PA­RA SEM­PRE

Ca­pi­tão do Tri que eter­ni­zou o ges­to de bei­jar a ta­ça de cam­peão do mun­do, Car­los Al­ber­to Tor­res mor­re após in­far­to aos 72 anos no Rio

Metro Brazil (ABC) - - Front Page -

A eter­ni­da­de che­gou pa­ra Car­los Al­ber­to Tor­res an­tes mes­mo de sua mor­te, on­tem, aos 72 anos, ví­ti­ma de um in­far­to. Ca­pi­tão da Se­le­ção Bra­si­lei­ra na Co­pa de 1970, no Mé­xi­co, ele trou­xe de­fi­ni­ti­va­men­te a ta­ça Ju­les Ri­met pa­ra o país – tro­féu da­do pe­la Fi­fa ao pri­mei­ro tri­cam­peão mun­di­al e que se­ria rou­ba­do da CBF em de­zem­bro de 1983.

Nin­guém es­que­ce os mi­nu­tos que an­te­ce­de­ram a pre­mi­a­ção no es­tá­dio Az­te­ca, na Ci­da­de do Mé­xi­co. Já no fim da par­ti­da, o en­tão la­te­ral-di­rei­to do San­tos fe­chou a go­le­a­da de 4 a 1 so­bre a Itália ao com­ple­tar o pas­se de Pe­lé, seu com­pa­nhei­ro de clu­be, com um chu­te for­te e cer­tei­ro. Ain­da com par­ti­ci­pa­ção de Ger­son, Clo­do­al­do, Ri­ve­li­no e Jair­zi­nho, o gol é re­pe­ti­do à exaus­tão até ho­je em qu­al­quer can­to do mun­do on­de a cul­tu­ra do futebol exis­ta.

“Só qu­e­ria que o ár­bi­tro ter­mi­nas­se o jo­go. Mas, quan- do vi que o meu la­do es­ta­va aber­to, dei tu­do que ti­nha de ener­gia na­que­le sprint de 50 me­tros e con­se­gui mar­car o gol”, ex­pli­cou o Capita ao si­te da Fi­fa, em maio de 2014.

Foi um dos no­ve gols que mar­cou com a Se­le­ção. Ao to­do, fo­ram 69 par­ti­das com a Ama­re­li­nha. Dos cin­co ca­pi­tães bra­si­lei­ros que já le­van­ta­ram uma ta­ça de Cam­peão do Mun­do, só es­tão vi­vos Dun­ga (1994) e Ca­fu (2002). Mau­ro (1962) mor­reu em 2002 e Bel­li­ni (1958), em 2014.

Tor­res ain­da fez mais ao lon­go de sua vi­to­ri­o­sa car­rei­ra. Co­me­çou no seu ti­me do co­ra­ção, o Flu­mi­nen­se, em 1963, de on­de saiu pa­ra jo­gar no San­tos – ao la­do de Pe­pe, Zi­to, Pe­lé, Clo­do­al­do e ou­tras fe­ras. Fo­ram cin­co tí­tu­los pau­lis­tas, dois bra­si­lei­ros e um tor­neio Rio-São Pau­lo com a ca­mi­sa do Pei­xe. Ain­da pas­sou pe­lo Bo­ta­fo­go, Fla­men­go e se aven­tu­rou nos EUA, jo­gan­do pe­lo Ca­li­fór­nia Surf e New York Cos­mos – on­de re­e­di­tou a par­ce­ria com o Rei do futebol an­tes de en­cer­rar a car­rei­ra. “Tris­te com a mor­te do meu ami­go e ir­mão Car­los Al­ber­to, nos­so que­ri­do ‘Capita’, lem­bran­do dos tem­pos que es­ti­ve­mos jun­tos no San­tos, na Se­le­ção e no Cos­mos, for­man­do uma par­ce­ria ven­ce­do­ra”, es­cre­veu Pe­lé.

Co­mo trei­na­dor, ga­nhou o Bra­si­lei­ro de 1983 com o Fla­men­go; a Con­me­bol de 1993 pe­lo Bo­ta­fo­go; e o Ca­ri­o­ca de 1984 pe­lo Flu­mi­nen­se. Che­gou a se ele­ger ve­re­a­dor pe­lo Rio de 1989 a 1993. Tra­ba­lha­va atu­al­men­te co­mo um dos co­men­ta­ris­tas do SporTV.

Car­los Al­ber­to Tor­res bei­ja a atu­al ta­ça da Co­pa do Mun­do. A de 1970, Ju­les Ri­met, foi rou­ba­da em 1983

Mau­ro, Tor­res e Bel­li­ni: os três ca­pi­tães que já mor­re­ram

JU­LIO CALMON

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