Não-me-to­que

O Diario do Norte do Parana - - O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ -

os pró­pri­os não-me-to­quen­ses es­te­jam dan­do mui­ta bo­la pa­ra a da­ta, o que se­ria um pe­ca­do. Mas não, pre­fi­ro pen­sar que es­ses hon­ra­dos ci­da­dãos fol­guem ho­je em bo­ni­ta fes­ta, con­di­zen­te com a gran­de­za da efe­mé­ri­de. Ah, eu pre­ci­so fa­lar de Não-MeTo­que, se­ria tão in­jus­to es­que­cer os anos de Não-Me-To­que ape­nas por­que ou­tros even­tos con­co­mi­tan­tes mo­vi­men­tam mais gen­tes. Na ver­da­de, de­vo con­fes­sar, que­ria mes­mo era es­tar em Não-Me-To­que. Não de­ve ha­ver me­lhor lu­gar pa­ra fi­car imu­ne às as­pe­re­zas da vi­da do que uma ci­da­de com es­se no­me. Je­sus diz “não me to­ques” a Maria Ma­de­le­na quan­do ela o re­co­nhe­ce após a res­sur­rei­ção – a fra­se é mo­ti­vo de con­tro­vér­sia en­tre es­tu­di­o­sos bí­bli­cos, dis­tin­tas in­ter­pre­ta­ções. Mes­mo a ori­gem do no­me “Não-Me-To­que” pa­ra o mu­ni­cí­pio gaú­cho não é cer­ta, mui­tas his­tó­ri­as dís­pa­res. Eu não me im­por­to, se­ja lá qual a ra­zão pa­ra Não-Me-To­que as­sim ser cha­ma­da, a so­no­ri­da­de me apraz. Há 15 mil pes­so­as em Não-MeTo­que, mas hei de en­con­trar lo­go a me­ni­na mais bo­ni­ta da ci­da­de e pre­sen­teá-la com uma ro­sa ama­re­la. A avó de al­guém sa­be fa­zer mag­ní­fi­cos do­ces em NãoMe-To­que, e co­mo boa an­fi­triã ofe­re­ce­rá qui­tu­tes a es­te vi­si­tan­te, hei de co­mê-los com pra­zer. To­dos an­dam bas­tan­te por lá, há be­los lu­ga­res pa­ra ca­mi­nha­da, de mo­do que não há ne­ces­si­da­de de con­tar as ca­lo­ri­as. Os tor­ce­do­res do Co­rinthi­ans atra­ves­sa­ram sei lá qu­an­tos mil quilô­me­tros pa­ra acom­pa­nhar o ti­me, di­zem que es­tão em to­dos os lu­ga­res do mun­do, mas os fo­gos de ar­ti­fí­cio ba­ru­lhen­tos não che­gam a Não-MeTo­que. Be­la ci­da­de in­vul­ne­rá­vel. Não de­ve ha­ver ci­ne­ma por lá, mas eu pos­so le­var meu acer­vo de fil­mes, con­vi­dar o pes­so­al pa­ra al­gu­mas ses­sões. Se­rei ami­go das pes­so­as mais le­gais de Não-MeTo­que. Con­ta­rei pi­a­das, ga­nha­rei no tru­co, can­ta­rei can­ções bo­ni­tas e se­rei aplaudido. Até as cri­an­ças de­vem ser le­gais e cal­mi­nhas. Ci­gar­ro não dá cân­cer em Não-MeTo­que. Na igre­ja da ci­da­de, o pa­dre é um ve­lhi­nho sá­bio, que po­de me ou­vir com pa­ci­ên­cia e fa­lar coi­sas so­bre o per­dão. Depois de es­cu­tá-lo, pos­so até par­tir tran­qui­lo, dei­xar Não-MeTo­que. E vol­tar quan­do ne­ces­sá­rio for, sem me­do.

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