MIL­TON RA­VAG­NA­NI

O Diario do Norte do Parana - - REGIÃO -

E se o quociente cair?

Dan­ça das ca­dei­ras

Du­ran­te a ce­rimô­nia de di­plo­ma­ção dos elei­tos, no sá­ba­do, no Ple­ná­rio da Câ­ma­ra Mu­ni­ci­pal, uma ques­tão atra­ves­sa­va a au­di­ên­cia, en­quan­to os dis­cur­sos eram pro­fe­ri­dos: o re­sul­ta­do do jul­ga­men­to do re­cur­so da exe­cu­ti­va es­ta­du­al do Par­ti­do Ver­de (PV) con­tra os atos do di­re­tó­rio mu­ni­ci­pal, que de­ci­diu por can­di­da­tu­ra pró­pria, ocor­ri­do no fim da se­ma­na no Tri­bu­nal Su­pe­ri­or Elei­to­ral (TSE), al­te­ra­ria a com­po­si­ção da Câ­ma­ra? Uma boa per­gun­ta, por si­nal. Co­mo se sa­be, o TSE re­jei­tou o re­cur­so da exe­cu­ti­va es­ta­du­al, re­co­nhe­cen­do le­gí­ti­mos os atos do di­re­tó­rio lo­cal e o lan­ça­men­to da cha­pa pu­ra com Al­ber­to Abraão pa­ra pre­fei­to. Pa­ra qu­em não acom­pa­nhou o in­trin­ca­do pro­ces­so fi­ca di­fí­cil de se cra­var uma opi­nião. Va­mos lá. Pe­la de­ci­são da quin­ta-fei­ra pas­sa­da, só va­leu pa­ra es­tas elei­ções a cha­pa da exe­cu­ti­va mu­ni­ci­pal, a do Al­ber­to Abraão. As­sim, os vo­tos da­dos aos can­di­da­tos a ve­re­a­dor na ou­tra cha­pa, em co­li­ga­ção com o PDT - a que apoi­ou Ênio Ver­ri (PT) - não são vá­li­dos. Não se­rão, por­tan­to, com­pu­ta­dos na for­ma­ção do quociente elei­to­ral. E is­so mu­da al­gu­ma coi­sa no re­sul­ta­do di­vul­ga­do pe­la Jus­ti­ça Elei­to­ral? Até aqui, na­da. Is­so por­que os vo­tos do PV na cha­pa com o PDT já não fo­ram com­pu­ta­dos quan­do da for­ma­ção do qua­dro. Mas, não sig­ni­fi­ca que a coi­sa es­tá en­cer­ra­da. Co­mo o PV co­li­ga­do não ob­te­ve re­co­nhe­ci­men­to do De­mons­tra­ti­vo de Re­gu­la­ri­da­de de Atos Par­ti­dá­ri­os, o DRAP, ca­be a al­gum in­te­res­sa­do ques­ti­o­nar se os vo­tos do PDT, que ca­mi­nhou co­li­ga­do, são vá­li­dos. E, ques­ti­o­nan­do, há uma boa chan­ce de eles se­rem con­si­de­ra­dos nu­los. Is­so por­que se hou­ve co­li­ga­ção com par­ti­do inap­to, to­da a co­li­ga­ção es­tá pre­ju­di­ca­da. E, des­car­tan­do-se os vo­tos do PDT do to­do, o tal quociente cai, al­te­ran­do o re­sul­ta­do das elei­ções. Is­so por­que há par­ti­dos que con­se­gui­ram a se­gun­da va­ga - pe­las so­bras - com uma mar­gem pe­que­na de vo­tos. Cain­do o quociente, ou­tros po­dem atin­gir o li­mi­te mí­ni­mo pa­ra fa­zer uma ca­dei­ra.

