DEDO DE PROSA

O Diario do Norte do Parana - - AGRONEGÓCIO -

Fa­zen­do água

Um ba­lan­ço do de­sem­pe­nho das com­mo­di­ti­es agrí­co­las em no­vem­bro mos­tra que o ca­fé foi, dis­pa­ra­do, o que mais per­deu. No pla­no in­ter­na­ci­o­nal, a co­ta­ção do pro­du­to “en­co­lheu” 8,6% no mês e acu­mu­la uma que­da de 31,6% no ano.

O que ex­pli­ca?

Os es­pe­ci­a­lis­tas de mer­ca­do di­zem que as nu­vens an­dam es­cu­ras pa­ra o ca­fé e o su­co de la­ran­ja, em es­pe­ci­al, por­que a fra­gi­li­za­da eco­no­mia glo­bal tem de­sa­ce­le­ra­do a de­man­da. O pre­ço do su­co su­biu 3% em no­vem­bro, mas ao lon­go do ano a san­gria é de 30%.

E tem mais

A cur­va des­cen­den­te vi­rou, tam­bém, pa­ra o la­do do açú­car, cu­jo pre­ço, em 12 me­ses, acu­mu­la que­da de qua­se 20%. No­vem­bro re­gis­trou, ain­da, co­ta­ções ne­ga­ti­vas pa­ra a so­ja (-6,3%), mi­lho (-1%) e tri­go (-0,2%).

Es­pi­ral de que­da

Fábio Sil­vei­ra, es­pe­ci­a­lis­ta em mer­ca­do da RC Con­sul­to­res, diz que os pre­ços das com­mo­di­ti­es já atin­gi­ram seu pi­co e de­vem mes­mo en­trar em uma vo­lá­til es­pi­ral de que­da não só nos pró­xi­mos me­ses, mas nos pró­xi­mos anos.

De­man­da me­nor

Se­gun­do Sil­vei­ra, as com­mo­di­ti­es agrí­co­las ten­dem a se ajus­tar a um ce­ná­rio de me­nor cres­ci­men­to econô­mi­co mun­di­al, com os paí­ses de­sen­vol­vi­dos pra­ti­ca­men­te es­tag­na­dos des­de a crise de 2008 e tam­bém por con­ta do freio chi­nês.

Na­da é de­fi­ni­ti­vo

To­da es­sa si­tu­a­ção pes­si­mis­ta po­de mu­dar, en­tre­tan­to, se o cli­ma per­sis­tir tão ir­re­gu­lar, co­mo vem acon­te­cen­do, nes­ta sa­fra de grãos 2012/13 na Amé­ri­ca do Sul. Es­tá ha­ven­do má-dis­tri­bui­ção de chu­vas, so­ma­da a um ca­lor in­ten­so, si­tu­a­ção que po­de co­me­çar a pre­ju­di­car as la­vou­ras nas pró­xi­mas se­ma­nas. Es­se fa­tor, so­ma­do aos bai­xos es­to­ques glo­bais, tem um efei­to ex­plo­si­vo.

Acen­der o aler­ta

Des­de o pre­ço má­xi­mo atin­gi­do no dia 5 de se­tem­bro, a co­ta­ção da so­ja já caiu mais de 13% por­que o mer­ca­do ain­da não re­co­nhe­ce que o cli­ma ir­re­gu­lar po­de es­tar pre­ju­di­can­do as la­vou­ras em mui­tas re­giões pro­du­to­ras. Fa­la-se, até com uma cer­ta in­sis­tên­cia, em uma su­per­sa­fra.

Pre­vi­sões pre­o­cu­pan­tes

Mas bas­ta uma con­ver­sa com os me­te­o­ro­lo­gis­tas pa­ra se fi­car pre­o­cu­pa­do. Luiz Renato La­zins­ki, ti­tu­lar do Instituto Na­ci­o­nal de Me­te­o­ro­lo­gia e um dos mais res­pei­ta­dos, ga­ran­te: es­se qua­dro de neu­tra­li­da­de cli­má­ti­ca – sem a pre­sen­ça de um dos fenô­me­nos La Niña e El Niño - vai con­ti­nu­ar até o fi­nal da sa­fra. E diz com to­das as le­tras: po­dem vir ve­ra­ni­cos em de­zem­bro e ja­nei­ro, me­ses em que as plan­tas de­pen­dem de chu­vas pa­ra o en­chi­men­to dos grãos.

En­ve­lhe­ci­men­to

O rit­mo de en­ve­lhe­ci­men­to da po­pu­la­ção bra­si­lei­ra es­tá aci­ma da mé­dia mun­di­al. É o que mos­tra a Sín­te­se de In­di­ca­do­res So­ci­ais, aná­li­se do Instituto Bra­si­lei­ro de Ge­o­gra­fia e Es­ta­tís­ti­ca ( IBGE) so­bre as con­di­ções de vi­da da po­pu­la­ção bra­si­lei­ra, di­vul­ga­da na úl­ti­ma se­ma­na.

No cam­po

A mai­or par­te dos agri­cul­to­res bra­si­lei­ros tem ida­de aci­ma de 50 anos, uma fa­se da vi­da em que, pa­ra mui­tos, é mais di­fí­cil ab­sor­ver no­vos co­nhe­ci­men­tos e tec­no­lo­gi­as - in­dis­pen­sá­veis pa­ra que se man­te­nham com­pe­ti­ti­vos.

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