Após in­cên­dio, nu­vem de gás po­de che­gar a SP

Fo­go co­me­çou em car­ga de fer­ti­li­zan­te, ar­ma­ze­na­da no Por­to de São Fran­cis­co do Sul; con­cen­tra­ção de ni­tra­to de amô­nia na at­mos­fe­ra pro­vo­ca chu­va áci­da

O Diario do Norte do Parana - - GERAL - To­mas Petersen

A nu­vem de gás for­ma­da após um in­cên­dio em um gal­pão de fer­ti­li­zan­te em São Fran­cis­co do Sul, San­ta Ca­ta­ri­na, po­de che­gar ao Es­ta­do de São Pau­lo. Se­gun­do o me­te­o­ro­lo­gis­ta Mar­ce­lo Martins, da Em­pre­sa de Pes­qui­sa Agro­pe­cuá­ria e Ex­ten­são Ru­ral ca­ta­ri­nen­se, isso vai de­pen­der da di­re­ção e in­ten­si­da­de dos ven­tos.

"Se che­gar, apa­re­ce­rá na for­ma de uma né­voa, bas­tan­te dis­si­pa­da", afir­mou. Mas o mais pro­vá­vel é que o gás al­can­ce o in­te­ri­or de San­ta Ca­ta­ri­na, em ci­da­des da re­gião de Join­vil­le e do Va­le do Ita­jaí.

A con­cen­tra­ção de fu­ma­ça che­gou a ser vis­ta a vin­te quilô­me­tros de dis­tân­cia. A dis­si­pa­ção des­sa nu­vem pe­lo am­bi­en­te po­de tra­zer con­sequên­ci­as gra­ves pa­ra flo­res­tas e ani­mais da re­gião. Uma chu­va áci­da lo­ca­li­za­da de­ve ser ge­ra­da na at­mos­fe­ra pe­la re­a­ção ao pro­du­to quí­mi­co. A ci­da­de vi­zi­nha a São Fran­cis­co do Sul, Ita­poá, tem a mai­or par­te do ter­ri­tó­rio pre­ser­va­do com mata atlân­ti­ca e man­gue­zais.

O go­ver­no ca­ta­ri­nen­se de­cre- tou si­tu­a­ção de emer­gên­cia em São Fran­cis­co do Sul. O lo­cal do in­cên­dio ar­ma­ze­na 10 mil to­ne­la­das de ni­tra­to de amô­nia, cu­ja oxi­da­ção pro­duz uma fu­ma­ça den­sa, que se res­pi­ra­da pro­vo­ca ir­ri­ta­ção na pe­le, olhos e vias res­pi­ra­tó­ri­as. A De­fe­sa Ci­vil es­ta­be­le­ceu um pe­rí­me­tro de se­gu­ran­ça de 800 me­tros de raio, a par­tir do in­cên­dio.

Mais de 200 bom­bei­ros tra­ba­lha­vam no com­ba­te ao in­cên­dio até a noi­te de on­tem. O ni­tra­to de amô­nia não é in­fla­má­vel, mas oxi­dan­te. Por isso, o in­cên­dio não pro­duz cha­mas. Fo­ram re­mo­vi­dos con­têi­ne­res ao re­dor, pa­ra fa­ci­li­tar o aces­so de gran­des equi­pa­men­tos de com­ba­te. O ob­je­ti­vo é res­fri­ar o pro­du­to. "O ni­tra­to de amô­nia, por si só, é con­si­de­ra­do es­tá­vel. Ca­so aque­ci­do, po­de tor­nar-se ex­plo­si­vo", ex­pli­cou o ge­ren­te de Pro­du­tos Pe­ri­go­sos da De­fe­sa Ci­vil, ma­jor do Cor­po de Bom­bei­ros, Ge­o­va­ne Ma­tiuz­zi.

O in­cên­dio co­me­çou en­tre 22 e 23 ho­ras des­ta ter­ça-fei­ra. O sol­da­do Fe­li­pe Ro­sa, da Co­mu­ni­ca­ção So­ci­al do Cor­po de Bom­bei­ros, afir­mou que pe­lo me­nos se- ten­ta pes­so­as ti­ve­ram de ser aten­di­das, por res­pi­rar a fu­ma­ça, e li­be­ra­das em se­gui­da.

O ma­jor Ma­tiuz­zi dis­se que os efei­tos do gás for­ma­do no pro­ces­so de oxi­da­ção são pa­re­ci­dos com os do gás la­cri­mo­gê­neo, por isso, não são con­si­de­ra­dos le­tais, quan­do ina­la­dos. O co­man­dan­te do Cor­po de Bom­bei­ros, co­ro­nel Mar­cos Oli­vei­ra, afir­mou que o pe­ri­go é com a ina­la­ção di­re- ta e em gran­de quan­ti­da­de. "Pa­ra evi­tar con­ta­mi­na­ção, as pes­so­as fo­ram re­ti­ra­das lo­go no iní­cio ."

Nas pri­mei­ras ho­ras do in­cên­dio, a po­pu­la­ção as­sus­ta­da co­me­çou a dei­xar a ci­da­de, cau­san­do trân­si­to nas vias in­ter­nas e na BR280, que li­ga São Fran­cis­co do Sul a Join­vil­le. O aces­so ao mu­ni­cí­pio foi blo­que­a­do. A pre­fei­tu­ra re­co­men­da que qu­em es­tá fo­ra, não re­tor­ne, en­quan­to a si­tu­a­ção não for re­sol­vi­da.

A De­fe­sa Ci­vil re­mo­veu as fa­mí­li­as dos bair­ros mais atin­gi­dos: Pau­las, Ipe­ro­ba, Re­ta e San­dra Re­gi­na. Cer­ca de 400 pes­so­as es­tão em um abri­go ins­ta­la­do em uma es­co­la es­ta­du­al, que fi­ca na en­tra­da da ci­da­de.

As au­las na re­de es­ta­du­al em São Fran­cis­co do Sul, Ga­ru­va e Ita­poá fo­ram sus­pen­sas até sex­ta­fei­ra. (

Char­les Guer­ra/Es­ta­dão Con­teú­do

A fu­ma­ça pro­vo­ca­da pe­la ex­plo­são, em ar­ma­zém do por­to, po­de ser vis­ta a vin­te quilô­me­tros de dis­tân­cia

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