Ma­rin­gá ba­te re­cor­de de fur­tos e rou­bos de veí­cu­los

CRI­MES Le­van­ta­men­to fei­to por O Diá­rio mos­tra que ín­di­ce de veí­cu­los le­va­dos pe­los cri­mi­no­sos nun­ca es­te­ve tão al­to. Mo­de­los po­pu­la­res e fo­ra de li­nha es­tão en­tre os mais vi­sa­dos

O Diario do Norte do Parana - - ZOOM - Le­o­nar­do Fi­lho

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Pre­ven­ção

Se­gun­do o 4º Ba­ta­lhão de Po­lí­cia Mi­li­tar, o ín­di­ce de fur­tos e rou­bos de veí­cu­los de­ve re­du­zir. “A Po­lí­cia Mi­li­tar tem de­sen­vol­vi­do ações e ope­ra­ções nas di­ver­sas re­giões da ci­da­de com o ob­je­ti­vo de in­ten­si­fi­car o pa­tru­lha­men­to e abor­da­gens, de ma­nei­ra a iden­ti­fi­car e pren­der pes- O ín­di­ce de veí­cu­los fur­ta­dos ou rou­ba­dos em Ma­rin­gá nun­ca es­te­ve al­to. Nes­te ano, de ja­nei­ro a agos­to, a Po­lí­cia Ci­vil con­ta­bi­li­zou 583 re­gis­tros. É o mai­or vo­lu­me dos úl­ti­mos anos na ci­da­de. Car­ros, mo­tos e até ca­mi­nhões têm si­do al­vo fá­cil para os ban­di­dos. No com­pa­ra­ti­vo com o mes­mo pe­río­do de 2012, o cres­ci­men­to foi de 21,4%, de acor­do com da­dos da pró­pria 9ª Sub­di­vi­são Po­li­ci­al.

Des­se to­tal, 33% – um em ca­da três – dos fur­tos e rou­bos de veí­cu­los são re­gis­tra­dos no Cen­tro e na Zo­na 7, re­giões de gran­de con­cen­tra­ção de pes­so­as, de­vi­do ao co­mér­cio, Uni­ver­si­da­de Es­ta­du­al de Ma­rin­gá e Vi­la Olím­pi­ca.

No Cen­tro, com 23% dos cri­mes, é pos­sí­vel no­tar um al­to ín­di­ce de fur­to de mo­tos. Já na Zo­na 7, com 10%, os ca­sos de fur­tos de car­ros são mais co­muns. A Vi­la Mo­ran­guei­ra sur­ge em ter­cei­ro lu­gar. Se­gun­do a po­lí­cia, o tra­ba­lho é fei­to em vá­ri­os pon­tos da ci­da­de. “O pa­tru­lha­men­to é re­a­li­za­do nos bair­ros e no cen­tro to­dos os dias”, diz o ofi­ci­al de co­mu­ni­ca­ção do 4º Ba­ta­lhão de Po­lí­cia Mi­li­tar, te­nen­te Cláudio Rocha.

Em mé­dia, a ação de um la­drão de veí­cu­lo le­va me­nos de um mi­nu­to, no ca­so de car­ros. Já para se le­var uma mo­to­ci­cle­ta, o cri­mi­no­so não gas­ta mais que 30 se­gun­dos. Nas re­giões on­de há mai­or con­cen­tra­ção de clí­ni­cas e hos­pi­tais – Zo­nas 4 e 5 – tam­bém é ne­ces­sá­rio ter aten­ção, já que os dois bair­ros so­mam 18 ca­sos des­de o iní­cio do ano.

Po­pu­la­res

Den­tre os car­ros, os mo­de­los po­pu­la­res são os mais vi­sa­dos pe­los cri­mi­no­sos. Gol e Uno en­ca­be­çam o ran­king. Mo­de­los fo­ra de li­nha co­mo Mon­za, San­ta­na e Pas­sat tam­bém es­tão na lis­ta dos dez mo­de­los pre­fe­ri­dos pe­los la­drões, por con­ta da ne­ces­si­da­de de pe­ças para o mer­ca­do clan­des­ti­no . No ca­so das mo­to­ci­cle­tas, es­tão no to­po da lis­ta Hon­da Biz e Ti­tan. Os veí­cu­los que têm mé­dia de 10 anos de uso tam­bém en­tram para o rol dos pre­fe­ri­dos.

Ape­sar do ín­di­ce al­to, de acor­do com a Po­lí­cia Ci­vil, em tor­no de 38% dos veí­cu­los fur­ta­dos ou rou­ba­dos fo­ram re­cu­pe­ra­dos nos oi­to me­ses pes­qui­sa­dos. Quan­do se tra­ta de veí­cu­los mais no­vos e ca­ros, mes­mo com sis­te­ma an­ti-fur­to, co­mo cha­ves co­di­fi­ca­das, os la­drões ape­lam para um mó­du­lo de ig­ni­ção. Es­se equi­pa­men­to per­mi­te que o ban­di­do le­ve boa par­te dos veí­cu­los co­di­fi­ca­dos.

Ou­tro apa­ra­to tec­no­ló­gi­co que vem sen­do uti­li­za­do pe­los cri­mi­no­sos é o blo­que­a­dor de ras­tre­a­dor. São fer­ra­men­tas que di­fi­cul­tam o ras­tre­a­men­to dos veí­cu­los – fei­to por em­pre­sas es­pe­ci­a­li­za­das. so­as que te­nham pra­ti­ca­do ou es­te­jam na in­ten­ção da prá­ti­ca de cri­mes, o que re­sul­tou num gran­de au­men­to no nú­me­ro de ar­mas apre­en­di­das, no mes­mo pe­río­do, na ca­sa 40%, e há ten­dên­cia de re­du­ção dos nú­me­ros de rou­bos re­gis­tra­dos”, des­ta­cou o ofi­ci­al de co­mu­ni­ca­ção do 4º BPM, te­nen­te Cláudio Rocha.

