NA­DA A TE­MER

Metro Brazil (ABC) - - Foco - JOSÉ LUIZ DATENA JOSE.DATENA @ME­TRO­JOR­NAL.COM.BR

A ver­da­de é sem­pre um abis­mo. Na­da tão in­ques­ti­o­ná­vel co­mo es­ta fra­se sá­bia no ce­ná­rio po­lí­ti­co do Brasil de ho­je.

Co­lo­car em pau­ta a re­for­ma da Pre­vi­dên­cia co­mo me­ta de afir­ma­ção de­pois de as­su­mir o car­go, co­mo se fos­se uma ati­tu­de de coragem ex­tre­ma do pre­si­den­te Te­mer, re­pre­sen­ta mais do que nun­ca uma fal­ta de res­pei­to da clas­se do­mi­nan­te do Brasil pa­ra com o tra­ba­lha­dor bra­si­lei­ro. Aque­le que é mas­sa de ma­no­bra nas fa­mi­ge­ra­das elei­ções e nas su­as qua­se sem­pre men­ti­ro­sas cam­pa­nhas pu­bli­ci­tá­ri­as. Aque­le que dá a sua vi­da pa­ra cons­truir a his­tó­ria do país, e que mui­tas ve­zes é aban­do­na­do pe­la pró­pria fa­mí­lia, é sem­pre aban­do­na­do pe­lo Es­ta­do. Re­ce­be uma mi­sé­ria de con­tri­bui­ção, es­mo­la mes­mo, por tu­do o que fez. E na ho­ra de pa­gar a con­ta de uma na­ção mar­ca­da pe­los des­man­dos, mau uso e em mui­tos ca­sos pi­lha­gem, rou­bo de ver­da­de do di­nhei­ro pú­bli­co...

Fi­car ve­lho no Brasil não é pa­de­cer no pa­raí­so, é vi­ver no in­fer­no sem di­rei­to a uma mor­te dig­na.

Quan­do se fa­la nos di­rei­tos do aposentado, o fa­zem se sen­tir co­mo um mar­gi­nal, um es­tor­vo que não tem mais va­lor de­pois de chu­pa­do e jo­ga­do fo­ra co­mo o ba­ga­ço da la­ran­ja.

En­quan­to is­so, os que de­ci­dem au­men­tam seus pró­pri­os sa­lá­ri­os à re­ve­lia da so­ci­e­da­de e, co­mo se is­so não bas­tas­se, mes­mo os que não são la­drões en­ri­que­cem e ga­nham po­der com seus car­gos que lhes ga­ran­tem uma clás­si­ca apo­sen­ta­do­ria de ma­ra­jás.

Po­bres ve­lhos to­los –mais um ano fa­ço 60 – que acre­di­tam na ho­nes­ti­da­de. A mai­or di­fi­cul­da­de é con­ti­nu­ar vi­vo num país que na­da de­vol­ve pa­ra qu­em tan­to lhe deu. Se vo­cê, ve­lho ami­go, con­se­gue co­mer, não tem di­nhei­ro pa­ra o re­mé­dio, e vi­ce-ver­sa.

Pen­san­do bem, não há mes­mo re­mé­dio con­tra es­sa gen­te, e, co­mo di­zem que ve­lho pra­gue­ja, que a lu­xú­ria e a gu­la ex­plo­dam as bar­ri­gas in­cha­das de ri­que­za e so­ber­ba des­tes car­ras­cos do po­der. Afi­nal, de­pois de uma vi­da co­ra­jo­sa, não há mais bes­tas que nos fa­çam te­mer.

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