QUE TAL COM­PRAR PARCELADO SEM JU­ROS: VA­MOS NES­SA?!

Metro Brazil (ABC) - - Publimetro - MARCOS SILVESTRE MARCOS.SILVESTRE@METROJORNAL.COM.BR

Con­ta a len­da... Nu­ma de­ter­mi­na­da so­ci­e­da­de lá do pas­sa­do, ha­via dois gru­pos de con­su­mi­do­res: os Jo­sés (que eram pou­cos) e os Ma­nés (a gran­de mai­o­ria). Cer­to dia o Sr. Co­mer­ci­an­te con­vi­dou o Sr. Ban­quei­ro pa­ra to­ma­rem chá. “Es­tou tris­te, ca­ro ami­go. Não con­si­go ven­der pa­ra os Ma­nés, e os Jo­sés são pou­cos pa­ra sus­ten­ta­rem meu co­mér­cio. Eu sei qual é o pro­ble­ma: os Ma­nés não se pla­ne­jam pa­ra jun­tar di­nhei­ro, gas­tam sem­pre tu­do o que ga­nham no pró­prio dia, e ja­mais têm dis­po­ni­bi­li­da­de pa­ra com­pras de va­lor mais al­to. Eles têm von­ta­de de com­prar, e eu de ven­der, mas não há di­nhei­ro pronto”!

Con­se­lho. O Sr. Ban­quei­ro, ho­mem as­tu­to, tra­zia a so­lu­ção na pon­ta da lín­gua: “Di­le­to ami­go, es­te po­vo (os Ma­nés) ama um car­ne­zi­nho: fa­ça parcelado, em seis, 10 ou 12 ve­zes, e o se­nhor ar­re­ben­ta­rá de ven­der”! O Sr. Co­mer­ci­an­te gos­tou da ideia, mas o in­ter­pe­lou: “Ami­go, res­pei­to sua sa­be­do­ria, mas não é fi­nan­cei­ra­men­te viá­vel. Dou-lhe um exem­plo: com­prei gran­de quan­ti­da­de des­tes smartpho­nes por R$ 400 ca­da. De­se­ja­va ven­dê-los por R$ 800 à vis­ta, pois as­sim co­bri­ri­am meus cus­tos do mo­men­to e me da­ri­am lu­cro: co­mo po­de­ria par­ce­lar em 10 X R$80 se pre­ci­so do di­nhei­ro da ven­da de ime­di­a­to”?

Eu­re­ka! “Fa­rás di­fe­ren­te, meu bom ami­go. Tu di­rás que o va­lor “à vis­ta” é de R$ 999, que podem ser gen­til­men­te par­ce­la­dos em 10 X R$ 99,90 no car­tão de cré­di­to do meu ban­co. Eu te adi­an­ta­rei os R$ 800 de que pre­ci­sas de ime­di­a­to, fi­que tran­qui­lo, e re­ce­be­rei par­ce­la­da­men­te R$ 200 a mais. As­sim, tu ven­de­rás a ro­do, e eu ga­nha­rei meus “ju­ri­nhos” na ope­ra­ção”! O Sr. Co­mer­ci­an­te abriu um sor­ri­so: “Tu és gê­nio, ami­go Sr. Ban­quei­ro! Só la­men­to não te ter con­sul­ta­do an­tes!” As­sim ele pro­ce­deu, e os Ma­nés le­va­ram to­dos os seus ce­lu­la­res, fe­li­zes da vi­da de po­de­rem par­ce­lar o pre­ço à vis­ta “sem ju­ros”!

E tu, Bru­tus? Quan­to a vo­cê: sa­be dar o de­vi­do va­lor ao seu di­nhei­ro? Al­go co­mo R$ 200...is­so é di­nhei­ro pa­ra vo­cê? Por­que se es­co­lher pa­gar R$ 1 mil por al­go que po­de­ria com­prar por R$ 800 à vis­ta (jun­tan­do R$ 99,90 por ape­nas oi­to me­ses), es­ta­rá des­per­di­çan­do R$ 200 com ju­ros dis­far­ça­dos, e es­ta­rá di­zen­do ao seu di­nhei­ro que ele não me­re­ce es­se res­pei­to to­do. Quan­to a mim, acho que me­re­ce: seu di­nhei­ro é fru­to sa­gra­do do seu tra­ba­lho, do su­or der­ra­ma­do em seu ros­to, e seu tra­ba­lho tem va­lor! Quem res­pei­ta o di­nhei­ro res­pei­ta o tra­ba­lho, a ver­da­dei­ra úni­ca fon­te de ge­ra­ção de ri­que­za no mun­do!

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