So­ja ga­nha­rá mais ter­re­no no Pa­ra­ná

Pre­ço e ques­tões cli­má­ti­cas fa­vo­re­cem a ex­pan­são da cul­tu­ra, na pró­xi­ma dé­ca­da; mi­lho se­rá o pre­fe­ri­do do agri­cul­tor para o plan­tio da se­gun­da sa­fra

O Diario do Norte do Parana - - REGIÃO - Rú­bia Pi­men­ta

ru­bia@odi­a­rio.com O Mi­nis­té­rio da Agri­cul­tu­ra di­vul­gou, on­tem, um re­la­tó­rio com as pro­je­ções para o agro­ne­gó­cio nos pró­xi­mos dez anos. De acor­do com o le­van­ta­men­to, a ex­pec­ta­ti­va é a de que a área plan­ta­da de so­ja au­men­te 24,3%, em to­do o País, che­gan­do a 34,4 mi­lhões de hec­ta­res. O con­su­mo de­ve cres­cer 19,4% e a pro­du­ção, 21,8%.

A pes­qui­sa apon­ta que, no Pa­ra­ná, exis­te uma ten­dên­cia para que a so­ja ocu­pe a área de ou­tras cul­tu­ras. Es­se mo­vi­men­to, se­gun­do a Se­cre­ta­ria Es­ta­du­al da Agri­cul­tu­ra e do Abas­te­ci­men­to (Se­ab), já ocor­re há mais de dez anos. Da­dos do De­par­ta­men­to de Eco­no­mia Ru­ral (De­ral) do Nú­cleo Re­gi­o­nal, em Ma­rin­gá, in­di­cam que, em 2000, a área plan­ta­da de so­ja, na re­gião, era de 204 mil hec­ta­res. Em 2013, a ocu­pa­ção sal­tou para 235 mil hec­ta­res. Em com­pen­sa­ção, o mi­lho, pri­mei­ra sa­fra, so­freu gran­de que­da, de 27 mil hec­ta­res, há 13 anos, para 2 mil hec­ta­res, atu­al­men­te.

Para o eco­no­mis­ta do De­ral, Do­ri­val Apa­re­ci­do Bas­ta, dois fa­to­res ex­pli­cam o fenô­me­no: o pre­ço da so­ja, que é mais atra­ti­vo, e a ques­tão cli­má­ti­ca, uma vez que pe­río­dos de se­ca po­dem com­pro­me­ter se­ri­a­men­te a co­lhei­ta de mi­lho, no ve­rão.

Ape­sar dis­so, a pre­vi­são é a de que, em dez anos, a área de mi­lho cres­ça 6,3%, em to­do o País. Isso por­que a que­da do plan­tio de mi­lho, no ve­rão, tem si­do com­pen­sa­da no in­ver­no, na cha­ma­da “sa­fri­nha”, quan­do a área da so­ja sede lu­gar ao grão. Em 2000, a área plan­ta­da com mi­lho de in­ver­no era de 129 mil hec­ta­res. Em ju­lho des­te ano, sal­tou para 219 mil hec­ta­res. “Per­ce­be­mos que o mi­lho sa­fri­nha ocu­pou a área do tri­go, uma cul­tu­ra tí­pi­ca de in­ver­no”, des­ta­ca Bas­ta.

Tri­go

Os nú­me­ros em re­la­ção ao tri­go são pre­o­cu­pan­tes, se­gun­do o re­la­tó­rio do Mi­nis­té­rio da Agri­cul­tu­ra. Em­bo­ra exis­ta uma pers­pec­ti­va de au­men­to de 12,7% no con­su­mo em dez anos, e de 17,6%, na pro­du­ção, o Bra­sil de­ve con­ti­nu­ar sen­do um dos prin­ci­pais im­por­ta­do­res do grão, no mun­do. A ex­pec­ta­ti­va é a de que, em 2023, se­jam im­por­ta­das 6,8 mi­lhões de to­ne­la­das do pro­du­to, atu­al­men­te, são cer­ca de 6 mi­lhões.

A pes­qui­sa do Mi­nis­té­rio da Agri­cul­tu­ra apon­ta que, no Pa­ra­ná, líder no plan­tio de tri­go no País (47,2% da pro­du­ção na­ci­o­nal), de­ve ocor­rer uma re­du­ção de 6,8%, na área cul­ti­va. Uma que­da que tam­bém já vem sen­do re­gis­tra­da há mais de uma dé­ca­da. Em 2000, a re­gião de Ma­rin­gá ti­nha 64 mil hec­ta­res des­ti­na­dos ao tri­go. Em 2013, são 10 mil. “Vá­ri­os fa­to­res ex­pli­cam o qua­dro: o bai­xo pre­ço ofe­re­ci­do no tri­go, uma vez que o im­por­ta­do é, mui­tas ve­zes, mais ba­ra­to que o bra­si­lei­ro, além da fal­ta de in­ves­ti­men­to em tec­no­lo­gia para me­lho­rar a pro­du­ção, e au­men­to de cen­tros de co­mer­ci­a­li­za­ção”, res­sal­ta Bas­ta. Se­gun­do ele, é ne­ces­sá­rio mais po­lí­ti­cas pú­bli­cas para in­cen­ti­var a pro­du­ção de tri­go em to­do o Bra­sil.

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