Ja­bu­ti­ca­bas

O Diario do Norte do Parana - - O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ -

par­te se ve­ri cam prá­ti­cas in­di­vi­du­ais e co­le­ti­vas que em na­da apri­mo­ram o con­ví­vio hu­ma­no. A co­me­çar por um in­di­vi­du­a­lis­mo, que, se não al­can­çou o pon­to ex­tre­mo, de­le an­da per­to. Vá lá que to­dos nós, po­bres lhos de Adão, fei­tos do mes­mo bar­ro de dis­cu­tí­vel qua­li­da­de, des­de o ventre ma­ter­no se­ja­mos por­ta­do­res de um egoís­mo sem frei­os. Mas aqui­lo que, em ou­tras épo­cas, nos in­cen­ti­va­vam a com­ba­ter co­mo ví­cio, ho­je se enal­te­ce co­mo gran­de­za. Ora, há con­du­tas que, em qual­quer tem­po, la­ti­tu­de ou cul­tu­ra, con­ti­nu­a­rão sen­do o que sem­pre fo­ram. Não per­de­ram a ca­rac­te­rís­ti­ca de gros­sei­ras de­tur­pa­ções do ser e do agir hu­ma­nos, que os re­bai­xam a ní­vel in­fe­ri­or ao de ani­mais. Vai­se tor­nan­do acei­tá­vel que os for­tes es­pe­zi­nhem os fra­cos, que os ri­cos se apro­vei­tem dos po­bres. Ain­da que a mai­o­ria aplau­da, não há co­mo ro­tu­lar de pro­gres­so um com­por­ta­men­to des­se fei­tio. Não é pos­sí­vel ad­mi­tir co­mo su­pe­ra­das no­ções que lan­çam su­as raí­zes lá on­de se as­sen­ta o me­lhor do nos­so ser. Des­pre­zá-las é matar a es­pe­ran­ça de qual­quer fe­li­ci­da­de pos­sí­vel. Se ad­mi­to co­mo jus­ti cá­vel só o que me traz pro­vei­to, in­de­pen­den­te­men­te do ma­le­fí­cio que pos­sa cau­sar a ou­trem, es­tou re­va­li­dan­do a lei da selva. Res­tau­ro co­mo éti­ca a nor­ma do “qu­em po­de mais cho­ra me­nos”, tos­ca ver­são do “ho­mo ho­mi­ni lu­pus” (o ho­mem é um lo­bo pa­ra ou­tro ho­mem) di­to de Plau­to (230-180 a. C.), po­pu­la­ri­za­do por Hob­bes (15881679). Ain­da mais se o in­di­vi­du­a­lis­mo é pos­to a ser­vi­ço do con­su­mo, ou­tra mar­ca do nos­so tem­po. Po­de-se com cer­te­za a rmar que nun­ca se re­gis­trou con­su­mis­mo tão avas­sa­la­dor. En­quan­to em re­giões po­bres do pla­ne­ta per­sis­tem des­nu­tri­ção e fo­me, em ou­tra, di­tas de 1° Mun­do, se mor­re por ex­ces­so de co­mi­da. Com a agra­van­te de que nin­guém mais acha es­tra­nho. Tudo é vis­to com a apro­va­ção de qu­em tem olhos ape­nas pa­ra o pró­prio um­bi­go. É a mo­der­na ver­são da jus­ti ca­ti­va de Caim: “Sou, por aca­so, guar­da do meu ir­mão?” (Gn 4,9). Tra­du­zin­do: “Pa­ra me dar bem pos­so até matar; os ou­tros que se da­nem”. Ho­je a lei é apro­vei­tar-se de tudo o que é ca­paz de con­fe­rir lu­cro, sa­tis­fa­ção ou pra­zer. Tudo aqui e ago­ra. To­li­ce es­pe­rar pa­ra depois. Não há co­mo con­su­mir na ho­ra? En­tão não tem va­lor. Por is­so não faz sen­ti­do na­da que não me tra­ga ime­di­a­to pro­vei­to. Te­nho que des­fru­tar já do meu tra­ba­lho. Eu, não ou­tro. Ima­gi­ne se vou me can­sar pa­ra que ou­tro le­ve van­ta­gem. Só um ma­né faz is­so. Depois, as pes­so­as re­cla­mam da vi­o­lên­cia que vo­ga por aí.

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