MIL­TON RA­VAG­NA­NI

O Diario do Norte do Parana - - REGIÃO -

A ma­lha es­tran­gu­la­da

Três mil mo­to­ris­tas fo­ram agra­ci­a­dos por au­tu­a­ções por ex­ces­so de ve­lo­ci­da­de du­ran­te o re­ces­so na­ta­li­no, se­gun­do da­dos da Po­lí­cia Ro­do­viá­ria Es­ta­du­al. Fal­tam os da­dos da Po­lí­cia Ro­do­viá­ria Fe­de­ral, mas já dá pa­ra se ter uma boa no­ção do que vai ocor­rer nas es­tra­das pa­ra­na­en­ses nes­te pe­río­do de fes­tas. Um ami­go que foi pa­ra Cu­ri­ti­ba, no dia 26, re­la­tou à co­lu­na uma vi­a­gem de no­ve ho­ras. As es­tra­das che­ga­ram ao li­mi­te do im­pos­sí­vel. Com a en­tra­da em vi­gor, as leis mais se­ve­ras con­tra a di­re­ção em­bri­a­ga­da pa­re­cem ter sur­ti­do efei­to. Pe­lo me­nos por en­quan­to. Trin­ta e qua­tro au­tu­a­ções fo­ram re­a­li­za­das, após a afe­ri­ção pe­lo etilô­me­tro por con­su­mo de ál­co­ol aci­ma do per­mi­ti­do. Não há re­la­to de apre­en­sões sem o uso do bafômetro, o que já é per­mi­ti­do pe­la no­va lei. A con­sequên­cia da ação po­li­ci­al mais ri­go­ro­sa foi a que­da no nú­me­ro de mor­tes e fe­ri­dos em 40% em re­la­ção ao mes­mo pe­río­do do ano pas­sa­do. Com mais veí­cu­los nas es­tra­das, os aci­den­tes gra­ves di­mi­nuí­ram. Apren­de­mos a di­ri­gir?

Vi­gi­lân­cia

In­fe­liz­men­te não dá pa­ra ser tão oti­mis­ta. O in­di­ví­duo, na con­di­ção de mo­to­ris­ta, ten­de a ex­ce­der as re­gras. A al­ter­na­ti­va é a vi­gi­lân­cia. Nos­so pro­ble­ma, to­da­via, é a in­ca­pa­ci­da­de de man­ter a vi­gi­lân­cia em tem­po in­te­gral. Se­ja por fal­ta de efe­ti­vo, se­ja por ou­tras pri­o­ri­da­des pon­tu­ais que o dia a dia po­li­ci­al exigem. Es­ta­mos con­de­na­dos ao con­ví­vio ma­ca­bro das es­ta­tís­ti­cas ain­da por mui­to tem­po. A en­tra­da em vi­gor das nor­mas de re­cru­des­ci­men­to da Lei Se­ca ani­mou aos mais cons­ci­en­tes de uma equa­ção me­nos mor­tal nas es­tra­das. Mas, pa­ra de­sa­len­to des­tes cré­du­los, a re­a­li­da­de nos im­põe fu­tu­ro di­ver­so.

Com­pa­ra­ção

Ho­je, o Bra­sil dis­põe de 1,4 mi­lhão de quilô­me­tros de es­tra­das. Um be­lo nú­me­ro. O pro­ble­ma é que ape­nas 197 mil de­les são pa­vi­men­ta­dos. E des­ses, 10,2 mil são du­pli­ca­dos. É um nú­me­ro cho­can­te, quan­do com­pa­ra­do com ou­tros paí­ses. A Es­pa­nha, que tem uma ex­ten­são ter­ri­to­ri­al de­zoi­to ve­zes me­nor que o Bra­sil, tem uma ma­lha ro­do­viá­ria de 600 mil quilô­me­tros. A Ín­dia, um país de gran­de ex­ten­são ter­ri­to­ri­al, po­rém me­nor que o Bra­sil, tem um mi­lhão de quilô­me­tros de ro­do­vi­as. Os EUA, que são qua­se do nos­so ta­ma­nho, qua­tro mi­lhões. O di­fe­re na equa­ção é que nos três paí­ses ci­ta­dos há efi­ci­en­tes fer­ro­vi­as que di­vi­dem o vo­lu­me de trans­por­te de pas­sa­gei­ros. Mes­mo na Ín­dia, que tem um sis­te­ma fer­ro­viá­rio cen­te­ná­rio e de­fa­sa­do tec­no­lo­gi­ca­men­te. Mes­mo as­sim, dá um baile nos nos­sos ín­di­ces.

Pa­ra­li­sia

A fal­ta de ro­do­vi­as e a ine­xis­tên­cia de fer­ro­vi­as trans­for­mam as nos­sas es­tra­das um ce­ná­rio de gu­er­ra. E aí, não dá ape­nas pa­ra trans­fe­rir ao mo­to­ris­ta an­si­o­so e mal pre­pa­ra­do a cul­pa pe­la quan­ti­da­de de aci­den­tes, fe­ri­men­tos e mor­tes. Fal­tam, mes­mo, in­ves­ti­men­tos. Só pa­ra se ter uma ideia, faz quin­ze anos que o Pa­ra­ná não re­ce­be qual­quer im­plan­ta­ção de no­vas ro­do­vi­as. As ex­ce­ções são o Con­tor­no Nor­te de Ma­rin­gá, em obras, e o Con­tor­no de Man­da­gua­ri, idem. Ago­ra, o De­nit tra­ba­lha pa­ra ti­rar do pa­pel du­as no­vas im­plan­ta­ções: a du­pli­ca­ção na saí­da de Cas­ca­vel pa­ra Ca­pi­tão Leô­ni­das Marques - uma obra de qua­ren­ta quilô­me­tros - e a em­pa­ca­da Es­tra­da Boi­a­dei­ra. É mui­to pou­co pa­ra um Es­ta­do que tem o mai­or cres­ci­men­to de fro­ta per cap­ta do País.

Pa­ra­li­sia II

Se há al­gum con­so­lo - se é que a des­gra­ça do ou­tro con­so­la al­guém - so­mos o ter­cei­ro Es­ta­do da Fe­de­ra­ção no ta­ma­nho da ma­lha ro­do­viá­ria. Per­de­mos pa­ra São Pau­lo, que tem uma vez e meia a quan­ti­da­de de ro­do­vi­as pa­vi­men­ta­das em re­la­ção ao Pa­ra­ná, e pa­ra Mi­nas Ge­rais, com qu­em dis­pu­ta­mos quilô­me­tro a quilô­me­tro. Pe­la or­dem, São Pau­lo tem 31 mil quilô­me­tros de es­tra­das, Mi­nas, 23 mil e o Pa­ra­ná, 21 mil, aí con­ta­das as vi­as ur­ba­nas as­fal­ta­das. Se pa­ra nós a coi­sa é ter­rí­vel, pa­ra os de­mais Es­ta­dos, uma ca­tás­tro­fe. Há al­ter­na­ti­vas? Sim, a re­to­ma­da dos trans­por­tes de pas­sa­gei­ros pe­lo meio fer­ro­viá­rio. Mas, só pa­ra não nos ilu­dir­mos mui­to: o mo­dal con­ti­nua es­ta­tal, não foi in­cluí­do no pa­co­te de con­ces­sões re­pas­sa­dos à ini­ci­a­ti­va pri­va­da jun­to com as con­ces­sões de trans­por­te de car­gas. Tal­vez is­so ex­pli­que a fal­ta de ação no se­tor.

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