Com­mo­di­ti­es em bai­xa eli­mi­nam efei­to dó­lar na ba­lan­ça co­mer­ci­al

O Diario do Norte do Parana - - ECONOMIA - Luiz Gui­lher­me Ger­bel­li Agên­cia Es­ta­do

En­quan­to o câm­bio no­mi­nal te­ve al­ta de 7%, ex­por­ta­ções em dó­la­res re­cu­a­ram 12% De­sa­ce­le­ra­ção da eco­no­mia chi­ne­sa é um dos prin­ci­pais fa­to­res pa­ra que­da nas vendas ex­ter­nas

A for­te al­ta do dó­lar an­te o re­al ain­da não trou­xe o im­pac­to es­pe­ra­do pa­ra a ba­lan­ça co­mer­ci­al do Bra­sil e de­ve ter um efei­to li­mi­ta­do. O avan­ço da mo­e­da norte-ame­ri­ca­na­tem­si­do­a­te­nu­a­do­pe­la­que­da­de­pre­ço­das­com­mo­di­ti­es no mer­ca­do in­ter­na­ci­o­nal e pe­lo au­men­to de cus­to - co­mo a de ener­gia -, que afe­ta a pro­du­ção bra­si­lei­ra.

Os nú­me­ros da Fun­da­ção Cen­tro de Es­tu­dos do Co­mér­cio Ex­te­ri­or (Fun­cex) mos­tram que, en­quan­to o câm­bio no­mi­nal su­biu 7%, em fe­ve­rei­ro an­te ja­nei­ro, o va­lor to­tal das ex­por­ta­ções em dó­la­res re­cu­ou 12%. O re­sul­ta­do des­sa com­bi­na­ção fi­ca evi­den­te na que­da das ex­por­ta­ções: nos dois pri­mei­ros me­ses do ano. No bi­mes­tre, o Bra­sil ex­por­tou US$ 25,796 bi- lhões, an­te os US$ 31,960 bi­lhões do ano pas­sa­do.

A pi­o­ra no qua­dro se de­ve, so­bre­tu­do, aos pro­du­tos bá­si­cos. Es­se gru­po res­pon­de por 42% da pau­ta bra­si­lei­ra, mas a ven­da pa­ra o ex­te­ri­or em va­lo­res di­mi­nuiu 17% nes­te ano. “Por mais que o câm­bio te­nha se des­va­lo­ri­za­do, não é pos­sí­vel ver o efei­to (na ba­lan­ça), por­que a que­da das com­mo­di­ti­es es­tá in­ten­sa”, diz Daiane dos San­tos, eco­no­mis­ta da Fun­cex. A pre­vi­são da en­ti­da­deé­deum­su­pe­rá­vit­deUS$3,5bi­lhões, no ano.

Aque­da­nos­pre­ços­dos­pro­du­tos bá­si­cos ocor­re ao lon­go dos úl­ti­mos me­ses e foi in­ten­si­fi­ca­da com a de­sa­ce­le­ra­ção da eco­no­mia chi­ne­sa, gran­de im­por­ta­do­ra de com­mo­di­ti­es do Bra­sil. Nes­sa se­ma­na, o go­ver­no chi­nês es­ti­mou­o­cres­ci­men­to­e­conô­mi­co de 7%, pa­ra 2015 - um re­sul­ta­do bem abai­xo do ve­ri­fi­ca­do nos anos an­te­ri­o­res.

En­tre as prin­ci­pais que­das de pro­du­tos bá­si­cos ex­por­ta­dos pe­lo Bra­sil, des­ta­cams-se o mi­né­rio de fer­ro (re­du­ção de 43,2%, em va­lo­res) e da so­ja em grão(tom­bo­de70,7%).

Um ou­tro fa­tor que tem der­ru­ba­do os pre­ços dos bá­si­cos é a si­na­li­za­ção de au­men­to de ju­ros pe­lo Fed (Fe­de­ral Re­ser­ve, o ban­co cen­tral dos Es­ta­dos Unidos). “Quan­do os ju­ros ame­ri­ca­nos so­bem - e es­sa ten­dên­cia es­tá de­fi­ni­da desde o ano pas­sa­do - , eles der­ru­bam os pre­ços das com­mo­di­ti­es”, afir­ma Fá­bio Sil­vei­ra, di­re­tor de Pes­qui­sa da con­sul­to­ri­aGOAs­so­ci­a­dos.

A que­da no pre­ço das com­mo­di­ti­es tam­bém de­ve pro­vo­car im­pac­to in­di­re­to pa­ra a ex­por­ta­ção bra­si­lei­ra de ma­nu­fa­tu­ra­dos. A in­dús­tria do Bra­sil tem co­mo prin­ci­pais mer­ca­dos os paí­ses da Amé­ri­ca La­ti­na, tam­bém gran­de ex­por­ta­do­res de pro­du­tos bá­si­cos. Com a que­da do pre­ço, es­ses paí­ses de­vem ter me­nor en­tra­da de re­cur­sos e, con­se­quen­te­men­te, vão com­prar me­nos do Bra­sil. A ex­por­ta­ção de ma­nu­fa­tu­ra­dos já re­cu­ou 13,1% nes­te ano.

A al­ta do dó­lar - sem­pre tão al­me­ja­da pe­la in­dús­tria - tam­bém ocor­re em um mo­men­to on­de as em­pre­sas bra­si­lei­ras es­tão di­an- te de uma sé­rie de au­men­to de cus­tos - co­mo o da ener­gia -, o que di­fi­cul­ta o ga­nho de com­pe­ti­ti­vi­da­de. “Há uma sé­rie de au­men­tos, en­tão o cus­to de pro­du­zir no Bra­sil tam­bém es­tá su­bin­do”, afir­ma Jo­sé Au­gus­to de Cas­tro, pre­si­den­te da As­so­ci­a­ção de Co­mér­ci­oEx­te­ri­or­doB­ra­sil(AEB).

A pro­je­ção da en­ti­da­de, fei­ta em de­zem­bro pas­sa­do, apon­ta uma que­da na ex­por­ta­ção nes­te ano. A AEB es­ti­ma que as vendas to­tais pa­ra o ex­te­ri­or se­jam de US$ 215,3 bi­lhões; que­da de 4,3%, em­re­la­çãoa2014.

Pa­ra a ba­lan­ça co­mer­ci­al, a pre­vi­são é de um su­pe­rá­vit de US$ 8,1 bi­lhões. Es­se re­sul­ta­do po­si­ti­vo só vai ser al­can­ça­do, por cau­sa da que­da mais for­te das im­por­ta­ções, que de­vem so­mar US$ 207,3 bi­lhões, re­cuo de 9,5%, an­te 2014. “O ce­ná­rio pa­ra fren­te da ba­lan­ça co­mer­ci­al é mui­to ruim, in­fe­liz­men­te”, res­sal­ta Cas­tro.

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