In­fla­ção de 7,7% em 12 me­ses é a mai­or desde maio de 2005

O Diario do Norte do Parana - - ECONOMIA - Da­ni­e­la Amo­rim Agên­cia Es­ta­do

No mês pas­sa­do, Ín­di­ce Na­ci­o­nal de Pre­ços ao Con­su­mi­dor Am­plo re­gis­trou avan­ço de 1,2% Ana­lis­tas do mer­ca­do ava­li­am que me­ta foi “aban­do­na­da” e pre­ve­em ta­xa de até 8% no ano

No mês pas­sa­do, a in­fla­ção ofi­ci­al ex­tra­po­lou as ex­pec­ta­ti­vas mais pes­si­mis­tas do mer­ca­do fi­nan­cei­ro. A al­ta de 1,22% no Ín­di­ce Na­ci­o­nal de Pre­ços ao Con­su­mi­dor Am­plo (IPCA) le­vou a ta­xa acu­mu­la­da em 12 me­ses a dis­tan­ci­ar-se ain­da mais do te­to de to­le­rân­cia do go­ver­no, aos 7,7%, mai­or pa­ta­mar desde maio de 2005, in­for­mou o Ins­ti­tu­to Brasileiro de Ge­o­gra­fia e Es­ta­tís­ti­ca (IBGE).

Eco­no­mis­tas afir­mam que a me­ta de in­fla­ção foi aban­do­na­da, em 2015, e re­vi­sam pa­ra ci­ma as pre­vi­sões pa­ra o IPCA do ano. “O Ban­co Cen­tral vai ter que ex­pli­car o que o le­vou a não cum­prir a me­ta (de 4,5%), ape­sar da to­le­rân­cia de dois pon­tos por­cen­tu­ais (até 6,5%). Es­ta­mos com uma pre­vi­são de 7,4% de in­fla­ção, es­te ano, mas já co­me­ça­mos a ou­vir que po­de che­gar a 8%”, dis­se o eco­no­mis­ta Marcel Ca­pa­roz,daRCCon­sul­to­res.

Em fe­ve­rei­ro, a ele­va­ção dos im­pos­tos so­bre a ga­so­li­na se re­fle­tiu em um au­men­to pa­ra o con­su­mi­dor de 8,42%, um quar­to do IPCA do mês. “O im­pac­to dos im­pos­tos foi mui­to for­te e pe­sou nas bom­bas. Em con­sequên­cia, pe­sou no bol­so do con­su­mi­dor, até mais do que se po­de­ria pre­ver”, dis­se a co­or­de­na­do­ra de Ín­di­ces de Pre­ços do IBGE,Eu­li­naNu­nes­dosSan­tos.

Di­e­sel e eta­nol tam­bém fi­ca­ram mais ca­ros, as­sim co­mo as men­sa­li­da­des es­co­la­res, ener­gia elé­tri­ca, au­to­mó­vel no­vo e ôni­bu­sur­ba­no.

Nes­te mês, a in­fla­ção vol­ta­rá a in­co­mo­dar. O au­men­to na con­ta de luz exer­ce­rá no­va pres­são so­bre o or­ça­men­to das fa­mí- li­as, jun­to com ou­tros itens mo­ni­to­ra­dos­pe­lo­go­ver­no.

Desde o dia dois, es­tá em vi­gor o re­a­jus­te mé­dio de 80% no va­lor da par­ce­la da con­ta de luz re­fe­ren­te à ban­dei­ra ta­ri­fá­ria (que re­pas­sa ao con­su­mi­dor o cus­to mai­or pe­lo aci­o­na­men­to de usi­nas tér­mi­cas): pas­sou de três re­ais pa­ra R$ 5,50 por 100 ki­lowattho­ra­con­su­mi­dos.

“Só o au­men­to na con­ta de luz fa­rá a in­fla­ção de mar­ço par­tir já de um por cen­to. En­tão de­ve che­gar a 1,6%, 1,7%”, es­ti­ma Luiz Roberto Cu­nha, de­ca­no da Pon­ti­fí­cia Uni­ver­si­da­de Ca­tó­li­ca do Rio de­Ja­nei­ro(PUC-Rio).

Os bens e ser­vi­ços ad­mi­nis­tra­dos pe­lo go­ver­no já su­bi­ram pra­ti­ca­men­te o do­bro da in­fla­ção acu­mu­la­da nos pri­mei­ros dois me­ses de 2015: 4,93% con­tra 2,48% do IPCA. A in­fla­ção pres­si­o­na­da de­ve le­var o Co­mi­tê de Po­lí­ti­ca Mo­ne­tá­ria (Co­pom) do Ban­co Cen­tral a ele­var ain­da mais a ta­xa bá­si­ca de ju­ros, mas os efei­tos de fa­to so­bre os au­men­tos de pre­ços de­vem ser li­mi­ta­dos.

Ca­pa­roz, da RC Con­sul­to­res, ava­lia ser im­por­tan­te o Ban­co Cen­tral con­ti­nu­ar si­na­li­zan­do ao mer­ca­do que ain­da es­tá com­pro­me­ti­do em atu­ar pa­ra fa­zer a in­fla­ção con­ver­gir pa­ra o cen­tro da me­ta, de 4,5% no ano. “O efei­to do no­vo au­men­to na ta­xa de ju­ros so­bre a in­fla­ção vai ser mui­to pou­co. Tal­vez só con­vir­ja (pa­ra­a­me­ta)em2017”,co­gi­tou.

Tan­to Ca­pa­roz quan­do Cu­nha pre­ve­em que a ta­xa bá­si­ca de ju­ros, atu­al­men­te em 12,75%, ao ano, che­gue a 13,25%. No en­tan­to, a ele­va­ção já ocor­re em um ce­ná­rio de de­man­da de­pri­mi­da e ati­vi­da­de fra­ca. “Vai ter um cus­to mui­to al­to, vai cus­tar em­pre­gos, in­ves­ti­men­tos, cres­ci­men­to do PIB”,afir­mouCa­pa­roz.

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