Brics vão de­mo­rar a re­to­mar ex­pan­são

O Diario do Norte do Parana - - ECONOMIA - Al­ta­mi­ro Silva Jú­ni­or Agên­cia Es­ta­do

Rit­mo no de­sen­vol­vi­men­to do Bra­sil, Rús­sia, Ín­dia, China e Áfri­ca do Sul afe­ta avan­ço da eco­no­mia mun­di­al.

Os paí­ses que for­mam a si­gla Brics (Bra­sil, Rús­sia, Ín­dia, China e Áfri­ca do Sul) ti­ve­ram uma pi­o­ra de de­sem­pe­nho nos úl­ti­mos anos que afe­tou a eco­no­mia mun­di­al e di­fi­cil­men­te os rit­mos de cres­ci­men­to de­vem vol­tar no cur­to pra­zo aos ní­veis for­tes que es­tes mer­ca­dos ti­nham na­dé­ca­da­pas­sa­da.

“Vai ser di­fí­cil a ex­pan­são po­ten­ci­al da eco­no­mia mun­di­al ace­le­rar a me­nos que ha­ja uma re­a­ti­va­ção do cres­ci­men­to dos Brics”, dis­se o di­re­tor da Ca­pi­tal Eco­no­mics pa­ra Mer­ca­dos Emer­gen­tes, Neil She­a­ring. Ele des­ta­cou que os paí­ses do blo­co res­pon­dem por cer­ca de 30% da eco­no­mia mun­di­al. Além dis­so, fo­ram res­pon­sá­veis por cer­ca de 45% da al­ta do Pro­du­to In­ter­no Bru­to(PIB)glo­bal­des­de2000.

To­das as pre­vi­sões de cres­ci­men­to dos Brics pa­ra 2015 e 2016 apre­sen­ta­das pe­la Ca­pi­tal Eco­no­mics são me­no­res que as ta­xas de ex­pan­são do blo­co en­tre 2000 e 2010, que mar­cou o au­ge do bo­om in­ter­na­ci­o­nal dos pre­ços das com­mo­di­ti­es. No ca­so da Ín­dia, o PIB cres­ceu 7,5%, ao ano, no pe­río­do; na Rús­sia, foi de 4,9%. No Bra­sil, a al­ta mé­dia foi de 3,6%; na China, 10,5%.

A Rús­sia é o mer­ca­do do blo­co com pi­or si­tu­a­ção es­te ano e de­ve en­co­lher 5%, de acor­do com o eco­no­mis­ta. O país de­ve se re­cu­pe­rar em 2016, ain­da que de for­ma mo­de­ra­da, por con­ta da ex­pec­ta­ti­va de al­ta do pre­ço do pe­tró­leo, e avan­çar 2%. Já o Bra­sil, que te­ve “de­sa­ce­le­ra­ção dra­má­ti­ca” do cres­ci­men­to nos úl­ti­mos anos, de­ve ter em 2015 e 2016 mais dois pe­río­dos de ex­pan­são mui­to­fra­ca­e­co­min­fla­ção­al­ta.

A China vai con­ti­nu­ar se de­sa­ce­le­ran­do, des­ta­ca o eco­no­mis­ta glo­bal da Ca­pi­tal Eco­no­mics, Ju­li­anJes­sop,que­tam­bém­par­ti­ci­pou do even­to. De uma ex­pan­são de 7,4% em 2014, o rit­mo de­ve se re­du­zir pa­ra 7% es­te ano e 6,5% em 2016. Is­so, po­rém, não é ne­ces­sa­ri­a­men­te um mo­vi­men­to ruim, ava­lia ele, por­que re­fle­te um re­ba­lan­ce­a­men­to in­ter­no do país asiá­ti­co, que fi­ca me­nos de­pen­den­te das ex­por­ta­ções e mais do con­su­mo in­ter­no e dos in­ves­ti­men­tos. Es­te re­ba­lan­ce­a­men­to de­ve, no mé­dio pra­zo,con­tri­buir­pa­raum­cres­ci­men­to­mais­sus­ten­tá­vel.

Já a Ín­dia, após vol­tar a cair nas gra­ças dos in­ves­ti­do­res, de­pois de um con­jun­to de re­for­mas ado­ta­das pe­lo no­vo pri­mei­ro-mi­nis­tro, Na­ren­dra Mo­di, é o úni­co­país­do­blo­co­co­mex­pec­ta­ti­va de PIB em ace­le­ra­ção, mas ain­da abai­xo do pa­ta­mar da dé­ca­da pas­sa­da. De 5,2%, em 2014, a al­ta nes­te ano de­ve ser de 5,5%; e 6%, em 2016. “Um cres­ci­men­to ain­da mais for­te re­quer a con­ti­nui­da­de das re­for­mas”, dis­se She­a­ring.

PIB­mun­di­al

A de­sa­ce­le­ra­ção do cres­ci­men­to dos Brics ocor­re em um mo­men­to em que a eco­no­mia glo­bal ain­da pa­ti­na, ava­lia Jes­sop. A pre­vi­são da Ca­pi­tal Eco­no­mics pa­ra a al­ta do PIB mun­di­al é de 3,2% es­te ano, mes­mo rit­mo de 2014. Em 2016, a al­ta de­ve ser pou­co­mai­or,de3,5%.

A zo­na do eu­ro de­ve con­ti­nu­ar fra­ca, avan­çan­do ape­nas 1% em 2015, pou­co mais que os 0,9% do ano pas­sa­do. En­tre as eco­no­mi­as­de­sen­vol­vi­das,osEs­ta­dosU­ni­dos se­rão a ex­ce­ção e de­vem ser o prin­ci­pal des­ta­que, cres­cen­do 3,3%es­te­a­no.

Com a eco­no­mia mais aque­ci­da, o Fe­de­ral Re­ser­ve (Fed, o ban­co cen­tral dos EUA) de­ve ele­var os ju­ros em me­a­dos des­te ano, ava­lia o eco­no­mis­ta pa­ra os Es­ta­dos Unidos da Ca­pi­tal Eco­no­mics, Paul Ashworth, que pre­vê um rit­mo ini­ci­al de ele­va­ção das ta­xas “gra­du­al”. “A de­man­da in­ter­na mos­tra si­nais re­ais de es­tar se for­ta­le­cen­do”, dis­se ele, ci­tan­do que os sa­lá­ri­os vol­ta­ram a su­bir.

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