Aos 92, mor­re Ra­vi Shan­kar

O Diario do Norte do Parana - - O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ - Ro­ber­to Nas­ci­men­to

Ra­vi Shan­kar, o mes­tre da cí­ta­ra res­pon­sá­vel pe­la po­pu­la­ri­za­ção da mú­si­ca clás­si­ca in­di­a­na no Oci­den­te, morreu an­te­on­tem, aos 92 anos, em um hos­pi­tal, em San Di­e­go, Ca­li­fór­nia. De acor­do com fa­mi­li­a­res, o mú­si­co so­fria de pro­ble­mas res­pi­ra­tó­ri­os e ha­via fei­to ci­rur­gia pa­ra subs­ti­tuir uma vál­vu­la car­día­ca. “In­fe­liz­men­te, ape­sar do es­for­ço de ci­rur­giões e mé­di­cos, seu cor­po não aguen­tou. Es­tá­va­mos ao seu la­do quan­do morreu”, dis­se­ram, à Reuters, sua mu­lher, Su­kanya e sua fi­lha, Anoush­ka.

O mú­si­co mo­ra­va na Ín­dia e nos EUA, e além de Anoush­ka, com qu­em to­ca­va, era pai da can­to­ra No­rah Jo­nes, que can­ce­lou a tur­nê pe­lo Bra­sil (ela fa­ria shows em Porto Alegre, São Pau­lo e Rio de Ja­nei­ro).

Por in­ter­mé­dio de co­la­bo­ra­ções com ro­quei­ros, eru­di­tos e mú­si­cos de jazz, Shan­kar tor­nou-se o ‘em­bai­xa­dor da cí­ta­ra’ pe­lo mun­do, a par­tir dos anos 60. Seu vir­tu­o­sis­mo in­cor­po­rou a com­ple­xa es­co­la me­ló­di­ca e rit­ma do eru­di­to in­di­a­no à tra­di­ção oci­den­tal. Su­as tur­nês pro­pa­ga­ram os me­di­ta­ti­vos im­pro­vi­sos do gê­ne­ro en­tre o mo­vi­men­to hip­pie ses­sen­tis­ta. Era cha­ma­do de “pa­dri­nho da world mu­sic”, por Ge­or­ge Har­ri­son, seu fa­mo­so pu­pi­lo, cu­jo in­te­res­se pe­la cí­ta­ra, em 1965, aju­dou a abrir as por­tas do Oci­den­te a Shan­kar.

Su­as co­la­bo­ra­ções com o vi­o­li­nis­ta Yehu­di Me­nuhin, com qu­em gra­vou três dis­cos, fo­ram igual­men­te im­por­tan­tes, ao fa­ze­rem uma pon­te en­tre a tra­di­ções eru­di­tas. Sua ami­za­de com Har­ri­son foi res­pon­sá­vel pe­la sua es­ca­la­ção pa­ra o fes­ti­val de Mon­ter­rey, em 1967, épo­ca em que já era co­nhe­ci­do en­tre um mo­vi­men­to que abra­çou as filosofias de seu país. To­cou tam­bém em Wo­ods­tock, em 1969, e no con­cer­to pa­ra Ban­gla­desh, de 1972.

Seu ins­tru­men­to, a cí­ta­ra, é fei­to de uma pe­que­na câ­ma­ra de res­so­nân­cia, aco­pla­da a um bra­ço, co­mo um alaú­de. As me- lo­di­as mi­cro­to­nais do sis­te­ma in­di­a­no, que pos­sui um nú­me­ro mai­or de in­ter­va­los do que o sis­te­ma oci­den­tal, são to­ca­das por seis cor­das, e am­pa­ra­das por ou­tras 25, que res­so­am li­vre­men­te pe­lo cor­po do ins­tru­men­to. Os im­pro­vi­sos são fei­tos so­bre ra­gas, a for­ma cí­cli­ca de me­lo­di­as e rit­mos so­bre a qual é sus­ten­ta­do o re­per­tó­rio in­di­a­no.

Shan­kar era adep­to da mis­tu­ra, e su­as po­li­ni­za­ções en­tre es­ti­los pre­co­ni­za­ram a ex­plo­são da world mu­sic, nos anos 80. Nos anos 60, o mú­si­co co­la­bo­rou com John Col­tra­ne, com qu­em en­con­trou di­ver­sas ve­zes pa­ra lhe en­si­nar os prin­cí­pi­os rit­mos e me­ló­di­cos das ra­gas. Col­tra­ne ba­ti­zou seu fi­lho de Ra­vi.

Mú­si­co pre­mi­a­do

Shan­kar ven­ceu três Grammy´s e foi ho­me­na­ge­a­do vá­ri­as ve­zes ao lon­go de sua car­rei­ra. Re­ce­beu a Or­dem do Im­pé­rio Bri­tâ­ni­co, da Rai­nha Eli­za­be­te, o Bha­rat Rat­na in­di­a­no e a Le­gião da Hon­ra fran­ce­sa.

Divulgação

Shan­kar en­si­nou a ar­te da cí­ta­ra pa­ra o be­a­tle Ge­or­ge Har­ri­son

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