TO­DOS POR 1

Metro Brazil (ABC) - - Publimetro - JOÃO FA­RIA JOAO.FA­RIA@ME­TRO­JOR­NAL.COM.BR João Fa­ria é jor­na­lis­ta e só­cio-di­re­tor da Agência Ci­da­dã

O pu­bli­ci­tá­rio Már­cio Fla­vio já tra­ba­lhou na área de cri­a­ção de gran­des agên­ci­as de pu­bli­ci­da­de. Di­re­tor de arte pre­mi­a­do em im­por­tan­tes fes­ti­vais in­ter­na­ci­o­nais, aos 34 anos re­ce­beu o di­ag­nós­ti­co de um cân­cer e so­freu um AVC. E foi du­ran­te seus di­as em um hos­pi­tal que afir­ma ter ti­do a me­lhor ideia da sua car­rei­ra: aju­dar pes­so­as que es­tão en­fer­mas e pre­ci­sam de apoio. O que vo­cê vi­veu no hos­pi­tal? Ven­ci um cân­cer na prós­ta­ta e qu­an­do achei que es­ta­va óti­mo, veio o AVC. En­trei no hos­pi­tal fra­gi­li­za­do, de sur­pre­sa e pen­san­do “Por que co­mi­go?”. E por in­crí­vel que pa­re­ça foi lá den­tro que eu per­ce­bi que não de­ve­ria re­cla­mar já que exis­ti­am pes­so­as em si­tu­a­ção mais com­pli­ca­da, pre­ci­san­do da mi­nha aju­da.

Co­mo foi es­sa ideia?

Uma das his­tó­ri­as que me­xeu co­mi­go foi a de um mé­di­co que não con­se­guiu sal­var um pa­ci­en­te e veio cho­rar ao meu la­do. Mas quem re­al­men­te me deu o click foi uma pa­ci­en­te. Sem­pre pro­cu­rei a mu­lher que fos­se mu­dar a mi­nha vi­da. Só não es­pe­ra­va que fos­se num hos­pi­tal. Lá eu co­nhe­ci a Juhei­ni, com 20 anos e cân­cer es­pa­lha­do pe­lo cor­po. Fo­ram 30 di­as des­de o ins­tan­te que eu a co­nhe­ci até ela fa­le­cer. Ti­ve­mos di­ver­sas con­ver­sas. Eu na mi­nha ma­ca e ela na de­la, mui­tas noi­tes com ela ge­men­do de dor e cho­ran­do, eu dei­xan­do a UTI pa­ra re­a­li­zar o pe­di­do de­la: to­mar su­co de la­ran­ja. E de­pois da mi­nha al­ta, fui vi­si­tá-la al­gu­mas ve­zes. Mes­mo sen­do tu­do tão rá­pi­do, te­nho cer­te­za que ela foi a mu­lher que mu­dou a mi­nha vi­da e me mo­ti­vou a fa­zer por ou­tras pes­so­as o mes­mo que eu ti­ve a opor­tu­ni­da­de de fa­zer por ela. As­sim co­mo ela tam­bém fez por mim e pe­las ou­tras pes­so­as do cor­re­dor da UTI: dar uma pa­la­vra, um sor­ri­so, re­a­li­zar um úl­ti­mo de­se­jo. Con­to com as pes­so­as que eu co­nhe­ço e até as que não sei quem são. Mas que che­ga­ram até mim tra­zen­do uma his­tó­ria nova ou me agra­de­cen­do por ter aju­da­do com mi­nhas men­sa­gens pos­ta­das de den­tro do hos­pi­tal.

Qu­an­do se­rá o lan­ça­men­to?

Den­tro de um mês. Mas já es­tou atu­an­do in­di­vi­du­al­men­te.

O que vo­cê mais pre­ci­sa?

De pes­so­as. Que aju­dem o pró­xi­mo e que abra­cem es­sa cau­sa de ver­da­de. Que pos­sam do­ar 1 mi­nu­to, R$ 1 ou aqui­lo que sa­bem fa­zer de me­lhor. Mas tu­do com amor. A ideia é le­var até es­sas pes­so­as en­fer­mas, mui­tas de­las sem pers­pec­ti­va, um pou­co mais de qua­li­da­de de vi­da. Mui­tas vão sair do hos­pi­tal, ou­tras in­fe­liz­men­te não, mas to­das me­re­cem o nos­so amor. Quem qui­ser aju­dar ou ser aju­da­do po­de en­trar em con­ta­to atra­vés do aju­de1­por­to­dos@gmail.com, pe­lo fa­ce­bo­ok ou ins­ta­gram: @aju­de1­por­to­dos.

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