Aos 52, mor­re Ch­ris Cor­nell

O Diario do Norte do Parana - - CULTURA - Pe­dro An­tu­nes Agência Es­ta­do

Avoz­do­grun­ge,uma­das­me­lho­res sur­gi­das du­ran­te a vi­ra­da das dé­ca­das de 1980/1990, se si­len­ci­ou. Mor­reu Ch­ris Cor­nell, vo­ca­lis­ta do Sound­gar­den e do Au­di­os­la­ve, na noi­te de quar­ta, em De­troit, ho­ras de­pois de se apre­sen­tar na ci­da­de com o Sound­gar­den, em uma tur­nê da ban­da pe­los EUA. Em um co­mu­ni­ca­do, a fa­mí­lia pe­diu pri­va­ci­da­de e afir­mou que co­la­bo­ra­rá com os le­gis­tas pa­ra de­ter­mi­nar a cau­sa da mor­te, ain­da in­de­fi­ni­da. A po­lí­cia sus­pei­ta de sui­cí­dio.

Ch­risCor­nell,nas­ci­do­emSe­at­tle, em 1964, ti­nha 52 anos. Era casado com Vicky Ka­rayi­an­nis, com qu­em te­ve dois fi­lhos, To­ni, nas­ci­da em 2004, e Ch­ris­topher Ni­co­las, em 2005. Cor­nell ha­via se con­ver­ti­do à religião ca­tó­li­ca or­to­do­xa gre­ga. Foi à fren­te do Sound­gar­den que Cor­nell fez his­tó­ria. Vi­veu, na­que­les anos emSe­at­tle,no­e­pi­cen­tro­do­grun­ge, com o me­lhor e pi­or que o rock po­de­ria tra­zer. Di­vi­dia apê com An­drew Wo­od, vo­ca­lis­ta da ban­da Mother Lo­ve Bo­ne, mor­to ain­da an­tes de lan­çar o pri­mei­ro dis­co do gru­po, após uma over­do­se­dehe­roí­na,em1990.

Quan­do cri­ou o Sound­gar­den, Cor­nell di­vi­dia as res­pon­sa­bi­li­da­des de ba­te­ris­ta e vo­ca­lis­ta. Pa­ra a sor­te do mun­do, dei­xou as ba­que­tas de la­do pa­ra se tor­nar um dos mai­o­res can­to­res de rock que já se te­ve no­tí­cia. Na ex­plo­são do grun­ge, o que era con­si­de­ra­do mú­si­ca al­ter­na­ti­va rom­pia sua bo­lha e che­ga­va ao mains­tre­am. Uma voz co­mo a de Cor­nell, rou­ca e de al­can­ce in­ve­já­vel, era mais pa­la­tá­vel do que ou­tros vo­ca­lis­tas no­tá­veis do mo­vi­men­to que ebu­lia em Se­at­tle, co­mo Ed­die Ved­der, do Pe­arl Jam, e Kurt Co­bain, com o Nir­va­na.

Di­an­te do potencial da voz de Cor­nell, o Sound­gar­den se tor­nou a pri­mei­ra ban­da do grun­ge a assinar con­tra­to com uma gran­de gra­va­do­ra, de­pois de ter lan­ça­do o dis­co de es­treia, “Ul­tra­me­ga OK”, de 1988, pe­lo se­lo in­die SST Re­cords. Foi com “Su­pe­runk­nown”, ál­bum de 1994, que o Sound­gar­den atin­giu seu ápi­ce. Cor­nell cul­pou a in­dús­tria fo­no­grá­fi­ca co­mo res­pon­sá­vel pe­la ten­são en­tre os in­te­gran­tes do Sound­gar­den em me­a­dos da dé­ca­da de 1990. Em 1997, a ban­da anun­ci­ou que en­tra­ria em­re­ces­so.

Uma voz co­mo a de Cor­nell não fi­ca­ria ca­la­da por mui­to tem­po. Lo­go, em 1999, ele lan­çou seu pri­mei­ro dis­co so­lo, “Eupho­ria Mor­ning”, um tra­ba­lho com me­nos pan­ca­das gui­tar­rei­ras. Era o go­gó ave­lu­da­do de Cor­nell que di­ta­ria as re­gras da sua car­rei­ra da­li pa­ra fren­te.

Na úl­ti­ma pas­sa­gem pe­lo Bra­sil, ele se­guiu por Rio de Ja­nei­ro, Cu­ri­ti­ba e São Pau­lo. Mes­mo que Cor­nell e o Sound­gar­den te­nham fei­to as pa­zes, lan­ça­do um no­vo dis­co, cha­ma­do “King Ani­mal”, em 2012, e até to­ca­do no País no Lol­la­pa­lo­o­za, ele não ti­nha mais in­te­res­se na­que­la pan­ca­da so­no­ra. Cor­nell di­zia se di­ver­tir com a ex­pe­ri­ên­cia de per­for­man­ces mais in­ti­mis­tas. “Tal­vez o Ch­ris Cor­nell de 25 anos atrás não ti­ves­se a mes­ma tran­qui­li­da­de pa­ra fazer uma apre­sen­ta­ção des­sas co­mo ho­je”,ad­mi­tiu­o­mú­si­co.

—FO­TO: DIVULGAÇÃO

VOZ ROU­CA. Com a Sound­gar­den, Ch­ris Cor­nell agi­tou a ce­na grun­ge nos anos 1990: sus­pei­ta-se de sui­cí­dio.

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