Nú­me­ros

Va­mos aos nú­me­ros: fo­ram com­pu­ta­dos 187.907 vo­tos vá­li­dos pa­ra ve­re­a­dor. O que ge­rou um quociente elei­to­ral de 12.527 vo­tos. Ou se­ja, ca­da par­ti­do ou co­li­ga­ção que atin­giu es­se nú­me­ro con­se­guiu fa­zer uma ca­dei­ra. Nas elei­ções des­te ano, qu­em che­gou ali fez du­as, por­que hou­ve so­bras su­fi­ci­en­tes pa­ra to­dos que atin­gi­ram a tal “no­ta de cor­te”. Pois bem: se uma nu­li­da­de al­can­çar os vo­tos do PDT e eles não fo­rem com­pu­ta­dos, o quociente elei­to­ral cai pa­ra 11.766 vo­tos (o PTD fez 11.408 vo­tos). Com o re­bai­xa­men­to do quociente, du­as co­li­ga­ções con­se­gui­rão al­can­çar os vo­tos mí­ni­mos pa­ra fa­zer ca­dei­ras. Uma é ao PHS/PRP e ou­tra a do PSC/PRTB. As­sim, o PSB e o PT per­de­ri­am uma va­ga ca­da. Fi­ca­ri­am de fo­ra Adil­son do Bar e Car­los Ma­riuc­ci. En­tra­ri­am Val­ter Vianna e Aluí­sio Tu­ta. Mas, não é só.

Po­de até ga­nhar...

Co­mo as so­bras fo­ram mui­to aper­ta­das, é pos­sí­vel que a co­li­ga­ção do PP/PSDB tam­bém fos­se atin­gi­da, ge­ran­do - ve­jam só - mais uma va­ga pa­ra a co­li­ga­ção PHS/PRP. Nes­se ca­so, o afor­tu­na­do com a me­xi­da se­ria Alex San­dro Cha­ves. Já Márcia So­crep­pa (PSDB), per­de­ria a va­ga. Pa­ra tan­to, é ne­ces­sá­rio que um pro­ces­so autô­no­mo se ini­cie. Co­mo já es­tão di­plo­ma­dos, os ve­re­a­do­res elei­tos que apa­re­cem nes­te tex­to não têm co­mo se­rem im­pe­di­dos de to­ma­rem pos­se. Co­mo a co­lu­na já dis­se, o di­plo­ma é a exi­gên­cia pa­ra a pos­se. Há uns mais aço­da­dos que se alu­gam com a pos­si­bi­li­da­de de uma me­di­da ju­di­ci­al de úl­ti­ma ho­ra. Bo­ba­gem. Não há me­di­da no mo­men­to que im­pe­ça a pos­se dos di­plo­ma­dos. Não há tem­po. O re­ces­so ju­di­ciá­rio co­me­ça nes­ta quin­ta-fei­ra e não há tem­po se­quer de o co­mu­ni­ca­do ofi­ci­al do re­sul­ta­do da­que­le jul­ga­men­to che­gar à Jus­ti­ça Elei­to­ral, em Ma­rin­gá. E, mes­mo che­gan­do, ain­da há os pra­zos pa­ra re­cur­so que ain­da são pos­sí­veis. Do pon­to de vis­ta pro­ces­su­al, não há o que se fa­zer de con­cre­to es­te ano que al­te­re o ri­to da pos­se que se en­ca­mi­nha. E, em­pos­sa­dos, os ve­re­a­do­res te­rão opor­tu­ni­da­de de se de­fen­de­rem no car­go.

…mas não le­va

O pro­ble­ma pa­ra os que se aven­tu­ra­rem em um pro­ces­so co­mo es­te é que o man­da­to po­de ter­mi­nar sem que ha­ja de­ci­são de­fi­ni­ti­va fa­vo­rá­vel. Mes­mo mais cé­le­re que a jus­ti­ça co­mum, a jus­ti­ça elei­to­ral não é iso­la­da. Ela tam­bém es­tá su­jei­ta a re­cur­sos pa­ra o Su­pre­mo. E lá, com o es­tra­gu­la­men­to da pau­ta, pou­co pro­vá­vel que um pro­ces­so des­ses ter­mi­ne an­tes de ter­mi­na­do o man­da­to.

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