Por cus­to me­nor, fá­bri­cas Con­sór­cio Pla­nal­to ven­ce con­ces­são da BR-050 pro­du­zem fo­ra do País

As im­por­ta­ções bra­si­lei­ras de ves­tuá­rio cres­ce­ram 4,6% em vo­lu­me e 8% em va­lor de mer­ca­do de ja­nei­ro e agos­to. Sin­di­ca­to diz que re­gião já sen­te re­fle­xos des­ses au­men­tos

O Diario do Norte do Parana - - ECONOMIA - Dou­glas Fer­rei­ra

As im­por­ta­ções bra­si­lei­ras do se­tor têx­til e de con­fec­ção cres­ce­ram sig­ni­fi­ca­ti­va­men­te nes­te ano, e já ge­ram pre­o­cu­pa­ção no se­tor. Se­gun­do pes­qui­sa da As­so­ci­a­ção Bra­si­lei­ra da In­dús­tria Têx­til e de Con­fec­ção (Abit), uti­li­zan­do da­dos do Mi­nis­té­rio do De­sen­vol­vi­men­to, In­dús­tria e Co­mér­cio, as im­por­ta­ções de ves­tuá­rio cres­ce­ram 4,6% em vo­lu­me e 8% em va­lor de mer­ca­do en­tre ja­nei­ro e agos­to. Con­si­de­ran­do to­dos os pro­du­tos têx­teis e con­fec­ci­o­na­dos, fo­ram im­por­ta­dos 3,8% mais em vo­lu­me e 1,9% em va­lor, en­quan­to as ex­por­ta­ções caí­ram 7,5% em vo­lu­me e 1,5% em va­lor.

Para o pre­si­den­te do Sin­di­ca­to Em­pre­sa­ri­al da In­dús­tria do Ves­tuá­rio de Ma­rin­gá (Sind­vest), Cás­sio Al­mei­da, es­se au­men­to das im­por­ta­ções já re­fle­te na re­gião. “Os gran­des ma­ga­zi­nes com­pram de fo­ra. Na ver­da­de, eles es­tão co­lo­can­do a pro­du­ção fo­ra do País”, diz.

Re­a­li­da­de con­fir­ma­da pe­la res­pon­sá­vel pe­la im­por­ta­ção de pro­du­tos da Rec­co Lin­ge­rie, em Ma­rin­gá, Va­nes­sa Bul­la. “A im­por­ta­ção tem au­men­ta­do a ca­da ano aqui na empresa. Nós de­sen­vol­ve­mos o pro­du­to aqui, aí man­da­mos para a Chi­na e pro­du­zi­mos lá; compensa!”, diz.

A mai­or re­cla­ma­ção dos pro- du­to­res e re­ven­de­do­res é o cus­to de pro­du­ção no Bra­sil. “O im­pos­to aqui é ca­ro para de­sen­vol­ver o pro­du­to. Va­le mais a pe­na pro­du­zir fo­ra e tra­zer, mes­mo pa­gan­do o im­pos­to de im­por­ta­ção. No fi­nal fi­ca mais ba­ra­to”, afir­ma Va­nes­sa. “Nes­te ano o sin­di­ca­to está pe­din­do 12% de au­men­to e isso pres­si­o­na o em­pre­sá­rio que tem que ten­tar ab­sor­ver isso. Co­mo va­mos co­lo­car es­se au­men­to num pro­du­to que já está ruim de ven­der?” ques­ti­o­na o pre­si­den­te do Sin­di­vest.

Ou­tro fa­tor que pre­ju­di­ca a pro­du­ção na re­gião é a re­du­ção do con­su­mo no País, que atin­ge não só a in­dús­tria têx­til, mas to­dos os se­to­res da eco­no­mia. O au­men­to da in­fla­ção, que in­sis­te em per­ma­ne­cer aci­ma de 6% nes­te ano, e o au­men­to do en­di­vi­da­men­to da po­pu­la­ção, após um pe­río­do de cré­di­to fá­cil na pra­ça, tam­bém são res­pon­sá­veis pe­la re­du­ção nas ven­das do se­tor, apon­ta o con­sul­tor de Ves­tuá­rio do Se­brae, Él­vio Sai­to. “Na re­gião deu para sen­tir uma re­tra­ção no se­tor, que tam­bém re­fle­te as ven­das me­no­res, in­fluên­cia des­ses fa­to­res in­ter­nos tam­bém, não só do au­men­to da im­por­ta­ção”, afir­ma. O Se­brae che­gou a iden­ti­fi­car uma re­du­ção na de­man­da de em­pre­sas do se­tor que pro­cu­ram o ór­gão para abrir seu em­pre­en­di­men­to, po­rém, Sai­to é me­nos pes­si­mis­ta que Al­mei­da. “Acre­di­to que es­sa re­tra­ção se­ja mais um ci­clo, não uma ten­dên­cia”, diz.

Es­se ape­ti­te me­nor do con­su­mi­dor tam­bém aca­ba sen­do uma das jus­ti­fi­ca­ti­vas para as em­pre­sas que pre­fe­rem a im­por­ta­ção à pro­du­ção na­ci­o­nal. “Com o con­su­mo me­nor, a gen­te pre­ci­sa fa­zer pre­ço para ven­der. O cli­en­te quer qua­li­da­de, mas se ele não pu­der pa­gar por ela, não vai le­var”, diz a as­ses­so­ra de im­por­ta­ção da Rec­co. Já o pre­si­den­te do Sin­di­vest é mais en­fá­ti­co: “Quan­do a si­tu­a­ção aperta, o con­su­mi­dor não vê qua­li­da­de, vê pre­ço”. O con­sór­cio Pla­nal­to ven­ceu a dis­pu­ta pe­la ro­do­via fe­de­ral 0-50, que cor­ta os Es­ta­dos de Goiás e Mi­nas Ge­rais, ao ofe­re­cer um de­sá­gio de 42,38% so­bre a ta­ri­fa bá­si­ca de R$ 0,07870 por quilô­me­tro. A ta­ri­fa ofe­re­ci­da foi de R$ 0,04534 por quilô­me­tro. O tre­cho li­ci­ta­do tem 436 quilô­me­tros, des­de o en­tron­ca­men­to com a BR040, em Cris­ta­li­na (GO), até a di­vi­sa de Mi­nas Ge­rais e São Pau­lo, no mu­ni­cí­pio de Del­ta. As obras de du­pli­ca­ção pre­ci­sam es­tar pron­tas no pra­zo de 5 anos, com per­mis­são para a con­ces­si­o­ná­ria co­brar ta­ri­fa só após a con­clu­são de, ao me­nos, 10%. A con­ces­são tem pra­zo de 30 anos.

Ra­fa­el Sil­va

Con­fec­ção em Ma­rin­gá: as im­por­ta­ções de pro­du­tos do se­tor vêm au­men­tan­do no País

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