6.1. Vi­da

6. FRI­E­DRI­CH NIETZSCHE: VON­TA­DE DE PO­DER E NIILISMO

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Fri­e­dri­ch Wi­lhelm Nietzsche nas­ceu em Röc­ken, Es­ta­do de Saxô­nia-Anhalt, na Prús­sia, 1844. Seu pai, Karl Ludwig, e seus dois avós, eram pas­to­res pro­tes­tan­tes. Em 1849, o pai e o ir­mão de Nietzsche fa­le­ce­ram. A mãe, Fran­zis­ka Oeh­ler, mu­dou-se pa­ra a ci­da­de­zi­nha de Naum­burg, on­de nos­so au­tor cres­ceu. Em 1859, Nietzsche ob­te­ve uma bol­sa de es­tu­dos na Es­co­la de Pfor­ta, on­de tam-

bém es­tu­da­ram o fi­ló­so­fo Johann Got­tli­eb Fi­ch­te (1762 – 1814) e o po­e­ta No­va­lis (1772 – 1801). É nes­ta al­tu­ra que Nietzsche en­trou em con­ta­to com a obra de Schil­ler (1759 – 1805), Höl­der­lin (1770 – 1843) e By­ron (1788 – 1824), co­me­çan­do a se afas­tar do cris­ti­a­nis­mo.

Cha­ma­do a pres­tar ser­vi­ço mi­li­tar, em 1867, Nietzsche foi ví­ti­ma de um aci­den­te de mon­ta­ria, ten­do-se li­vra­do des­sa obri­ga­ção. Em 1872, ele pu­bli­cou o li­vro O Nas­ci­men­to da Tra­gé­dia. Es­se pen­sa­dor co­me­çou sua car­rei­ra in­te­lec­tu­al tra­ba­lha­do co­mo fi­ló­lo­go, in­flu­en­ci­a­do por Fri­e­dri­ch Rits­chl (1806 – 1876). Ami­go e ad­mi­ra­dor de Ri­chard Wag­ner (1813 – 1883) des­de a dé­ca­da de 1860, Nietzsche fre­quen­tou a ca­sa da­que­le em Tribs­chen, aca­ban­do por se apai­xo­nar pe­la mu­lher do com­po­si­tor, Co­si­ma (1837 – 1930), que era fi­lha do pi­a­nis­ta e com­po­si­tor Franz Liszt (1811 – 1886).

Em 1869 ele foi no­me­a­do pro­fes­sor de fi­lo­lo­gia clás­si­ca na Uni­ver­si­da­de de Ba­si­leia. Em 1879, de­vi­do a pro­ble­mas de saú­de, Nietzsche aban­do­nou o en­si­no, pas­san­do a ter uma vi­da er­ran­te, em bus­ca da cu­ra pa­ra a doença que o afe­ta­va e, tam­bém, à pro­cu­ra de um am­bi­en­te fa­vo­rá­vel pa­ra con­ti­nu­ar a es­cre­ver su­as obras. Em 1880, Nietzsche pu­bli­cou O An­da­ri­lho e sua Som­bra. No ano de 1882, ele pu­bli­cou A Gaia Ci­ên­cia e, dois anos mais tar­de, As­sim Fa­lou Za­ra­tus­tra. Pa­ra Além do Bem e do Mal se­ria da­do a co­nhe­cer em 1886 e, em 1888, o au­tor pu­bli­cou O Ca­so Wag­ner, Cre­pús­cu­lo dos Ído­los e, ain­da, Nietzsche Con­tra Wag­ner.

Aos qua­ren­ta e qua­tro anos, em 1889, Nietzsche so­freu um co­lap­so, ten­do per­di­do su­as fa­cul­da­des men­tais. Ten­do as­su­mi­do o pa­pel de edi­to­ra de su­as obras, Eli­sa­beth, que era ca­sa­da com Ber­nhard Förs­ter (1843 – 1889), um na­ci­o­na­lis­ta e an­ti­se­mi­ta ale­mão, de­tur­pou os tex­tos de Nietzsche, ten­do-os adap­ta­do à ide­o­lo­gia do ma­ri­do. As­so­ci­a­da ao mi­li­ta­ris­mo ale­mão de fi­nais do sé­cu­lo XIX e das pri­mei­ras dé­ca­das do sé­cu­lo XX, a obra de Nietzsche só re­cu­pe­rou seu sen­ti­do ori­gi­nal após a re­a­li­za­ção de es­tu­dos crí­ti­cos que se de­bru­ça­ram so­bre os ori­gi­nais do au­tor.

