JO­SÉ LUIZ DATENA PROI­BI­DO FI­CAR VE­LHO

Metro Brazil (ABC) - - Foco - JO­SE.DATENA @METROJORNAL.COM.BR

Po­de não pa­re­cer, mas no Brasil é proi­bi­do en­ve­lhe­cer, se apo­sen­tar.

Na mai­o­ria dos paí­ses do mun­do, ter o ros­to mar­ca­do pe­las ru­gas do tra­ba­lho sig­ni­fi­ca ter cons­truí­do par­te da his­tó­ria do seu po­vo. Vo­cê é res­pei­ta­do co­mo ci­da­dão sá­bio que co­lo­cou um ti­jo­li­nho no edi­fí­cio da sua na­ção.

Aqui o go­ver­no te vê co­mo es­tor­vo e, em vez de ga­nhar um prê­mio pe­los ser­vi­ços pres­ta­dos, te dão uma es­mo­la cha­ma­da apo­sen­ta­do­ria, que se usar pa­ra co­mer não tem di­nhei­ro pa­ra com­prar re­mé­dio. Aliás é proi­bi­do fi­car do­en­te. Ve­lho no sis­te­ma pú­bli­co de saú­de é cai­xão.

Quan­do fa­zia es­por­tes com o Luciano do Val­le, vi­a­jei o mun­do in­tei­ro com uma equi­pe fan­tás­ti­ca e no­ta­va gru­pos de pes­so­as de vá­ri­as na­ci­o­na­li­da­des, for­ma­dos por apo­sen­ta­dos que, re­co­nhe­ci­da sua im­por­tân­cia, po­di­am na sua ve­lhi­ce fa­zer tu­ris­mo pe­lo pla­ne­ta com o pa­tro­cí­nio de seus paí­ses de ori­gem.

Aqui apo­sen­ta­do nem no trans­por­te co­le­ti­vo é res­pei­ta­do. Quan­tos não fi­cam em pé en­quan­to jo­vens fin­gem es­tar dor­min­do no con­for­to do ban­co.

Quan­do fa­lam em me­lho­rar o ren­di­men­to do ve­lhi­nho, ar­gu­men­tam que a Pre­vi­dên­cia vai que­brar. O que que­bra a Pre­vi­dên­cia não é tra­ba­lha­dor co­mum, mas as apo­sen­ta­do­ri­as in­cha­das dos ma­ra­jás de sem­pre ou os gol­pis­tas que me­tem a mão no di­nhei­ro pú­bli­co.

Es­te é um país em que não se po­de en­ve­lhe­cer sem um mí­ni­mo de di­nhei­ro e mes­mo as­sim se guar­dar além do li­mi­te é pe­ri­go­so a fa­mí­lia dar o bo­te no que vo­cê guar­dou a vi­da in­tei­ra e, cla­ro, dar uma pas­sa­gem só de ida pa­ra a ca­sa de re­pou­so, que na­da mais é que asi­lo mes­mo, só que de ri­co.

Di­zem que não de­ve­mos te­mer o fu­tu­ro, vi­ver sem­pre o pre­sen­te, mas se o in­far­to não te sal­var de vi­ver mais nes­te lu­gar, bem que po­de­ria ser um fil­me de ter­ror e da­que­les que te fa­zem acor­dar a noi­te su­a­do de pe­sa­de­lo.

Mais que as do­res da ve­lhi­ce, ma­chu­ca o des­ca­so, ma­chu­ca o es­que­ci­men­to, ma­chu­ca o aban­do­no. O cho­ro so­li­tá­rio de lá­gri­mas qua­se se­cas co­mo os ri­os do ári­do ser­tão. Mas não es­que­ça meu jovem que lê es­sas trê­mu­las pa­la­vras: um dia nos en­con­tra­mos lá. Na ve­lhi­ce.

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