RO­DRI­GO PAR­RA

ATEN­ÇÃO: TEX­TO AL­TA­MEN­TE SUB­VER­SI­VO

O Diario do Norte do Parana - - ESPORTES -

Que me des­cul­pem os lei­to­res de Ro­dri­go Par­ra* (se é que ele os têm). Mas, ho­je e se­ma­na que vem, es­se es­pa­ço é da fa­ve­la. Salve, Ma­lo­ca. É nóis, ma­no. Tá frio pa­cas (ó aí a lem­bran­ça da ‘nos­sa ca­sa’ em sam­pa) aqui no Ja­pão. Tá cain­do até ne­ve, ma­lu­co. Mas, dá na­da não, aqui é Cu­rín­tia, e va­le tudo pe­lo Ti­mão. Tá meio com­pli­ca­da a si­tu­a­ção. Os ma­no da­qui fa­la­ram que era pra nóis in­va­di é nóis veio. Ago­ra, ma­no, os ca­ra tão ten­do que se vi­rá. As ‘ca­sa’ aqui é mui­to pe­que­na e, co­mo a mai­o­ria da ga­le­ra veio no es­que­ma, tá ten­do re­ve­za­men­to pra dor­mir. Dá na­da, não. Nóis já co­nhe­ce o es­que­ma. É as­sim nas ca­na da vi­da, dá na­da não. Ôtra coi­sa mui­to doi­da aqui é as lu­zi­nha. Veí, na boa, os ga­to aqui de­ve sê ner­vo­so, por­que, fa­la sé­rio, pa­gá a con­ta des­se mon­te de lu­zi­nha ace­sa de­ve sê mo­le não. Tem até umas te­vê gran­do­na na rua. Nem pre­ci­sa fa­zê ga­to­net pra vê o Ti­mão, ma­lu­co. E as lo­ja! Meu, pros ma­no que pi­ra na tec­no­lo­gia, é over­do­se. O po­bre­ma, ma­lu­co, é que num ro­la um ca­melô, véi. En­tão, se li­ga, é tudo ori­gi­nal. Aí, tu já sa­be co­mo é que é. Sem os pi­ra­ta, não tem in­clu­são di­gi­tal. Nem per­di tem­po. Te­nho mai­or vi­são pros ne­gó­cio. Já dei as le­tra pros ma­no em Sam­pa e a ideia é fi­car por aqui, mon­tar uma ban­ca, só re­ce­ben­do as mer­ca­do­ria da 25 de Mar­ço. O frio nem tem vez. Tão fa­lan­do aí que vai fi­ca com­pri­ca­do pros jo­gadô, es­sas coi­sas … Mai­or caô. Nem nóis tá pas­san­do frio, ma­lu­co. Aqui é Fi­el. É to­do mun­do jun­to na mes­ma vi­be. Já tô até fa­lan­do pa­la­vra em in­glês. Es­se lan­ce de ne­ve e frio não va­le pro Co­rin­gão. Va­mo in­va­di o es­tá­dio e o ba­fo do nos­so gri­to vai fa­zê a ne­ve su­bi, vai va­zá, ma­lu­co. O Ti­mão vai é fi­car com calô de tan­to que a nóis vai gri­tá. Os ja­pa vai pi­rá e vai tudo vim jun­to. Sa­be co­mo é que é, né. Tem o Cu­rín­tia em cam­po e a Fi­el na ar­qui­ban­ca­da. Com nóis é as­sim. Um in­gres­so va­le dois show, um em cam­po, ôtro na ar­qui­ban­ca­da. O Mon­te Fu­ji é nos­so, só fal­ta sa­ber co­mo le­var. A mai­or com­pri­ca­ção mes­mo tá sen­do a co­mi­da. Se não der cer­to mon­tar mi­nha bar­ra­ca, vô vol­tá pro Bra­sil e, sain­do do ae­ro­por­to, já vô direto pro Pro­con. Vô de­nun­ciá tudo os res­tau­ran­te de co­mi­da ja­po­ne­sa que eu le­vo a pa­troa e as cri­an­ça. A co­mi­da ja­po­ne­sa do Bra­sil é uma be­le­za, só que aqui nas ja­pa é tudo di­fe­ren­te. Mes­mo as­sim nóis tá pi­ran­do, véi. Sa­be co­mo nóis tá es­co­lhen­do os res­tau­ran­te? Er­rou, né pe­lo pre­ço não, seu mão de va­ca. Nóis es­co­lhe res­tau­ran­te é pe­lo car­dá­pio, ma­lu­co. Sa­be co­mo é que né. Nóis só en­tra nos que tem fo­to, aí, bo­ta o dedo e mos­tra qu­a­lé. Nóis é fo­da, ma­lu­co. Nóis pi­ra, ma­no. Vai Co­rinthi­ans. Pi­or que a co­mi­da só mes­mo a sau­da­de. Sau­da­de re­ga­da a agra­de­ci­men­to. Se não fos­se mi­nha Magrela, mi­nha pa­troa, eu não ta­va aqui não. Afi­nal de contas, che­gá aqui não foi fá­cil. Ven­di o que ti­nha e o que não ti­nha pra che­gá na ter­ra do sol nas­cen­te. Fo­ra as con­ta que não vô pa­gá e que vai dar B.O., mas dá na­da não, aqui é Ti­mão, e ela sa­be o quan­to a amo, a ela e as me­ni­nas, meus amo­res. Os an­ti lá da que­bra­da acham que eu tô ma­lu­co. Um de­les chegô e dis­se; “e se o Co­rinthi­ans per­dê?” Fi­quei sem sa­ber o que di­zer. Na ver­da­de, não en­ten­di e per­gun­ta. Eu vim amar mais uma vez, dei­tá ins­pi­ra­do pra lu­ta no cam­po de ba­ta­lha. Vim pra mor­rê. Vim pra de­fen­dê o meu amor, mi­nha vi­da, mi­nha his­tó­ria. VAI CO­RINTHI­ANS por­ra, que o res­to é es­tó­ria.

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