Obra le­gal não vi­ra pre­juí­zo e dor de ca­be­ça

O Diario do Norte do Parana - - CLASSIDIÁRIO - Ju­li­a­na Fon­ta­nel­la ju­fon­ta­nel­la@di­a­rio.com

Em Ma­rin­gá, a pre­fei­tu­ra em­bar­ga 1 a ca­da 50 cons­tru­ções. Es­sa mé­dia po­de­ria ser me­nor se as pes­so­as se in­for­mas­sem me­lhor an­tes de co­me­çar a obra. “A pri­mei­ra pro­vi­dên­cia é con­tra­tar um en­ge­nhei­ro ci­vil para ela­bo­ra­ção dos pro­je­tos ne­ces­sá­ri­os e obri­ga­tó­ri­os, con­for­me o ti­po e a di­men­são da obra de­se­ja­da”, afir­ma Ale­xan­dre Trai­na Bar­ro­so Fleu­rin­ger, agen­te de fis­ca­li­za­ção do Cre­aPR. O en­ge­nhei­ro ci­vil se­rá o res­pon­sá­vel téc­ni­co pe­lo em­pre­en­di­men­to.

A se­gun­da eta­pa é fa­zer com que es­ses pro­je­tos se­jam apro­va­dos pe­los ór­gãos com­pe­ten­tes (pre­fei­tu­ra e Cor­po de Bom­bei­ros), em se­gui­da po­de-se so­li­ci­tar o al­va­rá da obra. Em Ma­rin­gá, o pro­gra­ma Agi­li­za Obras, da pre­fei­tu­ra, co­mo já diz o no­me, agi­li­za o pro­ces­so - o do­cu­men­to po­de ser emi­ti­do em ape­nas 15 dias.

É im­por­tan­te sa­ber que ape­nas as pe­que­nas re­for­mas, aque­las que não al­te­ram a es­tru­tu­ra da edi­fi­ca­ção, co­mo pin­tu­ra, tro­ca de te­lhas ou re­ves­ti­men­tos no chão e nas pa­re­des, re­pa­ros elé­tri­cos e hi­dráu­li­cos, além da tro­ca de por­tas e ja­ne­las sem al- te­ra­ção dos vãos, es­tão li­vres da ne­ces­si­da­de de se ob­ter o al­va­rá e da con­tra­ta­ção de en­ge­nhei­ro. Di­fe­ren­te da cons­tru­ção de uma ga­ra­gem co­ber­ta ou de um ou­tro quar­to - ain­da que pa­re­çam obras “pe­que­nas”, há ne­ces­si­da­de de al­va­rá e li­cen­ça, pois al­te­ram a es­tru­tu­ra da edi­fi­ca­ção.

De acor­do com o en­ge­nhei­ro, o do­no do imó­vel em obra sem res­pon­sá­vel téc­ni­co po­de­rá pa­gar uma mul­ta que va­ria de R$ 792,53 a R$ 4.756,25. Além dis­so, a obra ir­re­gu­lar ain­da de­ve ser em­bar­ga­da pe­la fis­ca­li­za­ção mu­ni­ci­pal. Nes­te ca­so, o ba­ra­to po­de sair ca­ro, mui­to ca­ro.

Co­mo ex­pli­ca Fleu­rin­ger, ao Crea ca­be a fis­ca­li­za­ção do exer­cí­cio pro­fis­si­o­nal, já o mu­ni­cí­pio fis­ca­li­za a obe­di­ên­cia às nor­mas do Có­di­go Mu­ni­ci­pal de Obra, que se re­fe­rem a ques­tões so­bre al­va­rá da obra, en­tu­lhos, re­cu­os, etc. Ou­tro do­cu­men­to ne­ces­sá­rio é a li­cen­ça re­que­ri­da (in­clu­si­ve nas re­for­mas) para es­ta­be­le­cer que ti­po de uso te­rá a edi­fi­ca­ção a par­tir da­li. Para ca­da no­va fun­ção que o imó­vel ad­qui­re, so­li­ci­ta-se a li­cen­ça cor­res­pon­den­te. Exis­te do­cu­men­ta­ção para re­gu­la­ri­zar am­pli­a­ções, o no­vo uso da edi­fi­ca­ção, li­cen­ça para po­der re­a­li­zar uma ins­ta­la­ção co­mer­ci­al, en­tre ou­tras.

Va­le lem­brar que as­sim que a obra for con­cluí­da é pre­ci­so re­que­rer o Ha­bi­te-se, do­cu­men­to que ates­ta a exis­tên­cia e le­ga­li­da­de do imó­vel.

Er­ros co­muns

A fal­ta de al­va­rá é a prin­ci­pal cau­sa de no­ti­fi­ca­ção pe­los fis­cais da pre­fei­tu­ra, a se­gun­da é o ma­ne­jo e des­ti­no do en­tu­lho da cons­tru­ção. Adeil­son Re­na­to da Sil­va, ge­ren­te de Fis­ca­li­za­ções da Se­cre­ta­ria de Ges­tão do mu­ni­cí­pio, ori­en­ta os pro­pri­e­tá­ri­os de imó­veis a aci­o­nar uma empresa com ca­çam­ba des­de o iní­cio da obra e con­tra­tar ser­vi­ço para dar a des­ti­na­ção cor­re­ta do en­tu­lho.

Quem ig­no­ra a lei po­de ser mul­ta­do em R$ 500, va­lor mí­ni­mo. “Lem­bra­mos que a pre­fei­tu­ra fis­ca­li­za os do­cu­men­tos da obra e o cum­pri­men­to do có­di­go mu­ni­ci­pal e o Mi­nis­té­rio do Tra­ba­lho, o Crea e os sin­di­ca­tos ain­da fis­ca­li­zam ques­tões re­la­ci­o­na­das à mão de obra”, diz.

Fleu­rin­ger acres­cen­ta que são co­muns ir­re­gu­la­ri­da­des re­la­ci­o­na­das ao avan­ço da obra so­bre áre­as de re­cuo, além do uso da rua e da cal­ça­da para de­po­si­tar ma­te­ri­ais. Uma obra le­gal sig­ni­fi­ca se­gu­ran­ça à edi­fi­ca­ção e aos usuá­ri­os, além de qua­li­da­de - a fal­ta de co­nhe­ci­men­to téc­ni­co e de de­vi­da ha­bi­li­ta­ção po­de im­pli­car em per­das e pro­ble­mas à edi­fi­ca­ção. Vai ar­ris­car?

Di­vul­ga­ção

MEGACONSTRUÇÃO O Sky City One te­rá 838 me­tros de al­tu­ra e de­ve fi­car pron­to em abril de 2014, no­ve me­ses após o iní­cio das obras, na Chi­na

Newspapers in Portuguese

Newspapers from Brazil

© PressReader. All rights reserved.