DO­MIN­GOS OLI­VEI­RA ‘ESTOU PRODUZINDO BEM’

Di­re­tor e ro­tei­ris­ta de ‘BR 716’, que es­tre­ou on­tem nos ci­ne­mas, fa­la so­bre o no­vo fil­me e diz que es­tá se re­con­ci­li­an­do ca­da vez mais com a vi­da en­quan­to lu­ta con­tra o mal de Par­kin­son

Metro Brazil (ABC) - - Cultura - MARIANA PROCÓPIO/ BAND

É pre­ci­so pres­tar aten­ção pa­ra en­ten­der Do­min­gos Oli­vei­ra. Não ape­nas pe­la fa­la rá­pi­da que ten­ta acom­pa­nhar o pen­sa­men­to fre­né­ti­co, mas prin­ci­pal­men­te pe­lo ca­os or­ga­ni­za­do que pa­re­ce sair de ca­da fra­se ge­ni­al. E é des­sa for­ma que ele di­ri­giu o no­vo lon­ga “BR 716”, que es­tre­ou on­tem nos ci­ne­mas na­ci­o­nais.

A pro­du­ção, que ga­nhou três prê­mi­os no Fes­ti­val de Gra­ma­do – me­lhor fil­me, di­re­ção e atriz co­ad­ju­van­te -–, foi to­do di­ta­do por Do­min­gos, que lu­ta con­tra o mal de Par­kin­son, do­en­ça que o im­pe­de de di­gi­tar os tex­tos, mas não de cri­ar. Con­fi­ra en­tre­vis­ta.

Co­mo sur­giu o fil­me?

To­dos os meus fil­mes são au­to­bi­o­grá­fi­cos. Des­de me­ni­no, cos­tu­mo fil­mar to­das as fa­ses im­por­tan­tes da mi­nha vi­da, de­se­nhar a mim mes­mo. Quan­do eu me se­pa­rei da mi­nha pri­mei­ra mu­lher, era um ga­ro­to, ir­res­pon­sá­vel, fi­quei mui­to cha­te­a­do, e be­bi o apar­ta­men­to. Gas­tei tu­do. Be­bia dois di­as e dor­mia um. Lá em ca­sa, era por­tas aber­ta to­das as noi­tes, vi­via a vi­da em gru­po, com ami­gos que pro­cu­ram o amor eter­no, sem ne­nhu­ma cau­te­la. Di­go que foi um fil­me di­fí­cil de fa­zer, por­que eu não lem­bro di­rei­to das his­tó­ri­as, eu es­ta­va bê­ba­do [ri­sos]. Não sei se é fil­ma­ço, mas a gen­te faz sem­pre com o mes­mo gos­to e es­pí­ri­to. Pa­re­ce ser um fil­me ale­gre, co­mo­ven­te e ver­da­dei­ro. O que espera da exi­bi­ção em gran­de cir­cui­to? Sou­be que há 200 fil­mes bra­si­lei­ros nas ga­ve­tas, que po­dem ser jo­ga­dos fo­ra. É um ab­sur­do, pro­va do fra­cas­so da po­lí­ti­ca nos úl­ti­mos 10 anos. Não se con­se­gue exi­bir fil­mes. Só os pi­o­res são exi­bi­dos. Eu sou e sem­pre fui po­lí­ti­co, acor­do len­do o jor­nal. Mas nun­ca achei que a po­lí­ti­ca fos­se um ne­gó­cio con­tra.

E so­bre os 80 anos de vi­da?

Di­zem que é o in­fi­ni­to em pé. Estou me re­con­ci­li­an­do ca­da dia mais com a ida­de, com a re­a­li­da­de de que a vi­da é fi­ni­ta. A mor­te per­deu o sen­ti­do poé­ti­co. Estou produzindo bem, te­nho uma do­en­ci­nha que me atra­pa­lha de ba­ter a má­qui­na, te­nho vá­ri­as se­cre­tá­ri­as. Mas te­nho uma sau­da­de enor­me de pe­gar a má­qui­na de es­cre­ver às 8h. Ago­ra é di­fe­ren­te, o pes­so­al olha pa­ra mim às 9h e per­gun­ta o que te­nho a di­zer. A ve­lhi­ce me­xe com o cor­po, mas não com a ca­be­ça. Me sin­to mais in­te­li­gen­te. Me ar­re­pen­do de tu­do na mi­nha vi­da: fa­ria tu­do igual, mas de uma ma­nei­ra mui­to me­lhor [ri­sos].

MARCELLO DI­AS/FUTURA PRESS

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Sophie Char­lot­te em ce­na de ‘BR 716’

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