Hós­pe­de le­va po­e­sia a co­le­gas de al­ber­gue

O Diario do Norte do Parana - - CIDADES - Ivy Val­sec­chi

ivy­val­sec­chi@odi­a­rio.com O Al­ber­gue San­ta Lui­za de Ma­ril­lac re­ce­beu uma hós­pe­de di­fe­ren­te há cer­ca de 15 di­as. É Tâ­nia Su­ely Apa­re­ci­da, 53, que é po­e­ta e, se­gun­do o pre­si­den­te da en­ti­da­de, Os­val­do Za­nol­lo, tem le­va­do ale­gria aos com­pa­nhei­ros. “Ela é ex­tro­ver­ti­da, es­pon­tâ­nea e es­cre­ve mui­to bem.”

Tâ­nia es­tá em Ma­rin­gá des­de 2010, quan­do veio de For­ta­le­za (CE). Lá ela per­deu a vi­são do olho es­quer­do, em 2008. “Já não ti­nha a vi­são do olho di­rei­to, que per­di aos 3 anos por cau­sa do es­tra­bis­mo.” Des­de en­tão, Tâ­nia pas­sou a vi­ver com di­fi­cul­da­des e, em mo­men­tos de re­fle­xão so­bre co­mo se­gui­ria a vi­da, des­co­briu a po­e­sia. “Acor­dei um dia com um po­e­ma na ca­be­ça. Es­cre­vi e en­tre- guei na praia. Al­guns qui­se­ram pagar, en­tão co­me­cei a ven­der.”

O des­ti­no mu­dou quan­do em um dia de ven­das ela co­nhe­ceu um em­pre­sá­rio de Ma­rin­gá. “Ele com­prou um po­e­ma, e 3 me­ses depois man­dou e-mail di­zen­do que que­ria me aju­dar. Che­guei em Ma­rin­gá em agos­to, e em no­vem­bro fiz trans­plan­te de cór­nea. Não re­cu­pe­rei to­tal­men­te a vi­são, mas me­lho­rou bas­tan­te. Con­si­go ler e uso ócu­los”, con­ta. Na ci­da­de, ela tam­bém es­te­ve am­pa­ra­da por uma igre­ja e pe­lo Asi­lo São Vi­cen­te de Pau­la. Tâ­nia ven­de po­e­mas nas ru­as de Ma­rin­gá por R$ 2. O ob­je­ti­vo é pu­bli­car um li­vro. “É uma mis­são, e que­ro que as pes­so­as co­nhe­çam meu tra­ba­lho.”

O pro­ble­ma é que, em se­tem­bro, ela des­co­briu um tu­mor na gar­gan­ta, e pre­ci­sa de aju­da es­pe­ci­al. “Co­me­cei a fa­zer exa­mes e pa­rei por­que te­nho de­pres­são. Depois re­to­mei e ago­ra fal­tam ape­nas al­guns exa­mes an­tes da ci­rur­gia de re­ti­ra­da do tu­mor.” Gra­ças ao au­xí­lio do al­ber­gue, Tâ­nia de­ve ser en­ca­mi­nha­da à Re­de Fe­mi­ni­na de Com­ba­te ao Cân­cer, on­de per­ma­ne­ce­rá de se­gun­da à sex­ta-fei­ra e re­ce­be­rá apoio no tra­ta­men­to. Aos fi­nais de se­ma­na e fe­ri­a­dos – em que a re­de não abre - Tâ­nia se­rá aco­lhi­da no al­ber­gue. A pre­si­dên­cia da en­ti­da­de ex­pli­ca que o ide­al é que ca­da be­ne­fi­ci­a­do per­ma­ne­ça lá por 3 di­as, mas Tâ­nia po­de fi­car o tem­po ne­ces­sá­rio até que vá pa­ra a Re­de Fe­mi­ni­na.

do jor­nal

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