Te­to que li­mi­ta gas­tos do go­ver­no avan­ça

Por 366 vo­tos a 111, PEC 241, que im­pe­de des­pe­sas do go­ver­no aci­ma da in­fla­ção por 20 anos, é apro­va­da

Metro Brazil (ABC) - - Front Page - MAR­CE­LO FREITAS

Po­lê­mi­ca, a PEC (Pro­pos­ta de Emen­da à Cons­ti­tui­ção) que cria um te­to de gas­tos pú­bli­cos dos três po­de­res por 20 anos foi apro­va­da on­tem, em 1º tur­no, pe­la Câ­ma­ra. Nu­ma vi­tó­ria do go­ver­no Mi­chel Te­mer fo­ram 366 vo­tos a fa­vor – eram ne­ces­sá­ri­os 308 –, 111 con­trá­ri­os e 2 abs­ten­ções.

Os des­ta­ques ao tex­to ain­da es­ta­vam em dis­cus­são após o fe­cha­men­to des­ta edi­ção.

A vo­ta­ção, em 2º tur­no, de­ve ocor­rer em 15 di­as. Pa­ra en­trar em vi­gor, a PEC pre­ci­sa ain­da ser apro­va­da, tam­bém em dois tur­nos, pe­lo Se­na­do. A ses­são PT, PDT, PC­doB, PSOL e Re­de co­lo­ca­ram em mar­cha uma obs­tru­ção à vo­ta­ção, ale­gan­do que a PEC pro­vo­ca um “con­ge­la­men­to” das con­tas pú­bli­cas, pre­ju­di­can­do in­ves­ti­men­tos e atin­gin­do as áre­as so­ci­ais.

O pon­to de con­fli­to fo­ram os re­cur­sos des­ti­na­dos à saú­de e à edu­ca­ção, sub­me­ti­dos à re­gra a par­tir de 2018.

“Es­sa PEC é con­tra os po­bres. As­si­na o ates­ta­do de mor­te das po­lí­ti­cas so­ci­ais”, afir­mou Pa­trus Ana­ni­as (PT-MG), ex-mi­nis­tro do De­sen­vol­vi­men­to So­ci­al.

Os go­ver­nis­tas, con­tu­do, ale­gam que as re­gras per­mi­tem a re­cu­pe­ra­ção da eco­no­mia e da ge­ra­ção de em­pre­gos. “O PT foi co­zi­nhei­ro de des­pen­sa cheia. Gas­tou de­sen­fre­a­da­men­te e de for­ma ir­res­pon­sá­vel”, de­fen­deu Duarte No­guei­ra (PSDB-SP).

A ba­se ali­a­da con­se­guiu apres­sar a vo­ta­ção, apro­van­do re­du­ção de pra­zos de tra- mi­ta­ção da pro­pos­ta. A opo­si­ção apre­sen­tou pe­di­do de re­ti­ra­da de pau­ta, que foi re­jei­ta­do. “É um tra­to­ra­ço”, es­bra­ve­jou Ar­nal­do Fa­ria de Sá (PTB-SP).

Te­mer atu­ou pes­so­al­men­te pe­la apro­va­ção e dis­pa­rou te­le­fo­ne­mas aos in­de­ci­sos. Além dis­so, três mi­nis­tros re­as­su­mi­ram o man­da­to pa­ra vo­tar: Bru­no Araú­jo (Ci­da­des), Fer­nan­do Co­e­lho Fi­lho (Mi­nas e Ener­gia), e Marx Bel­trão (Tu­ris­mo). Ação no STF A opo­si­ção che­gou à vo­ta­ção com der­ro­ta na ação apre­sen­ta­da ao STF (Su­pre­mo Tri­bu­nal Fe­de­ral) pe­din­do que a tra­mi­ta­ção da PEC fos­se sus­pen­di­da. “O fa­to de a me­di­da ser po­li­ti­ca­men­te po­lê­mi­ca não a tor­na, só por is­so, in­cons­ti­tu­ci­o­nal”, de­ci­diu o mi­nis­tro Ro­ber­to Bar­ro­so.

Uma no­va ação con­tra o mé­ri­to da pro­pos­ta de­ve ser apre­sen­ta­da ao STF. Ma­ni­fes­ta­ções A ex-pre­si­den­te Dil­ma Rous­seff usou as re­des so­ci­ais pa­ra se po­si­ci­o­nar. “Va­mos re­sis­tir ao mai­or ata­que aos di­rei­tos so­ci­ais da história do país!”, es­cre­veu.

A AMB (As­so­ci­a­ção dos Ma­gis­tra­dos Brasileiros) di­vul­gou no­ta con­tra a PEC. “Par­te da clas­se em­pre­sa­ri­al que so­ne­ga im­pos­tos, frau­da li­ci­ta­ções e usa cai­xa dois deveria ar­car com o cus­to des­sa cri­se, e não a so­ci­e­da­de, não o ser­vi­ço pú­bli­co, a ma­gis­tra­tu­ra.”

O TSE afir­mou, em no­ta, que a me­di­da evi­ta o co­lap­so fi­nan­cei­ro do país no fu­tu­ro.

Em São Pau­lo, ma­ni­fes­tan­tes ocu­pa­ram o pré­dio da Pre­si­dên­cia da Re­pú­bli­ca, na ave­ni­da Pau­lis­ta, e de­pois a pró­pria ave­ni­da em pro­tes­to con­tra a PEC.

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