Fan­tas­ma do fe­cha­men­to de mais usi­nas ron­da iní­cio da sa­fra de ca­na

O Diario do Norte do Parana - - AGRONEGÓCIO - Luiz de Car­va­lho car­va­lho@odi­a­rio.com

Cri­se se es­ten­de desde 2008; dí­vi­da da ca­deia pro­du­ti­va do açú­car e ál­co­ol so­ma R$ 85,4 bi Em se­te anos, 83 uni­da­des de 384 fo­ram de­sa­ti­va­das no País; es­te ano 10 po­dem fe­char as por­tas

As usi­nas de eta­nol e açú­car do Pa­ra­ná ini­ci­am nos pri­mei­ros di­as do mês que vem a sa­fra 2015/2016, que de­ve­rá ser a sé­ti­ma con­se­cu­ti­va da cri­se que se es­ten­de desde 2008, com con­ge­la­men­to de in­ves­ti­men­tos e pro­du­ção e que, a exem­plo das dos úl­ti­mos anos, de­ve ter­mi­nar com o fe­cha­men­to de mais usi­nas. Nos úl­ti­mos se­te anos, 83 usi­nas de ca­na, de um to­tal de 384, fo­ram fe­cha­das no Bra­sil, o que re­pre­sen­ta uma per­da de ca­pa­ci­da­de de pro­ces­sa­men­to de 75,4 mi­lhões de to­ne­la­das de ca­na. No Pa­ra­ná, que em 2008 exis­ti­am seis pro­je­tos de cons­tru­ção de no­vas usi­nas, to­dos fo­ram con­ge­la­dos e, o que é pi­or, du­as uni­da­des da re­gião de Ma­rin­gá fe- cha­ram e há ris­co de fe­cha­men­to de ou­tras du­as nes­te ano. No País, a pre­vi­são é de que pe­lo me­nos mais 10 uni­da­des fe­chem até o tér­mi­no da sa­fra.

De acor­do com cál­cu­lo da Ar­cher Con­sul­tin, es­pe­ci­a­li­za­da no seg­men­to, a dí­vi­da da ca­deia pro­du­ti­va de açú­car e ál­co­ol, que era de R$ 48 bi­lhões, em 2012, che­ga nes­te iní­cio de sa­fra a R$ 85,4 bi­lhões; cres­ci­men­to de 77%,em­me­nos­de­trê­sa­nos.

Na aná­li­se do pre­si­den­te da As­so­ci­a­ção dos Pro­du­to­res de Bi­o­e­ner­gia do Pa­ra­ná (Al­co­par), Ru­bens Mi­guel Tra­nin, a dis­pa­ra­da do en­di­vi­da­men­to é con­sequên­cia da per­da de com­pe­ti­ti­vi­da­de do eta­nol fren­te à ga­so­li­na nos úl­ti­mos anos, pro­vo­ca­da pe­lo con­tro­le dos pre­ços, por meio de sub­sí­dio, da­da à isen­ção da Con­tri­bui­ção de In­ter­ven­ção no Do­mí­nio Econô­mi­co (Ci­de), do com­bus­tí­vel fós- sil. A Ci­de vol­tou a ser co­bra­da, no mês pas­sa­do, mas o es­tra­go já es­ta­va fei­to e pi­o­rou mui­to com a va­lo­ri­za­ção do dó­lar an­te o re­al, por­que par­te das dí­vi­das das em­pre­sas é em mo­e­da es­tran­gei­ra. Se­gun­do ele, ao se­gu­rar o re­a­jus­te da ga­so­li­na, o go­ver­no pro­vo­cou um efei­to cas­ca­ta que atin­giu em cheio quem apos­tou no eta­nol, por­que o pre­ço da ga­so­li­na é o ba­li­za­dor pa­ra a co­ta­ção do com­bus­tí­vel ex­traí­do da ca­na, que só é com­pe­ti­ti­vo se cus­tar me­nos de 70% do va­lor da ga­so­li­na.

Re­ne­go­ci­a­ção

Em reu­nião com os re­pre­sen­tan­tes das usi­nas pa­ra­na­en­ses, na sex­ta-fei­ra pas­sa­da, o pre­si­den­te da Al­co­par so­li­ci­tou que ca­da em­pre­sa pre­pa­re um le­van­ta­men­to das dí­vi­das pa­ra uma pro­pos­ta a ser fei­ta ao go­ver­no fe­de­ral de re­ne­go­ci­a­ção do pas­si­vo das in­dús­tri­as. A ideia sur­giu em uma reu­nião, em Goi­â­nia (GO), de re­pre­sen­tan­tes do se­tor su­cro­e­ner­gé­ti­co e dos go­ver­na­do­res dos Es­ta­dos pro­du­to­res e foi apre­sen­ta­da pe­lo go­ver­na­dor do Pa­ra­ná, Be­toRi­cha(PSDB).

A bus­ca de uma aber­tu­ra do go­ver­no fe­de­ral pa­ra re­ne­go­ci­a­ção se de­ve ao fa­to de boa par­te das em­pre­sas do se­tor, jus­ta­men­te as que mais pre­ci­sam, não aten­der os re­qui­si­tos pa­ra bus­car cré­di­to ofe­re­ci­do pe­lo pró­prio go­ver­no por meio do Pro­gra­ma de Apoio à Re­no­va­ção e Im­plan­ta­ção de No­vos Ca- na­vi­ais (Pró-Re­no­va), do Ban­co Na­ci­o­nal de De­sen­vol­vi­men­to Econô­mi­co e Social (BNDES). O mon­tan­te pa­ra a sa­fra 2015/2016 se­rá di­vul­ga­do no lan­ça­men­to do Pla­no Sa­fra e a pre­vi­são é de que­pas­se­deR$6bi­lhões.

Tra­nin diz que o se­tor en­ten­de que ocor­re­ram im­por­tan­tes ações do go­ver­no pa­ra ten­tar aju­dar ou pe­lo me­nos re­du­zir os pro­ble­mas dos pro­du­to­res de eta­nol, co­mo a vol­ta da Ci­de no pre­ço da ga­so­li­na e o au­men­to de 25% pa­ra 27% a quan­ti­da­de da mis­tu­ra de ál­co­ol ani­dro na ga­so­li­na. “Es­tas me­di­das são im­por­tan­tes e fo­ram pe­di­das pe­los em­pre­sá­ri­os do se­tor, mas os be­ne­fí­ci­os só se­rão sen­ti­dos no lon­go pra­zo”, des­ta­ca.

—FO­TO: ARQUIVO/DNP

GAR­GA­LO. Pro­ble­ma é a per­da da com­pe­ti­ti­vi­da­de do eta­nol fren­te à ga­so­li­na.

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