‘Eu dei­xei de ter pra­zer em ir às au­las’

O Estado de S. Paulo - - Metrópole - / F.C. e L.F.T.

“An­tes de en­trar na fa­cul­da­de, nun­ca ti­nha ti­do sin­to­mas de de­pres­são. No fim do se­gun­do ano da gra­du­a­ção, em 2014, co­me­cei a me sen­tir mal na­que­le am­bi­en­te. Fui pro­cu­rar aju­da qu­an­do sou­be que um co­le­ga da mi­nha sa­la ti­nha se sui­ci­da­do e que aqui­lo es­ta­va per­to de mim.

Em to­da a mi­nha vi­da, sem­pre fui uma alu­na de­di­ca­da, mas, no ter­cei­ro ano do cur­so, eu dei­xei de ter pra­zer em ir às au­las, em fa­zer es­por­te, não con­se­guia sair da ca­ma, co­me­cei a per­der os di­as de pro­va. Sen­tia que mi­nha vi­da era in­sig­ni­fi­can­te. A con­vi­vên­cia com pes­so­as mui­to do­en­tes nos hos­pi­tais, a pres­são pa­ra ir bem na fa­cul­da­de e a com­pe­ti­ção en­tre os co­le­gas me dei­xa­vam tris­te.

Em 2015, já com de­pres­são, co­me­cei a cor­tar meus bra­ços, meus pés. No meio do ano, to­mei uma over­do­se de re­mé­di­os. Fui so­cor­ri­da e, de­pois de pas­sar por is­so, re­sol­vi que pa­ra­ria a fa­cul­da­de pa­ra cui­dar da mi­nha saú­de men­tal.

Pro­cu­rei psi­qui­a­tras, pas­sei um tem­po vi­a­jan­do, co­me­cei te­ra­pia, ado­tei um ca­chor­ro, vol­tei a fa­zer tra­ba­lho vo­lun­tá­rio. Nes­te ano, re­tor­nei pa­ra a fa­cul­da­de sem nun­ca es­que­cer que eu te­nho de es­tar sem­pre aler­ta. Tris­te­zas, frus­tra­ções e pen­sa­men­tos ruins vão apa­re­cer, mas ho­je per­ce­bo que não te­nho que me es­con­der ou me mu­ti­lar. Apren­di for­mas de li­dar e pro­cu­rar aju­da.”

Newspapers in Portuguese

Newspapers from Brazil

© PressReader. All rights reserved.