Fim do plan­tio do mi­lho sa­fri­nha de­pen­de das águas de mar­ço

O Diario do Norte do Parana - - AGRONEGÓCIO - Luiz de Car­va­lho car­va­lho@odi­a­rio.com

Agri­cul­to­res es­pe­ram que o vo­lu­me de chu­va se­ja me­nor do que o das úl­ti­mas se­ma­nas Ex­ces­so de água im­pe­de o avan­ço do cul­ti­vo que, em anos an­te­ri­o­res, es­ta­ria na fa­se fi­nal

Nes­te ano, os agri­cul­to­res do no­ro­es­te do Pa­ra­ná não têm con­se­gui­do man­ter a tra­di­ção de co­lher a so­ja e plan­tar o mi­lho sa­fri­nha, na sequên­cia. On­tem, a re­ti­ra­da da ole­a­gi­no­sa do cam­po che­gou a 50% da área cul­ti­va­da, mas a se­me­a­du­ra do ce­re­al ain­da es­tá em tor­no de 35%, dos 211 mil hec­ta­res pre­vis­tos nos 29 mu­ni­cí­pi­os sob res­pon­sa­bi­li­da­de do Nú­cleo Re­gi­o­nal da Se­cre­ta­ria da Agri­cul­tu­ra, em Ma­rin­gá. Em sa­fras an­te­ri­o­res, o plan­tio do mi­lho do sa­fri­nha a es­ta al­tu­ra já es­ta­ria na fa­se fi­nal.

A pre­o­cu­pa­ção dos pro­du­to­res é que o mi­lho se­me­a­do, nes­te mês, não con­clui­rá o ci­clo an­tes do pe­río­do em que ge­ral­men­te ocor­rem ge­a­das e se os grãos não es­ti­ve­rem em fa­se de ma­tu­ra­ção se­rão afe­ta­dos pe­las bai­xas tem­pe­ra­tu­ras. “O ide­al era que ti­vés­se­mos con­se­gui­do plan­tar o mi­lho da se­gun­da sa­fra até o fim da pri­mei­ra quin­ze­na de fe­ve­rei­ro, mas tu­do in­di­ca que na se­gun­da quin­ze­na de mar­ço ain­da te­rá gen­te plan­tan­do”, ana­li­sou o pro­du­tor Eli­as Gam­bi­ni, da Gle­baPin­guim,emMa­rin­gá.

Se­gun­do o De­par­ta­men­to de Eco­no­mia Ru­ral (De­ral) da Se­cre­ta­ria da Agri­cul­tu­ra, o atra­so no plan­tio do mi­lho se­gun­da sa­fra já era pre­vis­to, desde o ano pas­sa­do, quan­do uma es­ti­a­gem de 50 di­as atra­sou o plan­tio da so­ja em boa par­te do no­ro­es­te, mas a si­tu­a­ção pi­o­rou com o ex­ces­so de chu­vas desde o fim de ja­nei­ro, re­tar­dan­do a re­ti­ra­da da so­ja­pa­ra­o­plan­ti­o­do­mi­lho.

“Nes­tes úl­ti­mos di­as, a co­lhei­ta avan­çou de for­ma ace­le­ra­da, com pro­du­to­res tra­ba­lhan­do dia e noi­te e nos fins de se­ma­na”, des­ta­ca o eco­no­mis­ta Moi­sés Ba­ri­on Bo­lo­nhez. Se­gun­do ele, as chu­vas con­ti­nu­am, mas fra­ca­se­mo­de­ra­das,não­che­gan­do a sig­ni­fi­car em­pe­ci­lho pa­ra a co­lhei­ta. “Cho­ve em al­gu­mas re­giões, mas em se­gui­da o sol vem for­te e se­ca a ter­ra e a so­ja, po­den­do a co­lhei­ta re­co­me­çar com pou­cas ho­ras de sol”, res­sal­ta.

