BO­LA DE OU­RO?

Metro Brazil (ABC) - - Foco - JO­SE.DA­TE­NA @METROJORNAL.COM.BR

Quan­do eu me lem­bro do meu tem­po de cri­an­ça, me dá sau­da­de... Tre­cho da mú­si­ca can­ta­da pe­lo meu ami­go e ído­lo Ze­ca Pa­go­di­nho.

Pen­san­do nis­so fa­ço a pro­je­ção pa­ra meu pas­sa­do dis­tan­te, já em bran­co e pre­to, quan­do jo­ga­va no Bo­ta­fo­go de Ribeirão Pre­to, que ti­nha o Dou­tor Só­cra­tes nu­ma ca­te­go­ria aci­ma, is­so, ele mes­mo. Na épo­ca da Co­pa de 1970, no Mé­xi­co. Pe­lé, Jair, Tos­tão, Gér­son, Ri­vel­li­no, ca­pi­tão Car­los Alberto, Clo­do­al­do e uma sé­rie de ou­tros mons­tros.

De­pois se­gui­ram-se al­gu­mas ge­ra­ções de ou­tros gê­ni­os. Ro­má­rio, Ro­nal­do, Bran­co, Zi­co, o ga­li­nho. Mais re­cen­te­men­te, Ronaldinho rei do Barça, rei do mun­do. Sem es­que­cer Ri­val­do, Ca­re­ca, meu ir­mão Neto.

Ah, são tan­tos no­mes, que, cla­ro, não ci­tei, e cen­te­nas de ou­tros que vo­cê de­ve es­tar me co­bran­do. Des­cul­pe, mas o pa­pel li­mi­ta a his­tó­ria do futebol mais ve­zes cam­peão do mun­do, li­mi­ta­do em cam­po tam­bém nos 7 a 1 da Ale­ma­nha na fa­tí­di­ca tar­de de Be­lo Ho­ri­zon­te, quan­do vi meu ou­tro ir­mão Bran­co, que pra­ti­ca­men­te nos deu a Co­pa de 94 na­que­le gol má­gi­co con­tra a Ho­lan­da, qua­se às lá­gri­mas, Edmundo cho­rou!

Cla­ro que per­de­mos o jo­go e a Co­pa tam­bém mui­to fo­ra de cam­po, pe­la qu­a­dri­lha que di­ri­gia e ain­da ho­je o pró­prio pre­si­den­te da CBF é pro­cu­ra­do pe­la po­lí­cia ame­ri­ca­na com evi­dên­ci­as de cri­me.

Is­so tu­do pa­ra di­zer que o úni­co tí­tu­lo que não te­mos no futebol es­ta­ria mais pró­xi­mo de ser ga­nho pe­la ge­ra­ção de Ney­mar e mais re­cen­te, Ga­bri­el Je­sus e Ga­bi­gol?

Va­le­ria mais os no­mes de mons­tros sa­gra­dos aqui ci­ta­dos que rein­ven­ta­ram o jo­go cri­a­do pe­los in­gle­ses e pin­ta­do até há pou­co de ver­de-ama­re­lo? Ou a ca­na­lha que jo­gou nos­so futebol no li­xo com ne­go­ci­a­tas e cor­rup­ção, san­grou tan­to nos­sa ca­mi­sa que só ela as­sus­ta­va os ad­ver­sá­ri­os nos dei­xa ain­da só na es­pe­ran­ça dou­ra­da do futebol olím­pi­co?

To­ma­ra que nos­sa his­tó­ria se­ja mai­or do que os cri­mes co­me­ti­dos con­tra nos­so futebol e con­tra o po­vo bra­si­lei­ro.

JO­SÉ LUIZ DA­TE­NA

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