po de for­ma­do­res de opi­nião. Nes­te ano, a Mi­o­lo ela­bo­ra­rá to­dos os seus vi­nhos pre­mium, co­mo o mí­ti­co Lo­te 43, que não era ela­bo­ra­do des­de 2012.

O Re­ser­va Sau­vig­non Blanc 2018 foi o úni­co bran­co do pai­nel e, as­sim, o pri­mei­ro a ser de­gus­ta­do. Fres­co, fru­ta­do, com mui­ta aci­dez, só per­de um pou­co pe­la le­ve pre­sen­ça no pa­la­dar, o que é uma das crí­ti­cas aos vi­nhos bra­si­lei­ros. Ela­bo­ra­do na re­gião da Cam­pa­nha, é equi­li­bra­do, tem qua­li­da­de e re­pre­sen­ta bem a sa­fra.

Nos tin­tos, o pai­nel mos­trou que as no­tas de fru­tas ma­du­ras, a con­cen­tra­ção, a po­tên­cia e o mai­or te­or al­coó­li­co se­rão a mar­ca des­ses vi­nhos, quan­do co­me­ça­rem a che­gar ao mer­ca­do a par­tir do ano que vem. O pri­mei­ro foi o Sin­gle Vi­neyard Tou­ri­ga Na­ci­o­nal 2018, que te­ve a sua pri­mei­ra sa­fra em 2017. Mui­to aro­má­ti­co no na­riz, com fru­tas ver­me­lhas, le­ve flo­ral, bom cor­po e ta­ni­nos ain­da ner­vo­sos (co­mo se es­pe­ra em tin­tos que ain­da te­rão lon­go es­tá­gio em bar­ri­cas de car­va­lho). O amar­gor in­co­mo­da­va na ta­ça, no fi­nal de bo­ca. Adri­a­no Mi­o­lo ex­pli­ca que é uma ca­rac­te­rís­ti­ca do vi­nho que ain­da se­rá afi­na­do em bar­ri­ca (ele es­ta­gia em bar­ri­cas de se­gun­do e ter­cei­ro uso) e que o amar­gor vem das pri­mei­ras re­a­ções dos ta­ni­nos com a ma­dei­ra fran­ce­sa. Exem­pli­fi­ca com o tou­ri­ga na­ci­o­nal da sa­fra an­te­ri­or, já no mer­ca­do, e sem es­se tra­ço de amar­gor.

Na sequên­cia, o Ses­ma­ria 2018, ela­bo­ra­do com seis va­ri­e­da­des, tou­ri­ga na­ci­o­nal, tem­pra­nil­lo, tan­nat, pe­tit ver­dot, ca­ber­net sau­vig­non e mer­lot cul­ti­va­das na Cam­pa­nha gaú­cha, sur­pre­en­deu pe­lo equi­lí­brio, mes­mo com ain­da mui­to tem­po em bar­ri­cas de car­va­lho pe­la fren­te. De pro­du­ção pe­que­na, o Ses­ma­ria fer­men­ta em bar­ri­cas de car­va­lho e fi­ca­rá por 18 me­ses no bar­ril. Pa­ra o Lo­te 43, a qua­li­da­de do mer­lot (res­pon­sá­vel por 60% do blend) e da ca­ber­net sau­vig­non (pe­los 40%) é con­sequên­cia, prin­ci­pal­men­te, da pou­ca chu­va na re­gião do Va­le dos Vi­nhe­dos.

O ter­cei­ro tin­to foi o Vi­nha Ve­lhas Tan­nat, que vem de um dos pri­mei­ros vi­nhe­dos plan­ta­dos pe­la Al­ma­dén, em 1976, quan­do per­ten­cia à Na­ti­o­nal Dis­til­lers (em 2009 a vi­ní­co­la foi com­pra­da pe­la Mi­o­lo). Mos­tra que vi­nhe­dos mais an­ti­gos, quan­do bem ma­ne­ja­dos e sem do­en­ças, con­se­guem ge­rar uvas de qua­li­da­de. Na ta­ça, mos­trou-se in­ten­so, com mui­tos ta­ni­nos, que de­vem ser afi­na­dos com o tem­po em bar­ri­ca. Ain­da sem da­ta pa­ra che­gar ao mer­ca­do, pro­va­vel­men­te no ano que vem, tu­do in­di­ca que se­rão vi­nhos equi­li­bra­dos, sem­pre com fru­ta ma­du­ra e sem aque­las no­tas ver­des, quan­do a uva não ama­du­re­ce cor­re­ta­men­te. Se­rão vi­nhos de qua­li­da­de, po­rém bem po­ten­tes.

Adri­a­no Mi­o­lo, no al­to e aci­ma, na apre­sen­ta­ção da sa­fra 2018; ao la­do, as amos­tras de bar­ri­cas da Mi­o­lo

Além dos vi­nhos da sa­fra, a Mi­o­lo apre­sen­tou a sua li­nha Sin­gle Vi­neyard, já en­gar­ra­fa­da

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