Já pa­ra o plan­tio do mi­lho, a si­tu­a­ção é di­fe­ren­te. As co­lhei­ta­dei­ras mo­der­nas não de­pen­dem que o so­lo es­te­ja to­tal­men­te se­co, mas as plan­ta­dei­ras, que vão se­me­ar o mi­lho, não con­se­guem­tra­ba­lha­rem­so­loú­mi­do.

Val­dir Fries, que plan­ta em Itam­bé, terminou on­tem de co­lher os úl­ti­mos grãos de so­ja des­ta sa­fra ven­do a chu­va che­gar no ho­ri­zon­te. Ele e equi­pe vi­nham tra­ba­lhan­do dia e noi­te, mas com a chu­va ti­ve­ram que pa­rar o plan­tio do sa­fri­nha. “Ge- ral­men­te, a co­lhei­ta de um e o plan­tio do ou­tro ter­mi­nam jun­tos, mas, des­ta vez, não plan­tei nem 80% do mi­lho e não te­nho pre­vi­são se con­ti­nu­ar cho­ven­do”, afir­ma. Ele tem es­pe­ran­ça de con­cluir o plan­tio no má­xi­mo atéo­pró­xi­mo­di­a­dez.

Em Dou­tor Ca­mar­go, 55% da so­ja já fo­ram co­lhi­dos, mas o plan­tio do mi­lho ain­da não che­gou a 35% da área. Em Flo­raí, a di­fe­ren­ça é ain­da mai­or. Ou­ri­zo­na co­lheu 35% e a se­me­a­du­ra não­che­goua15%.

O acom­pa­nha­men­to diá­rio do De­ral mos­trou que, on­tem, o dia fe­chou com 50% da so­ja da re­gião co­lhi­dos nos 29 ci­da­des do Nú­cleo, com mu­ni­cí­pi­os co­mo Iva­tu­ba, Flo­res­ta e São Jor­ge do Ivaí en­tran­do na fa­se fi­nal. Em Iva­tu­ba, 85% da co­lhei­ta já ti­nham si­do en­tre­gues nas co­o­pe­ra­ti­vas. Co­lo­ra­do, que ini­ci­ou a co­lhei­ta na úl­ti­ma se­ma­na, che­goua30%.

Es­ta­bi­li­da­de

As co­o­pe­ra­ti­vas que atu­am na re­gião de Ma­rin­gá se pre­o­cu­pa­ram com a pos­si­bi­li­da­de de a gre­ve dos ca­mi­nho­nei­ros afe­tar o rit­mo da co­lhei­ta na re­gião, mas os pro­du­to­res que es­ta­vam com so­ja em pon­to de co­lhei­ta es­ta­vam com óleo di­e­sel estocado nas pro­pri­e­da­des e não che­ga­vam a in­ter­rom­per o tra­ba­lho. Tam­bém a che­ga­da dos ca­mi­nhões car­re­ga­dos às co­o­pe­ra­ti­vas não so­freu in­fluên­cia da pa­ra­li­sa­ção­dos­ca­mi­nho­nei­ros.

Os pre­ços da ole­a­gi­no­sa con­ti­nu­am es­tá­veis no mer­ca­do in­ter­no, ape­sar da va­lo­ri­za­ção do dó­lar nos dois pri­mei­ros me­ses do ano e das in­fluên­ci­as de uma es­ti­a­gem na sa­fra dos Es­ta­dos Unidos. On­tem, em Ma­rin­gá, os pre­ços va­ri­a­ram en­tre R$ 57,50 e R$ 58. Na re­gião dos Cam­pos Ge­rais, che­gou a R$ 59,50 e, em União da Vi­tó­ria, al­can­çou R$ 62.

—FO­TO: RI­CAR­DO LO­PES

NO­RO­ES­TE. Até on­tem, 35% dos 211 mil hec­ta­res pre­vis­tos ha­vi­am si­do se­me­a­dos.

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