‘O Hob­bit’:

Dois crí­ti­cos de ci­ne­ma ana­li­sam o prin­ci­pal fil­me em car­taz no País: “O Hob­bit: Uma Jor­na­da Ines­pe­ra­da”; ava­li­a­ções po­si­ti­vas e ne­ga­ti­vas so­bre o lon­ga

O Diario do Norte do Parana - - O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ - Luiz Car­los Mer­ten

Pe­ter Jack­son faz his­tó­ria com “O Hob­bit: Uma Jor­na­da Ines­pe­ra­da”, mas é pos­sí­vel que pouquís­si­ma gen­te se dê con­ta dis­so. O pri­mei­ro fil­me fei­to e pro­je­ta­do em 48 qua­dros por se­gun­do, ve­lo­ci­da­de que do­bra aque­la a que o es­pec­ta­dor es­tá acos­tu­ma­do e acha sua ple­na jus­ti­fi­ca­ti­va nas ce­nas de ba­ta­lhas. Vo­cê po­de­rá op­tar por vê-lo em 2 e 3D. Es­co­lha o for­ma­to, a te­la, e vi­a­je nas ima­gens e nos sons.

A fra­se ini­ci­al do li­vro de J.R.R. Tol­ki­en vem um pou­qui­nho atra­sa­da, re­fe­re-se ao bu­ra­co no chão em que vi­ve o hob­bit. Mui­tos an­dam es­cre­ven­do que o fil­me de­mo­ra pa­ra en­gre­nar. Tudo de­pen­de de qu­em vê. Tan­to quan­to Tol­ki­en, que bus­ca­va no mi­to uma ten­ta­ti­va de com­pre­en­são das ori­gens, Jack­son se vol­ta pa­ra um dos mi­tos fun­da­do­res do ci­ne­ma – John Ford. As ima­gens do con­da­do lem­bram a In­nes­free, de “Depois do Ven­da­val”, e quan­do Bil­bo, pres­si­o­na­do por Tho­rin, lí­der dos anões, ex­pli­ca por que o es­tá aju­dan­do, a jus­ti­fi­ca­ti­va não po­de­ria ser mais for­di­a­na. Re­me- te à Odis­seia. Bil­bo quer, sim, vol­tar pa­ra ca­sa, mas se une ao anões por­que eles não têm ca­sa, e pre­ci­sam de uma.

“O Hob­bit” tem tec­no­lo­gia de pon­ta, pai­sa­gens de cor­tar o fô­le­go, ba­ta­lhas ele­tri­zan­tes. E tem o Gol­lum, que in­tro­duz o anel na his­tó­ria. O li­vro é fi­ni­nho, mas Jack­son o es­tá trans­for­man- do nu­ma no­va tri­lo­gia, com ele­men­tos e per­so­na­gens em­pres­ta­dos de “O Se­nhor dos Anéis”. Re­a­pa­re­cem Gan­dalf, Bil­bo adul­to, Fro­do, Ga­la­dri­el, o Gol­lum. O te­ma é a cons­tru­ção do olhar. O olhar oblí­quo de Gan­dalf e Tho­rin, que co­nhe­cem os ho­mens, o olhar de Ga­la­dri­el, que não pre­ci­sa se fi­xar em Gan­dalf pa­ra con­ver­sar men­tal­men­te com o ma­go. A tro­ca de olha­res de Bil­bo jo­ven­zi­nho e do Gol­lum. Eles não se ve­em ou o Gol­lum não vê Bil­bo, tor­na­do in­vi­sí­vel pe­lo poder do anel. Mas to­da a cons­tru­ção – do ci­ne­ma, do mun­do – pas­sa pe­la com­pre­en­são de Bil­bo e pe­lo de­ses­pe­ro do Gol­lum, que aca­ba de per­der seu pre­ci­o­so anel.

É um be­lís­si­mo fil­me. Seus ‘de­fei­tos’ são qua­li­da­des. Pois Pe­ter Jack­son não te­me o es­pa­ço nem o tem­po. Che­ga a pro­por um jo­go e o ci­né­fi­lo, que es­cul­pe o tem­po com An­drei Tar­kovs­ki, só pre­ci­sa en­trar nes­sa ma­gia que re­me­te aos pri­mór­di­os da nar­ra­ção, à his­tó­ria. Ela es­tá ape­nas co­me­çan­do, con­ta­da pa­ra cri­an­ças, mas, no fun­do, vi­sa ao pú­bli­co adul­to. Pois tudo es­tá e vem do olhar, que trans­for­ma e é trans­for­ma­do. Se vo­cê acha que não va­le a pe­na fa­zer es­se mo­vi­men­to, a ba­ta­lha do fil­me es­ta­rá per­di­da. Mas, se fi­zer, depois do mag­ní­fi­co voo dos pás­sa­ros, vo­cê já co­me­ça­rá a so­nhar com o 2, em de­zem­bro de 2013.

Divulgação

Em ce­na de “O Hob­bit: Uma Jor­na­da Ines­pe­ra­da”, Bil­bo es­tá sain­do do con­da­do pa­ra se jun­tar ao gru­po de anões; fil­me con­ta com pai­sa­gens exu­be­ran­tes e ba­ta­lhas ele­tri­zan­tes

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