Ce­mi­té­rio do Ale­crim, o mais an­ti­go de Na­tal

Novo Jornal - - Cotidiano -

O dia 2 de No­vem­bro recorda àque­les que já se fo­ram, mas tam­bém à me­mó­ria de Na­tal. O mais an­ti­go ce­mi­té­rio em fun­ci­o­na­men­to da ca­pi­tal, o Ce­mi­té­rio do Ale­crim, pos­sui em su­as alas gran­des per­so­na­li­da­des do Rio Grande do Nor­te. Luís da Câ­ma­ra Cas­cu­do, os po­e­tas Hen­ri­que Cas­tri­ci­a­no e Au­ta de Sou­za, além do primeiro go­ver­na­dor do Es­ta­do, Pe­dro Ve­lho de Al­bu­quer­que Ma­ra­nhão, são al­guns dos nomes fa­mo­sos se­pul­ta­dos no lo­cal.

O Ce­mi­té­rio do Ale­crim foi construído em 1856, pe­lo pre­si­den­te da Pro­vín­cia, Antô­nio Bernardo de Pas­sos. En­tre as his­tó­ri­as que ex­pli­cam a cons­tru­ção do es­pa­ço, du­as se des­ta­cam. A pri­mei­ra re­fe­re-se a um sur­to de có­le­ra e a ne­ces­si­da­de de um lo­cal para en­ter­rar aque­les que não re­sis­ti­ram à do­en­ça. A se­gun­da se­ria por ‘segurança,’ pois bo­a­tos da épo­ca di­zi­am que o primeiro ce­mi­té­rio de Na­tal, o das Ro­cas, es­ta­va as­som­bra­do. Des­ta forma, foi de­ter­mi­na­do que os no­vos tú­mu­los fi­cas­sem o mais afas­ta­do possível da ci­da­de.

Ao lon­go de seus 161 anos, o Ce­mi­té­rio do Ale­crim guar­dou his­tó­ri­as de per­so­na­li­da­des e anô­ni­mos. Seus 10.900 tú­mu­los são di­fe­ren­ci­a­dos por su­as sin­gu­la­ri­da­des ar­qui­tetô­ni­cas e a história por trás de ca­da um en­ter­ra­do. Em uma de su­as 18 qua­dras, há uma área de­di­ca­da ex­clu­si­va­men­te aos ju­deus que mo­ra­vam em Na­tal no início do sé­cu­lo 20. Três ex-com­ba­ten­tes da 2ª Gu­er­ra Mundial - um aus­tría­co, um in­glês e um aus­tra­li­a­no - tam­bém es­tão en­ter­ra­dos lá. Por sua im­por­tân­cia, o Ce­mi­té­rio do Ale­crim foi tom­ba­do co­mo Pa­trimô­nio His­tó­ri­co e Cul­tu­ral de Na­tal em 2011.

Atu­al­men­te o Ce­mi­té­rio do Ale­crim é ad­mi­nis­tra­do por Fran­cis­co Um­be­li­no de Mou­ra Fi­lho. Com 35 anos de atu­a­ção no se­tor de ce­mi­té­rio, Um­be­li­no de Mou­ra tem apro­xi­ma­da­men­te 14 anos de ser­vi­ço só no Ale­crim. Ele pas­sou ain­da por ou­tros seis ce­mi­té­ri­os da ci­da­de: Bom Pas­tor I, Bom Pas­tor II, Par­que dos Co­quei­ros, Pa­ju­ça­ra, Re­di­nha, No­va Des­co­ber­ta e Ale­crim. “Não tem can­to mais tran­qui­lo. Nun­ca vi na­da, nun­ca acon­te­ceu na­da. A úni­ca coi­sa inu­si­ta­da que te­ve em todos es­ses anos, foi quan­do um ta­xis­ta con­fun­diu um co­vei­ro que mo­ra­va aqui com uma al­ma pe­na­da”, re­la­ta.

Por mais que se­ja um en­te que já se foi, a gen­te tem que dar um mínimo de con­for­to para es­se re­en­con­tro” Ira­poã Nó­bre­ga Se­cre­tá­rio ad­jun­to de Ser­vi­ços Ur­ba­nos

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