PM faz 32% mais pri­sões por trá­fi­co em 2013

Vo­lu­me de dro­ga apre­en­di­da tam­bém cres­ceu nos pri­mei­ros 50 di­as do ano, em com­pa­ra­ção com o mes­mo pe­río­do de 2011; do to­tal de de­ti­dos, 45% são me­no­res

O Diario do Norte do Parana - - CIDADES - Renato Oli­vei­ra

re­na­to­o­li­vei­ra@odi­a­rio.com O nú­me­ro de pri­sões re­a­li­za­das pe­la Po­lí­cia Mi­li­tar (PM) por por­te e trá­fi­co de dro­gas au­men­tou 32,7% nos pri­mei­ros 50 di­as des­te ano em com­pa­ra­ção com igual pe­río­do de 2012 em Ma­rin­gá. As ope­ra­ções re­sul­ta­ram ain­da em al­ta de 211% na quan­ti­da­de de co­caí­na, crack e ma­co­nha apre­en­di­dos no in­ter­va­lo.

De acor­do com o ofi­ci­al de comunicação do 4º Ba­ta­lhão da Po­lí­cia Mi­li­tar (BPM), te­nen­te Cláudio Ro­cha, a dro­ga é apa­nha­da em abor­da­gens de ro­ti­na e em ve­ri­fi­ca­ções de de­nún­ci­as pe­los te­le­fo­nes 181 (Nar­co- de­nún­cia) e 190 (Emer­gên­cia da PM). Mui­tos dos de­ti­dos são me­no­res de ida­de.

Pa­ra o te­nen­te, o re­for­ço no efe­ti­vo lo­cal por cau­sa dos alu­nos da 2ª Es­co­la de For­ma­ção, Aper­fei­ço­a­men­to e Es­pe­ci­a­li­za­ção de Pra­ças da Po­lí­cia Mi­li­tar do Pa­ra­ná (2ª Es­fa­ep) am­pli­ou a es­ta­tís­ti­ca no com­pa­ra­ti­vo do iní­cio de 2013 co­mo o do ano pas­sa­do.

Se­gun­do Ro­cha, a mai­or par­te das pri­sões es­tá re­la­ci­o­na­da ao trá­fi­co de pe­que­nas por­ções e a usuá­ri­os de dro­gas. “O pe­que­no tra­fi­can­te é aque­le que faz a ven­da pa­ra ga­ran­tir o pró­prio uso”, ex­pli­ca. Com re­la­ção ao usuá­rio, de acor­do com o te­nen­te a le­gis­la­ção bra­si­lei­ra tem co­mo fo­co a res­so­ci­a­li­za­ção do de­pen­den­te - não exis­te pe­na pre­vis­ta.

Pa­ra o delegado do Se­tor de Ho­mi­cí­di­os da 9ª Sub­di­vi­são Po­li­ci­al de Ma­rin­gá (SDP), Alexandre Bon­zat­to, em Ma­rin­gá não há in­dí­ci­os de as­sas­si­na­tos mo­ti­va­dos por bri­gas en­tre usuá­ri­os ou acer­tos de contas por dí­vi­das com tra­fi­can­tes.

“Ca­sos de tra­fi­can­tes que ma­tam o usuá­rio por que não pa­gou a dro­ga não há. É di­fe­ren­te de Cu­ri­ti­ba, on­de se ma­ta o usuá­rio por dí­vi­das” exem­pli­fi­ca. Se­gun­do ele, a mai­or par­te das mor­tes en­vol­ven­do trá­fi­co de dro­gas na ci­da­de es­tá re­la­ci­o­na­da à gu­er­ra en­tre mé­di­os tra­fi­can­tes ri­vais. “Aqui é mais co­mum (as mor­tes) ser en­tre eles.”

Se­gun­do Bon­zat­to, o prin­ci­pal de­sa­fio fren­te ao pe­que­no trá­fi­co é en­qua­drar o de­li­to di­an­te da pe­que­na quan­ti­da­de de dro­ga que cos­tu­ma ser apre­en­di­da. “O de­ti­do sem­pre ale­ga pos­se e uso. Quan­do a po­lí­cia faz a apre­en­são, ele é en­qua­dra­do co­mo usuá­rio. É um ti­po de trá­fi­co ca­mu­fla­do en­tre usuá­ri­os”.

Me­no­res

En­tre as pes­so­as fla­gra­das com dro­gas em Ma­rin­gá no iní­cio do ano, 45,7% são me­no­res de ida­de. De acor­do com o con­se­lhei­ro tu­te­lar Car­los Bon­fim, há ca­sos em que o jo­vem é re­co­lhi­do pa­ra o Cen­tro de So­ci­o­e­du­ca­ção (Cen­se), po­den­do cum­prir me­di­da so­ci­o­e­du­ca­ti­va por até 3 anos.

Se­gun­do Bon­fim, em­bo­ra se­ja co­mum o me­nor de ida­de ser uti­li­za­do no trá­fi­co por não ha­ver pri­são es­ti­pu­la­da em lei, não é ne­ces­sá­rio en­con­trar pro­vas pa­ra re­co­lher o jo­vem pa­ra o Cen­se. Atu­al­men­te, cer­ca de 50 me­no­res es­tão apre­en­di­dos no cen­tro.

“Fal­ta ao poder pú­bli­co in­ves­tir em edu­ca­ção. To­dos os me­no­res que es­tão ho­je no Cen­se não es­ta­vam fre­quen­tan­do a es­co­la quan­do fo­ram pe­gos. É pre­ci­so am­pli­ar o aces­so à es­co­la e cri­ar o con­tra-tur­no es­co­lar. Mas pa­ra is­so é ne­ces­sá­rio re­no­var o mo­de­lo de edu­ca­ção pú­bli­ca”.

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