Nietzsche fa­le­ceu em Wei­mar, em 1900. Seus li­vros Ec­ce Ho­mo, Di­ti­ram­bos Di­o­ni­sía­cos, O An­ti­cris­to e A Von­ta­de de Po­der se­ri­am pu­bli­ca­dos já sem a in­ter­ven­ção di­re­ta do au­tor.

No sé­cu­lo XIX, o pen­sa­men­to eu­ro­peu en­fren­ta­va a in­ter­ro­ga­ção acer­ca do va­lor atri­buí­do aos fun­da­men­tos da ci­vi­li­za­ção oci­den­tal. Se­gun­do Nietzsche, a ci­vi­li­za­ção oci­den­tal pas­sou por três eta­pas:

a) a do de­ver, na qual se ve­ri­fi­cou o do­mí­nio da mo­ral e da re­li­gião;

b) a do eu que­ro, que se re­fe­re ao oca­so do mun­do do de­ver e à li­ber­ta­ção da von­ta­de;

c) a do eu sou, na qual acon­te­ce uma no­va re­la­ção en­tre o in­di­ví­duo e sua exis­tên­cia.

A aná­li­se fi­lo­só­fi­ca de Nietzsche es­tá si­tu­a­da no âm­bi­to da se­gun­da eta­pa, a do eu que­ro. Es­se é o pe­río­do do niilismo eu­ro­peu.

6.1.2. Von­ta­de de po­der

Nietzsche nun­ca pu­bli­cou um li­vro in­ti­tu­la­do A Von­ta­de de Po­der. O li­vro que se co­nhe­ce com es­te tí­tu­lo foi or­ga­ni­za­do por sua ir­mã, Eli­sa­beth Förs­ter-Nietzsche, e por um dis­cí­pu­lo de Nietzsche, Pe­ter Gast. Os tex­tos que in­te­gram a obra são, no en­tan­to, da au­to­ria de Nietzsche, tal co­mo o com­pro­vam os es­tu­dos crí­ti­cos le­va­dos a ca­bo por di­ver­sos es­tu­di­o­sos. Es­te li­vro se­ria a sín­te­se do pen­sa­men­to fi­lo­só­fi­co do au­tor ale­mão.

O que é, en­tão, a von­ta­de de po­der em Nietzsche? Es­se con­cei­to sur­giu na obra Gaia Ci­ên­cia e é de­sen­vol­vi­do em As­sim Fa­lou Za­ra­tus­tra. Ne­la, o au­tor de­fen­de que a vi­da é “von­ta­de de po­der”. “Es­te mun­do é von­ta­de de po­der – e na­da, além dis­so!” ( A Von­ta­de de Po­der). Em Pa­ra Além do Bem e do Mal, o au­tor de­cla­ra que “o mun­do vis­to de den­tro, o mun­do de­fi­ni­do e de­sig­na­do con­for­me o seu `ca­rá­ter in­te­li­gí­vel' – se­ria jus­ta­men­te `von­ta­de de po­der', e na­da mais” ( Pa­ra Além do Bem e do Mal). Nietzsche as­si­na­la que aqui­lo que é re­al se ma­ni­fes­ta en­quan­to von­ta­de de po­der.

In­flu­en­ci­a­do por Char­les Darwin (1809 – 1882), que con­ce­be a von­ta­de co­mo a lu­ta pe­la vi­da e a so­bre­vi­vên­cia dos mais ap­tos, Nietzsche con­si­de­ra a von­ta­de co­mo uma for­ça positiva so­bre o ho­mem, uma ener­gia que o mo­bi­li­za, fa­zen­do-o ul­tra­pas­sar os obs­tá­cu­los e ven­cer os de­sa­fi­os que ele tem pe­la fren­te.

A ne­ces­si­da­de vi­tal que o ho­mem tem de se lan­çar com­pul­si­va­men­te so­bre os ob­je­tos da na­tu­re­za e so­bre a so­ci­e­da­de vi­san­do o seu do­mí­nio, te­ria por ba­se a pre­mis­sa de que “ca­da um de nós de­se­ja, no pos­sí­vel, ser o se­nhor de to­dos os ho­mens, e pre­fe­ri­vel­men­te deus”. Es­ta von­ta­de de po­der é vi­tal e amo­ral, não tem que ver com cri­té­ri­os mo­rais e é uma es­pé­cie de pul­são in­con­tro­lá­vel que faz com que o ho­mem en­fren­te to­das as vi­cis­si­tu­des pa­ra sa­ciá-la.

