Dó­lar fe­cha co­ta­do a R$ 3,26, mai­or va­lor desde abril de 2003

O Diario do Norte do Parana - - ECONOMIA - Fa­brí­cio de Cas­tro Agên­cia Es­ta­do

Es­ca­la­da foi pro­vo­ca­da pe­las pre­o­cu­pa­ções com a eco­no­mia na­ci­o­nal e a cri­se po­lí­ti­ca Na má­xi­ma do dia, mo­e­da che­gou a R$ 3,279, no fim do pre­gão con­ta­bi­li­zou al­ta de 3,36%

Em uma ses­são ten­sa, on­tem, o dó­lar vol­tou a dis­pa­rar an­te o re­al e atin­giu o mai­or va­lor em qua­se 12 anos. As pre­o­cu­pa­ções com a eco­no­mia bra­si­lei­ra e com a cri­se po­lí­ti­ca se so­ma­ram ao fir­me avan­ço da mo­e­da, no ex­te­ri­or, em meio à ava­li­a­ção de que o Fe­de­ral Re­ser­ve (Fed, o ban­co cen­tral dos Es­ta­dos Unidos) es­tá pró­xi­mo de ele­var a ta­xa de ju­ros.

No pi­or mo­men­to do dia, o dó­lar, ne­go­ci­a­do à vis­ta no bal­cão, che­gou a se apro­xi­mar dos R$ 3,28, pa­ra en­cer­rar em pa­ta­mar um pou­co me­nor, aos R$ 3,26, com al­ta de 3,36%. É o mai­or va­lor pa­ra a mo­e­da desde dois de abril de 2003. Fon­tes do go­ver­no se mo­vi­men­ta­ram após o en­cer­ra­men­to dos ne­gó­ci­os à vis­ta, ci­tan­do, in­clu­si­ve, “cla­ro exa­ge­ro” na al­ta da di­vi­sa. Is­so im­pac­tou a mo­e­da pa­ra abril, que su­bia um pou­co me­nos no fim da tar­de (+2,34%,aosR$3,2605).

Pe­la ma­nhã, as ten­sões in­ter­nas, am­pli­fi­ca­das pe­lo re­tor­no das ma­ni­fes­ta­ções em vá­ri­as ci­da­des do País, já abri­am es­pa­ço pa­ra a bus­ca de dó­la­res. (Leia mais na pá­gi­na A8). No ex­te­ri­or, a mo­e­da norte-ame­ri­ca­na tam­bém su­bia an­te vá­ri­as di­vi­sas, com in­ves­ti­do­res se po­si­ci­o­nan­do an­tes da reu­nião do Fed, na se­ma­na que vem. A lei­tu­ra era de que o Fed ten­de a dar si­nais de que­a­al­ta­de­ju­ro­ses­tá­pró­xi­ma.

O mo­vi­men­to foi in­ten­si­fi­ca­do no iní­cio da tar­de, após no­tí­ci­as pu­bli­ca­das na im­pren­sa de que o go­ver­no vê par­te da al­ta do dó­lar co­mo es­pe­cu­la­ção e que não quei­ma­rá re­ser­vas pa­ra con­ter o avan­ço. Em meio a lei­tu­ra de que o Ban­co Cen­tral (BC) não en­tra­rá nos ne­gó­ci­os, o dó­lar che­gou a se apro­xi­mar dos R$ 3,28, no bal­cão, pa­ra de­pois se aco­mo­dar, em pa­ta­ma­res mais bai­xos. Na má­xi­ma, vis­ta às 12h47, a mo­e­da de bal­cão mar­cou R$ 3,279 (+3,96%). Mais ce­do, às 9h27, a mo­e­da ha­via mar­ca­do a mí­ni­ma­deR$3,182(+0,89%).

A pres­são foi tão for­te que, no meio da tar­de, a di­vi­sa pa­ra ja­nei- ro de 2016 era co­ta­da aci­ma dos R$ 3,53. Os contratos fu­tu­ros de dó­lar pa­ra pra­zos mais dis­tan­tes não são lí­qui­dos na BM&FBovespa, mas ope­ra­do­res co­tam a mo­e­da com ba­se na va­ri­a­ção do dó­lar pa­ra abril, da cur­va de DI e da cur­va de cu­pom cam­bi­al. As­sim, players que ten­tas­sem fe­char ne­gó­ci­os on­tem à tar­de no mer­ca­do de op­ções cam­bi­ais, por exem­plo, en­con­tra­ri­am co­ta­ções pró­xi­mas dos R$ 3,53 so­ma­da­sa­os­pre­ad­dos­ban­cos.

No mer­ca­do à vis­ta de câm­bio in­ter­na­ci­o­nal, o re­al era a mo­e­da que acu­mu­la­va a mai­or per­da de va­lor, em 2015, an­te o dó­lar. Du­ran­te a tar­de, o avan­ço acu­mu­la­do es­te ano da mo­e­da an­te o re­al nes­se mer­ca­do es­ta­va aci­ma de 22% - bem mais que os cer­ca de 15% que a di­vi­sa dos EUA ti­nha acu­mu­la­do an­te a co­roa di­na­mar­que­sa (se­gun­da que mais per­deu­no­a­no­a­téa­go­ra).

Pou­co de­pois do fe­cha­men­to da mo­e­da de bal­cão, per­to das 16h30, fon­tes do go­ver­no fa­la­ram à Agên­cia Es­ta­do. Elas dis­se­ram que o BC pro­cu­ra mos­trar que o ajus­te no câm­bio tem que se dar de ma­nei­ra su­a­ve e que a ins­ti­tui­ção vê cla­ro exa­ge­ro na al­ta do dó­lar no Bra­sil. Ain­da se­gun­do as fon­tes, a au­to­ri­da­de mo­ne­tá­ria ava­lia que o mo­vi­men­to do dó­lar, on­tem, re­fle­te olhar de cur­to pra­zo, de­vi­do à reu­nião do Fed na pró­xi­ma se­ma­na. As de­cla­ra­ções le­va­ram o dó­lar pa­ra abril a de­sa­ce­le­rar a al­ta, mas a mo­e­da vol­tou a se for­ta­le­cer com co­men­tá­ri­os de ou­tra fon­te da equi­pe econô­mi­ca, de que o go­ver­no não vai in­ter­vir­no­câm­bio.

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