Mai­o­ria dos so­ro­po­si­ti­vos são ho­mens em Ma­rin­gá

Dos 1.710 ca­sos re­gis­tra­dos des­de 2010 em Ma­rin­gá até ju­nho des­te ano, pou­co mais de 60% são do se­xo mas­cu­li­no. No pri­mei­ro se­mes­tre des­te ano, 11 pes­so­as mor­re­ram Fai­xa etá­ria

O Diario do Norte do Parana - - CIDADES - Van­da Mu­nhoz

van­da@odi­a­rio.com O Am­bu­la­tó­rio DST/Aids de Ma­rin­gá re­gis­trou 127 no­vos ca­sos da do­en­ça em Ma­rin­gá nes­te ano, até ju­nho, ele­van­do pa­ra 1.710 o acu­mu­la­do des­de 2010. Do to­tal, 1.030 são do se­xo mas­cu­li­no, o que re­pre­sen­ta 60,23% do to­tal, e 680 são mu­lhe­res. O Am­bu­la­tó­rio aten­de pa­ci­en­tes de Ma­rin­gá e ou­tros 29 mu­ni­cí­pi­os da 15ª Re­gi­o­nal de Saú­de e ou­tras re­gi­o­nais do Es­ta­do. Do to­tal aten­di­do, 59% são de Ma­rin­gá.

O nú­me­ro de no­vos ca­sos tem al­te­ra­ções pe­que­nas no com­pa­ra­ti­vo de um ano com o ou­tro: em 2011, fo­ram 182 no­vos ca­sos, ele­van­do o acu­mu­la­do pa­ra 1.398; em 2012, fo­ram 185, au­men­tan­do o to­tal pa­ra 1.583 re­gis­tros.

Até ju­nho des­te ano, fo­ram re­gis­tra­das 11 mor­tes por aids. Em 2012, fo­ram 21 óbi­tos; e, em 2011 e 2010, 24 mor­tes em ca­da um. “A ta­xa de óbi­to es­tá se re­du­zin­do em fun­ção da me­lho­ra da qua­li­da­de do tra­ta­men­to. Os óbi­tos por aids que ain­da ocor­rem são, em ge­ral, as­so­ci­a­dos ao di­ag­nós­ti­co tar­dio, quan­do já não há mais mui­to o que se fa­zer em fun­ção do vo­lu­me de com­pro­me­ti- men­to e gra­vi­da­de dos ca­sos”, diz a co­or­de­na­do­ra do Am­bu­la­tó­rio DST/Aids de Ma­rin­gá, Eliane Apa­re­ci­da Tor­to­la Bi­a­zon. As es­ta­tís­ti­cas do Am­bu­la­tó­rio mu­ni­ci­pal mos­tram tam­bém que, nes­te ano, 45,38% dos ca­sos de HIV/Aids atin­gem a fai­xa etá­ria en­tre 35 e 49 anos, sen­do a mais nu­me­ro­sa. A se­gun­da fai­xa mais atin­gi­da, com 23,57% do to­tal des­te ano, fi­ca en­tre 20 e 34 anos.

Dos pa­ci­en­tes aten­di­dos pe­lo am­bu­la­tó­rio, 1.009 re­si­dem em Ma­rin­gá, o que cor­res­pon­de a 59% do to­tal.

O se­gun­do mu­ni­cí­pio da re­gião com mai­or nú­me­ro de pa­ci­en­tes é Sa­ran­di, com 249 por­ta­do­res da do­en­ça, o equi­va­len­te a 14,56%. E em ter­cei­ro lu­gar es­tá Pai­çan­du, com 62 pa­ci­en­tes - 3,63% do to­tal.

Eliane res­sal­ta que Ma­rin­gá é a ter­cei­ra ci­da­de do Pa­ra­ná com mai­or nú­me­ro de ca­sos, fi­can­do atrás de Curitiba e Lon­dri­na. Ela ci­ta tam­bém que, se­gun­do a ori­en­ta­ção se­xu­al, há pre­do­mi­nân­cia en­tre os he­te­ros­se­xu­ais, com 63,5%. De ho­mos­se­xu­ais, são 23,1%.

Na úl­ti­ma se­ma­na, a Or­ga­ni­za­ção das Na­ções Uni­das (ONU) di­vul­gou da­dos que mos­tram qu­e­da no nú­me­ro de mor­tes por aids. No Bra­sil, a re­du­ção é de 38,9% no com­pa­ra­ti­vo en­tre 2001 e 2012.

Con­fir­man­do a ten­dên­cia que os re­mé­di­os es­tão au­men­tan­do a ex­pec­ta­ti­vas de vi­da dos por­ta­do­res, o re­la­tó­rio da ONU mos­tra que hou­ve um cres­ci­men­to de 23,3% na quan­ti­da­de de pes­so­as que con­traí­ram a do­en­ça, pas­san­do de 430 mil pa­ra 530 mil.

Os da­dos de Ma­rin­gá con­fir­mam a te­se, mas em um pe­río­do me­nor: em 2010 fo­ram re­gis­tra­das 24 mor­tes por aids e, em 2012, fo­ram 21 ca­sos, re­du­ção de 12,5%. Os pri­mei­ros 6 me­ses de 2013 so­ma­ram 11 óbi­tos.

Di­ag­nós­ti­co

O di­ag­nós­ti­co pre­co­ce do HIV ga­ran­te qua­li­da­de de vi­da aos pa­ci­en­tes. O au­xi­li­ar de ad­mi­nis­tra­ção Pau­lo (que pe­diu pa­ra não ter o so­bre­no­me di­vul­ga­do), 41 anos, diz que é por­ta­dor do HIV há 14 anos iden­ti­fi­ca­do em um di­ag­nós­ti­co pre­co­ce. Des­de a des­co­ber­ta da do­en­ça, ele to­ma an­tir­re­tro­vi­rais. “Com a me­di­ca­ção dá pa­ra su­por­tar, mas o que mata é o pre­con­cei­to e a ex­clu­são so­ci­al”, de­sa­ba­fa. Ele ob­ser­va que, mes­mo com o avan­ço da ci­ên­cia, o pre­con­cei­to per­ma­ne­ce. “E é mui­to gran­de, mas quan­do ve­jo que as pes­so­as se afas­tam con­si­de­ro que os do­en­tes são eles e não eu. O pre­con­cei­to é uma do­en­ça.

No co­me­ço, a aids foi uma epi­de­mia, as pes­so­as de­fi­nha­vam e mor­ri­am. Até ho­je, quan­do di­ag­nos­ti­ca­das, elas per­gun­tam se vão fi­car ma­gras. Os por­ta­do­res da do­en­ça tam­bém têm mui­to me­do de se­rem dis­cri­mi­na­dos, pois é uma do­en­ça que con­ta­mi­na. Quan­do co­me­ça­mos o aten­di­men­to no Am­bu­la­tó­rio, as pes­so­as não que­ri­am nem dar o no­me, pois con­si­de­ram que a do­en­ça es­tá li­ga­da à pro­mis­cui­da­de. Qual­quer um po­de ter Aids, mas as pes­so­as têm ver­go­nha e mui­tos até aban­do­nam o tra­ta­men­to pa­ra evi­tar ex­po­si­ção.

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