Já a Po­lí­cia Ci­vil con­ta com a Se­ção de Fur­tos e Rou­bos de Veí­cu­los. “Pro­cu­ra­mos tra­ba­lhar com o uso da in­te­li­gên­cia para com­ba­ter os mais di­ver­sos ti­pos de cri­me. O ob­je­ti­vo é sem­pre iden­ti­fi­car os cri­mi­no­sos por­que, com a pri­são de um sus­pei­to, es­cla­re­ce­mos di­ver­sos ca­sos”, co­men­tou o de­le­ga­do­che­fe da 9ª SDP, Sér­gio Bar­ro­so, que está à fren­te do car­go des­de o iní­cio de agos­to des­te ano.

Cui­da­dos

A ori­en­ta­ção dos po­li­ci­ais é para que os pro­pri­e­tá­ri­os dos veí­cu­los to­mem me­di­das de pre­cau­ção. “Um cui­da­do pri­mor­di­al para se pre­ve­nir fur­tos está na es­co­lha do ho­rá­rio e lo­cal em que deixa seu veí­cu­lo, se é um lo­cal de boa mo­vi­men­ta­ção de pes­so­as e se é bem ilu­mi­na­do”, diz o te­nen­te Cláudio Rocha. Já no ca­so de rou­bos, se­gun­do ele, oca­sião em que a ví­ti­ma é abor­da­da pe­lo au­tor do cri­me, é ne­ces­sá­rio cui­da­do ao pa­rar em se­má­fo­ros em ho­rá­ri­os no­tur­nos e ao pe­gar o veí­cu­lo em lo­cais de pou­ca mo­vi­men­ta­ção de pes­so­as. “Mes­mo ao che­gar em ca­sa, sem­pre ve­ri­fi­car se há pes­so­as ou veí­cu­los sus­pei­tos nas pro­xi­mi­da­des e se hou­ver, evi­te pa­rar e aci­o­ne a Po­lí­cia Mi­li­tar”, ori­en­ta. O DIÁ­RIO - Há quan­to tem­po vo­cê fur­ta veí­cu­los em Ma­rin­gá?

Foi nes­te ano que co­me­cei por­que au­men­tou a mi­nha ne­ces­si­da­de pe­la dro­ga. Co­mo eu não ti­nha di­nhei­ro para sus­ten­tar o ví­cio, co­me­cei a pe­gar car­ro. Eu não sou la­drão, foi o ví­cio que me le­vou a isso. Ve­nho de uma fa­mí­lia boa, ho­nes­ta, tra­ba­lha­do­ra, mas in­fe­liz­men­te caí no ví­cio do crack e aca­bou dan­do nis­so que vo­cê está ven­do.

M.A.V-

Se­gun­do a Po­lí­cia Ci­vil, a sua es­pe­ci­a­li­da­de é mais por car­ros an­ti­gos, fa­bri­ca­dos en­tre as dé­ca­das de 70 e 90. Por quê a pre­fe­rên­cia car­ros mais ve­lhos? Na ver­da­de, eu não es­co­lhia ano nem mar­ca. Es­co­lhia aque­les que da­va para pe­gar. Pre­fe­ria car­ros que não ti­nham alar­mes, fá­ceis de pe­gar com a mi­cha (cha­ve adap­ta­da), car­ros mais sim­ples. Quan­to tem­po vo­cê le­va­va para fur­tar um veí­cu­lo? Cer­ca de 20 a 30 se­gun­dos, não mais que isso. Car­ros no­vos eu não me­xo. São mais di­fí­ceis de rou­bar, mas tem gen­te es­pe­ci­a­li­za­da nis­so. O que vo­cê fa­zia com os car­ros? Mui­tas ve­zes eu des­man­cha­va para ven­der as pe­ças ou en­tão le­va­va pra bo­ca e tro­ca­va por crack. Não te­nho que men­tir. A dro­ga me le­vou a fa­zer tu­do isso. To­dos os car­ros que eu rou­bei eu tro­quei por crack. É fá­cil fur­tar car­ro em Ma­rin­gá? Fá­cil não é, mas exis­te mo­le­za, pes­so­as que dei­xam o car­ro mar­can­do. Se não ti­ver alar­me, vai em­bo­ra. A mai­o­ria tem alar­me, mas car­ros mais an­ti­gos pa­re­ce que o pes­so­al não se pre­o­cu­pa em pro­te­ger. Acham que, só por­que o car­ro é an­ti­go, la­drão não vai que­rer. Tem mui­ta gen­te que quer, até por­que a pro­cu­ra por pe­ças de car­ros an­ti­gos é mui­to mai­or que car­ro no­vo. Car­ro no­vo a pes­soa ba­te e já com­pra ou­tro. Qual o con­se­lho que vo­cê dá para as pes­so­as que têm car­ro? As pes­so­as não cos­tu­mam dar va­lor na­qui­lo que têm. Acho que de­ve­ri­am co­lo­car um alar­me, sis­te­ma de cor­te de com­bus­tí­vel, tra­vas, en­fim, al­gum ti­po de sis­te­ma que atra­pa­lhe e di­fi­cul­te a ação do la­drão. Não é só eu que fur­ta, tem mui­ta gen­te na rua fa­zen­do isso. Tem mui­to la­drão em Ma­rin­gá. O fur­to de car­ro não para.

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