No­vos es­tí­mu­los ao consumo

O Estado de S. Paulo - - Primeira Página -

Hu­mor no fi­nal de ano aju­da a de­fi­nir co­mo se­rá ano se­guin­te.

Acons­ta­ta­ção de que o rit­mo da ati­vi­da­de econô­mi­ca con­ti­nua au­men­tan­do, em­bo­ra não na ve­lo­ci­da­de de­se­ja­da pe­lo go­ver­no e pe­los em­pre­sá­ri­os, tem le­va­do as au­to­ri­da­des a ado­tar su­ces­si­vas me­di­das de es­tí­mu­lo ao consumo, com o pro­pó­si­to de dar mais con­sis­tên­cia à re­to­ma­da. Es­sas me­di­das de­ve­rão dar um vi­go­ro­so apoio à eco­no­mia nes­te fim de ano.

En­tre elas es­tão a li­be­ra­ção de re­cur­sos das con­tas ina­ti­vas do Fun­do de Ga­ran­tia do Tem­po de Ser­vi­ço (FGTS) e do PIS-Pa­sep e re­du­ções do cus­to do cré­di­to con­sig­na­do em fo­lha de pa­ga­men­to, pa­ra ci­tar al­gu­mas das mais im­por­tan­tes.

As de­ci­sões re­cen­tes da Cai­xa Econô­mi­ca Fe­de­ral (CEF) re­la­ti­vas à ofer­ta de cré­di­to ha­bi­ta­ci­o­nal e à aber­tu­ra de li­nha de empréstimos pa­ra o co­mér­cio va­re­jis­ta en­gros­sam o rol de me­di­das des­ti­na­das a ani­mar os ne­gó­ci­os às vés­pe­ras das fes­tas de fim de ano. Elas se in­se­rem num con­tex­to mais am­plo em que a con­jun­tu­ra econô­mi­ca co­me­ça a se de­sa­nu­vi­ar, gra­ças à rá­pi­da re­du­ção da taxa bá­si­ca de ju­ros, tor­na­da pos­sí­vel pela pers­pec­ti­va de in­fla­ção em bai­xa e es­tá­vel, con­fir­ma­da pe­lo IPCA e pe­lo IGP-M há pou­co di­vul­ga­dos.

Anun­ci­a­da há pou­co, uma par­ce­ria en­tre a CEF e a As­so­ci­a­ção de Lo­jis­tas de Shop­pings (Alshop) vai as­se­gu­rar li­nha de cré­di­to de R$ 500 milhões em con­di­ções fa­vo­rá­veis pa­ra 54 mil co­mer­ci­an­tes li­ga­dos à en­ti­da­de, que po­de­rão to­mar re­cur­sos pa­ra ca­pi­tal de gi­ro pa­gan­do ju­ros de 0,83% ao mês, muito in­fe­ri­o­res à mé­dia de mer­ca­do. Em­bo­ra se­ja um vo­lu­me de re­cur­sos mo­des­to, não se de­ve me­nos­pre­zar a im­por­tân­cia dos shopping cen­ters co­mo centros de com­pra, em es­pe­ci­al, nas da­tas fes­ti­vas.

Ou­tros fa­to­res con­tri­bu­em tam­bém pa­ra tor­nar o momento fa­vo­rá­vel ao consumo, a co­me­çar pela li­be­ra­ção, até o fim des­te mês, da pri­mei­ra par­ce­la do 13.º sa­lá­rio pa­ra mais de 83 milhões de pes­so­as, se­guin­do­se, até 20 de de­zem­bro, o pa­ga­men­to da se­gun­da par­ce­la, num to­tal es­ti­ma­do em R$ 200 bi­lhões pe­lo Mi­nis­té­rio do Tra­ba­lho e pe­lo De­par­ta­men­to In­ter­sin­di­cal de Es­ta­tís­ti­ca e Es­tu­dos So­ci­o­e­conô­mi­cos (Di­e­e­se).

Ao to­do, 48 milhões de tra­ba­lha­do­res do mer­ca­do for­mal re­ce­be­rão cer­ca de R$ 133 bi­lhões e os 35 milhões de apo­sen­ta­dos e pen­si­o­nis­tas, ou­tros R$ 68 bi­lhões. Par­te des­ses re­cur­sos já foi adi­an­ta­da a tra­ba­lha­do­res que ti­ra­ram fé­ri­as ao lon­go do ano ou a apo­sen­ta­dos que re­ce­be­ram no ter­cei­ro tri­mes­tre a me­ta­de do 13.º sa­lá­rio, mas a mai­or par­te des­se mon­tan­te só nos pró­xi­mos di­as es­ta­rá à dis­po­si­ção dos em­pre­ga­dos e dos be­ne­fi­ciá­ri­os da Pre­vi­dên­cia So­ci­al.

O am­bi­en­te pro­pí­cio a um fim de ano mais ani­ma­dor pa­ra o va­re­jo e a eco­no­mia já vi­nha ga­nhan­do for­ça com a vol­ta da de­man­da de mão de obra, in­clu­si­ve pa­ra pre­en­cher as va­gas tem­po­rá­ri­as aber­tas nos fins de ano pe­lo co­mér­cio va­re­jis­ta.

Há uma ní­ti­da per­cep­ção de que a ren­da real dos tra­ba­lha­do­res es­tá au­men­tan­do, o que re­for­ça a im­por­tân­cia de outra de­ci­são da CEF, que anun­ci­ou a li­be­ra­ção de R$ 8,7 bi­lhões pa­ra ope­ra­ções de cré­di­to imo­bi­liá­rio des­ti­na­do a fa­mí­li­as de bai­xa ren­da (até R$ 4 mil men­sais). O ob­je­ti­vo é aten­der à de­man­da de mu­tuá­ri­os po­ten­ci­ais que já cons­ta­tam a me­lho­ra da sua ren­da e das pers­pec­ti­vas de em­pre­go e se dis­põem a to­mar cré­di­to de lon­go pra­zo pa­ra ad­qui­rir mo­ra­dia pró­pria.

Os in­di­ca­do­res de que­da da ina­dim­plên­cia di­vul­ga­dos pela As­so­ci­a­ção Co­mer­ci­al de São Pau­lo (ACSP) tam­bém de­vem ser con­si­de­ra­dos um si­nal po­si­ti­vo pa­ra os con­su­mi­do­res, cu­jos or­ça­men­tos do­més­ti­cos po­de­rão abri­gar, sem muito sa­cri­fí­cio, a to­ma­da de no­vos empréstimos, tan­to pa­ra investimento, ca­so da mo­ra­dia pró­pria, co­mo pa­ra consumo.

A me­lho­ra do hu­mor nos fins de ano é im­por­tan­te pa­ra de­fi­nir co­mo se­rá 2018. Com mais con­fi­an­ça, os con­su­mi­do­res po­de­rão pre­pa­rar com me­nos sufoco do que em anos pas­sa­dos seu pla­ne­ja­men­to pa­ra o ano que vem. Pre­ços mais bai­xos, co­mo se es­pe­ra, per­mi­ti­rão que o Na­tal con­fir­me a me­lho­ra de ven­das pre­vis­ta.

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