Fu­te­bol mor­to

O Diario do Norte do Parana - - O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ -

de “B”, que reú­nem al­guns bons com­pe­ti­do­res e uma sé­rie de per­nas de pau, apa­re­cem na pro­gra­ma­ção da TV pa­ra ali­vi­ar a abs­ti­nên­cia que a au­sên­cia de fu­te­bol cau­sa em mui­tos. No lu­gar de cer­ta­mes épi­cos e re­ple­tos de ri­va­li­da­de, o que pau­ta a mí­dia es­por­ti­va es­pe­ci­a­li­za­da são re­tros­pec­ti­vas de gols, pas­ses, co­bran­ças de fal­ta e his­tó­ri­as so­bre a in­fân­cia po­bre ou a in­ti­mi­da­de de jo­ga­do­res. As es­pe­cu­la­ções so­bre pos­sí­veis reforços são um ca­pí­tu­lo à par­te. No­mes e so­bre­no­mes são ven­ti­la­dos, tor­ci­das ino­cen­tes dor­mem so­nhan­do com o pos­sí­vel re­tor­no de ído­los e acor­dam com a che­ga­da de atle­tas que mais pa­re­cem brin­que­dos de Na­tal: ca­ros, su­per­va­lo­ri­za­dos, mas que, as­sim que exi­gi­dos pra va­ler, que­bram sem qual­quer chan­ce de con­ser­to. É tam­bém nes­ta par­te do ca­len­dá­rio que a me­sa do bar per­de sua ma­gia mais se­du­to­ra. O gar­çom, ou­tro­ra ani­ma­do e cheio de pi­a­di­nhas clu­bís­ti­cas, não con­se­gue es­con­der a tris­te­za e fal­ta de as­sun­to. Com as em­ba­ça­das len­tes do ál­co­ol já não faz mais sen­ti­do aos bo­te­quei­ros co­me­mo­rar o cam­pe­o­na­to con­quis­ta­do. Tam­pou­co des­truir a re­pu­ta­ção do ami­go pal­mei­ren­se, cu­jo ti­me caiu de di­vi­são, é al­go que traz fe­li­ci­da­de. Já o mo­men­to do re­bai­xa­do é ou­tro. É ho­ra de mos­trar que é tor­ce­dor de ver­da­de, pe­dir a ca­be­ça de di­ri­gen­tes, pro­pa­gan­de­ar na pa­re­de do quar­to e no Fa­ce­bo­ok que 2013 se­rá di­fe­ren­te. É pre­ci­so acre­di­tar que 90 mi­nu­tos de par­ti­das me­lho­res vi­rão. Tal­vez, um dia o ca­len­dá­rio do fu­te­bol bra­si­lei­ro se equi­pa­re ao do res­to do mun­do e nos­sos fins de ano se­jam mais ani­ma­dos, com bo­la (de ver­da­de) na re­de. Mas es­ta é uma re­a­li­da­de distante, distante... pois as­sim é o fu­te­bol no fim de de­zem­bro: en­quan­to o nas­ci­men­to do Me­ni­no Je­sus é ce­le­bra­do, o fu­te­bol mín­gua em sua im­por­tân­cia e, no lei­to de um qua­se es­que­ci­men­to, mais pa­re­ce um do­en­te que res­pi­ra por apa­re­lhos à es­pe­ra de um mi­la­gre cha­ma­do Cam­pe­o­na­to Es­ta­du­al .

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