Pa­pa abre Igre­ja a gays e di­vor­ci­a­dos

O Diario do Norte do Parana - - GERAL - Marcelo Go­doy

O pa­pa Fran­cis­co abriu a Igre­ja Ca­tó­li­ca para ho­mos­se­xu­ais, di­vor­ci­a­dos e para as mu­lhe­res que fi­ze­ram o abor­to. “A re­li­gião tem o di­rei­to de ex­pri­mir sua opi­nião pró­pria a ser­vi­ço das pes­so­as, mas Deus na cri­a­ção nos fez li­vres: a in­ge­rên­cia es­pi­ri­tu­al na vi­da das pes­so­as não é pos­sí­vel”, dis­se o pon­tí­fi­ce, em en­tre­vis­ta ao pa­dre Antônio Spa­da­ro, fei­ta em agos­to e pu­bli­ca­da, on­tem, pe­la re­vis­ta je­suí­ta ita­li­a­na La Ci­viltà Cat­to­li­ca.

“Não po­de­mos in­sis­tir so­men­te so­bre as ques­tões li­ga­das ao abor­to, ma­trimô­nio ho­mos­se­xu­al e ao uso de con­tra­cep­ti­vos. Isso não é pos­sí­vel”, des­ta­cou Fran­cis­co. A re­for­ma mais im­por­tan­te para ele, não é, pois, a ad­mi­nis­tra­ti­va da Igre­ja. Mas a que de­ve abrir a Igre­ja aos fe­ri­dos. “Eu ve­jo a Igre­ja co­mo um hos­pi­tal de cam­pa­nha, de­pois de uma ba­ta- lha”, com­pa­rou. Para o pon­tí­fi­ce, a Igre­ja de­ve “en­con­trar um no­vo equi­lí­brio”. “De ou­tra for­ma, até o edi­fí­cio mo­ral da Igre­ja cor­re ris­co de cair co­mo uma cas­te­lo de cartas e de per­der a fres­cu­ra e o per­fu­me do Evan­ge­lho”, ava­li­ou.

Em ju­lho, no voo de vol­ta a Ro­ma, de­pois de par­ti­ci­par da Jor­na­da Mundial da Ju­ven­tu­de no Rio de Ja­nei­ro, o pa­pa já ha­via sur­pre­en­di­do ao afir­mar que o ca­te­cis­mo da Igre­ja “diz que eles (gays) não de­vem ser dis- cri­mi­na­dos, por cau­sa dis­so, mas de­vem ser in­te­gra­dos na so­ci­e­da­de.” “Quem sou eu para jul­gar os gays”, afir­mou en­tão.

Uni­ver­sal

“Es­sa Igre­ja com a qual de­ve­mos con­vi­ver é a ca­sa de to­dos e não a pe­que­na capela que po­de con­ter so­men­te um gru­pi­nho de pes­so­as se­le­ci­o­na­das”, pre­gou. Ele ava­lia que não se po­de re­du­zir o seio da Igre­ja uni­ver­sal ao ni­nho pro­te­tor da nos­sa me­di­o­cri­da­de. “A Igre­ja é Mãe. É fe­cun­da. Ve­ja, quan­do me dou con­ta dos com­por­ta­men­tos ne­ga­ti­vos dos mi­nis­tros da Igre­ja ou dos con­sa­gra­dos ou con­sa­gran­tes, a pri­mei­ra coi­sa que me vem à ca­be­ça é eis um sol­tei­rão, eis uma sol­tei­ro­na. Não são nem pais, nem mães. Não fo­ram ca­pa­zes da dar vi­da. Em vez dis­so, por exem­plo, quan­do leio a vi­da dos mis­si­o­ná­ri­os sa­le­si­a­nos que par­ti­ram para a Pa­tagô­nia, leio his­tó­ri­as de vi­da, de fe­cun­di­da­de”, res­sal­tou.

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