Des­va­lo­ri­za­do, tri­go per­de es­pa­ço pa­ra o mi­lho sa­fri­nha

O Diario do Norte do Parana - - AGRONEGÓCIO - Luiz de Car­va­lho car­va­lho@odi­a­rio.com Chu­va be­né­fi­ca

A sa­ca de 60 quilos do tri­go era en­con­tra­da, on­tem, a R$ 31,35, pre­ço mais bai­xo dos úl­ti­mos quatro anos No País, a área com a cul­tu­ra é 22% menor que em 2016

O pre­ço da sa­ca do tri­go, pa­go ao pro­du­tor, atin­giu on­tem o va­lor mais bai­xo dos úl­ti­mos quatro anos, R$ 31,35 a sa­ca de 60 quilos, 5,3% me­nos do que era pa­go em ja­nei­ro e 23% me­nos do que os R$ 40,81 de maio do ano pas­sa­do.

A des­va­lo­ri­za­ção do pro­du­to é apon­ta­da co­mo prin­ci­pal ra­zão pa­ra ca­da vez mais pro­du­to­res de­sis­ti­rem do ce­re­al e ano a ano a área de­di­ca­da à triticultura ser re­du­zi­da no Pa­ra­ná, mai­or pro­du­tor do grão no Bra­sil.

Nes­te ano, se­gun­do es­ti­ma­ti- va do De­par­ta­men­to de Eco­no­mia Ru­ral (De­ral) da Se­cre­ta­ria da Agricultura e Abas­te­ci­men­to, a área com tri­go no Pa­ra­ná se­rá 8% menor do que a do ano pas­sa­do, mas no País a re­du­ção che­ga a 22%, de acor­do com le­van­ta­men­to da Companhia Na­ci­o­nal de Abas­te­ci­men­to (Co­nab).

Nes­ta se­ma­na, o plan­tio de tri­go en­tra na re­ta final na re­gião de Ma­rin­gá e o De­ral cal­cu­la que tam­bém aqui a área com o ce­re­al en­co­lheu de 15,3 mil hec­ta­res do ano pas­sa­do pa­ra 14 mil nes­te ano, uma re­du­ção de qua­se 9%.

Na re­gião de Man­da­gua­ri, Jan­daia do Sul e Ma­rum­bi a re­du­ção se­rá ain­da mai­or, pró- xi­mo de 20%, se­gun­do o en­ge­nhei­ro agrô­no­mo Car­los Mo­rais, da Co­o­pe­ra­ti­va Agroin­dus­tri­al de Man­da­gua­ri (Co­ca­ri).

“O pro­du­tor de tri­go di­fi­cil­men­te de­sis­te da ati­vi­da­de, mas co­me­ça a des­ti­nar áre­as ca­da vez me­no­res pa­ra a cul­tu­ra, pre­fe­rin­do ar­ris­car mais com o mi­lho sa­fri­nha, que tem da­do óti­mas co­lhei­tas nos úl­ti­mos anos”, diz Mo­rais.

O agricultor Ro­ber­to Fa­vo­ret­to, de Man­da­gua­ri, que já foi um dos mai­o­res pro­du­to­res de tri­go do Pa­ra­ná, nes­te ano não plan­tou se­quer um pé do ce­re­al. “Es­ta é a pri­mei­ra vez que acon­te­ce is­to des­de que co­me­cei a plantar tri­go, em 1981”, diz is­to co­mo la­men­to, por­que sem­pre gos­tou da cul­tu­ra.

“O cus­to de pro­du­ção es­tá em cer­ca de R$ 38 por sa­ca, bem aci­ma do va­lor que con­si­go ven­der. Por is­to, de­ci­di apro­vei­tar que já ti­nha fei­to uma boa adu­ba­ção do so­lo e fui pa­ra o mi­lho sa­fri­nha, que mesmo não es­tan­do com pre­ço bom ain­da va­le a pe­na”, com­ple­ta.

Se­gun­do Fa­vo­ret­to, além de es­tar com va­lor mui­to bai­xo, o tri­go é uma cul­tu­ra de al­to ris­co, sem­pre na mira de vá­ri­os ti­pos de do­en­ças e fun­gos - co­mo bru­so­ne e gi­be­re­la - e co­mo é plan­ta­do só a par­tir de abril, es­ta­rá em uma fa­se em que a plan­ta es­tá sus­cep­tí­vel de da­nos se ocor­re­rem ge­a­das em ju­lho e agos­to. O plan­tio de tri­go no no­ro­es­te estava on­tem em 95% da área e fi­cou pa­ra­do nos úl­ti­mos di­as de­vi­do ao ex­ces­so de chu­vas. “Es­ta chu­va que atra­sou em al­guns di­as tam­bém traz be­ne­fí­ci­os pa­ra o tri­go que já es­tá plan­ta­do”, diz o téc­ni­co Moi­sés Ba­ri­on Bo­lo­nhez, do De­ral em Ma­rin­gá.

Ape­sar da re­du­ção da área, o De­ral es­ti­ma que a re­gião de Ma­rin­gá vai co­lher entre 100 e 113 sa­cas por hec­ta­re, po­den­do al­can­çar uma pro­du­ção ain­da mai­or se não ocor­re­rem pro­ble­mas cli­má­ti­cos até a for­ma­ção dos ca­chos.

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