LINN DA QUEBRADA

Can­to­ra tran­se­xu­al é uma das atra­ções prin­ci­pais do Fes­ti­val CoMA, que co­me­ça ama­nhã, e tam­bém es­ta­rá no Fes­ti­val de Brasília de ci­ne­ma. Tan­to na mú­si­ca quan­to no au­di­o­vi­su­al, a men­sa­gem de­la é a mes­ma: de lu­ta

Metro Brazil (Brasilia) - - CULTURA - BRU­NO BUCIS METRO BRASÍLIA

“QUE QUEM ME OUÇA SE PERMITA”

Ter­ro­ris­ta de gê­ne­ro. É as­sim que a can­to­ra, atriz e per­for­mer Linn da Quebrada, 28, se de­fi­ne. Ela fa­la ao Metro Jor­nal so­bre seu dis­co mais re­cen­te, “Pa­ju­bá” (2017), so­bre o show que fa­rá em Brasília, no do­min­go, du­ran­te o Fes­ti­val CoMA, e tam­bém so­bre o fil­me “Bi­xa Tra­vesty”(2018), que fa­la so­bre sua car­rei­ra e se­rá um dos lon­gas da mos­tra com­pe­ti­ti­va do Fes­ti­val de Brasília do Ci­ne­ma Bra­si­lei­ro (leia mais na pá­gi­na 11).

Sua mú­si­ca tra­ta de te­mas du­ros, co­mo o pre­con­cei­to aos LGBTQ. Co­mo é a re­cep­ti­vi­da­de do pú­bli­co?

Eu fa­lo o que eu pre­ci­so di­zer, fa­lo por­que pre­ci­so ser ou­vi­da, pre­ci­so des­sa fer­ra­men­ta pa­ra me co­nec­tar com as ou­tras pes­so­as. Mas pa­ra mim a re­cep­ção é que faz is­so ma­ra­vi­lho­so. É im­por­tan­te o que eu di­go pe­lo con­tex­to, pe­la atu­a­ção po­lí­ti­ca da mi­nha mú­si­ca, mas tam­bém por­que tem gen­te ou­vin­do. Mú­si­ca não se faz so­zi­nha, o po­der de uma can­ção es­tá em to­das as his­tó­ri­as de to­das as pes­so­as que ela abra­ça. En­quan­to eu pre­ci­sar trans­for­mar meu cor­po e meu pen­sa­men­to nes­sas can­ções e en­quan­to is­so for um abra­ço, eu si­go fa­zen­do.

O “Pa­ju­bá”, seu CD de es­treia, es­tá com­ple­tan­do um ano. Co­mo vo­cê ava­lia es­sa tre­je­tó­ria do ál­bum?

Quem se dis­po­ni­bi­li­za a ou­vir, se co­nec­ta com o meu tra­ba­lho. O que é im­por­tan­te pa­ra mim não é a quan­tos che­ga a mú­si­ca, mas a quem che­ga, e que em quem che­ga que atra­ves­se, que fa­ça pen­sar, que quem me ouça se permita, que se ques­ti­o­ne so­bre si, so­bre o mun­do. Mi­nha mú­si­ca não é o fim, é o co­me­ço. Tu­do que nós te­mos con­quis­ta­do com “Pa­ju­bá” é mé­ri­to de um con­jun­to.

E vo­cê se apre­sen­ta aqui em um fes­ti­val...

Eu amo fes­ti­vais! Eles são co­mo o olho do fu­ra­cão, re­che­a­dos de ar­tis­tas mui­to in­te­res­san­tes se con­ta­mi­nan­do de idei­as. São inú­me­ras as pos­si­bi­li­da­des que po­dem sair daí. Eu es­tou su­pe­ran­si­o­sa, são mui­tos ar­tis­tas que eu ad­mi­ro, e tem es­se apren­di­za­do de to­car pa­ra pú­bli­cos que po­dem não es­tar ali por vo­cê, mas que do na­da se co­nec­tam nes­sa re­la­ção má­gi­ca pal­co-pú­bli­co.

E vo­cê ain­da vol­ta a Brasília com a es­treia do fil­me que vo­cê pro­ta­go­ni­za. An­si­o­sa?

Mui­to! Eu me en­tre­go a to­das as coi­sas que eu fa­ço. O fil­me “Bi­xa Tra­vesty” foi fei­to jun­to com o CD “Pa­ju­bá”, as du­as coi­sas se com­ple­men­tam, de­ba­tem as mes­mas in­qui­e­ta­ções que são um pro­ces­so vi­vo pa­ra mim. É um fil­me mui­to ín­ti­mo e ao mes­mo tem­po é ex­tre­ma­men­te po­lí­ti­co. Mais que fic­ci­o­nal, é um fil­me fric­ci­o­nal en­tre re­a­li­da­de e do­cu­men­to. Fic­ci­o­nal e fre­ak, co­mo é mi­nha mú­si­ca. Quem gos­ta de me ou­vir vai gos­tar de me ver.

NU ABE/DIVULGAÇÃO

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