Em sua ple­ni­tu­de, a von­ta­de de po­der é um pri­vi­lé­gio dos mais for­tes. Aos fra­cos cabe a obe­di­ên­cia ou a

acei­ta­ção do ex­ter­mí­nio. Aque­le que im­põe sua von­ta­de aos ou­tros, não po­de ser cons­tran­gi­do pe­la mo­ral dos ho­mens co­muns, ou pe­los pre­cei­tos se­gui­dos pe­las mai­o­ri­as. O mais for­te faz su­as pró­pri­as regras, es­ta­be­le­ce pa­ra si qual é a me­lhor con­du­ta e não es­pe­ra de for­ma ne­nhu­ma que os ou­tros in­di­quem o mo­do co­mo de­ve agir. Ele não de­ve es­tra­nhar se o con­si­de­ram du­ro e in­sen­sí­vel, pois es­tes são os atri­bu­tos do su­per-ho­mem, que só tem ges­tos ge­ne­ro­sos pa­ra com os de­mais na me­di­da em que is­to o enal­te­ça ou sa­tis­fa­ça.

Aque­le que se sub­me­te à von­ta­de de po­der, des­pre­za “o co­var­de, o me­dro­so, o mes­qui­nho o que pen­sa na es­trei­ta uti­li­da­de; as­sim co­mo o des­con­fi­a­do, com seu olhar obs­truí­do, o que re­bai­xa a si mes­mo, a es­pé­cie ca­ni­na de ho­mem, que se dei­xa mal­tra­tar, o adu­la­dor que men­di­ga e, so­bre­tu­do, o men­ti­ro­so – é cren­ça bá­si­ca de to­dos os aris­to­cra­tas que o po­vo co­mum é men­ti­ro­so”. Ao ho­mem fra­co só res­ta ser­vir co­mo de­grau de apoio so­bre o qual o ho­mem su­pe­ri­or se apoia em sua as­cen­são aos pla­nos ele­va­dos da exis­tên­cia su­pe­ri­or.

6.1.3. Niilismo

O niilismo (em la­tim nihil, na­da) foi uma dou­tri­na fi­lo­só­fi­ca que se po­pu­la­ri­zou na Rús­sia, no sé­cu­lo XIX. Ten­do co­mo ad­ver­sá­ri­os os in­te­lec­tu­ais so­ci­a­lis­tas e anar­quis­tas que re­a­gi­am à len­ti­dão com que os cza­res pro­mo­vi­am as re­for­mas po­lí­ti­cas, os ni­i­lis­tas de­fen­di­am a au­sên­cia de sen­ti­do e de pro­pó­si­to pa­ra a exis­tên­cia hu­ma­na, pes­so­al e co­le­ti­va. Fo­ram seus representantes mais des­ta­ca­dos Ivan Tur­ge­nev (1818 – 1883), Dmi­tri Pi­sa­rev (1840 – 1868) e Ni­ko­lai Do­bro­liu­bov (1836-1861).

Em Nietzsche, o niilismo se en­con­tra pre­sen­te em a Ge­ne­a­lo­gia da Mo­ral, O Cre­pús­cu­lo dos Ído­los e O An­ti­cris­to.

Ao ana­li­sar a mo­ral cris­tã, Nietzsche afir­ma que os pri­mei­ros si­nais do “niilismo pas­si­vo” são a no­ção de fra­que­za e exaus­tão do es­pí­ri­to. O fim da cren­ça é a con­sequên­cia des­sa ina­de­qua­ção, no qual os va­lo­res de uma cul­tu­ra até en­tão vi­gen­te se des­fa­zem tra­zen­do à su­per­fí­cie o con­fli­to in­ter­no. Os va­lo­res que se en­con­tram em vi­gor não cor­res­pon­dem a qual­quer re­a­li­da­de. O va­lor só po­de­rá ser con­si­de­ra­do co­mo va­lor a par­tir do mo­men­to em que o su­jei­to o re­co­nhe­ce en­quan­to tal. Nietzsche afir­ma que

O `rei­no de Deus' é um es­ta­do do co­ra­ção – não al­go si­tu­a­do `aci­ma da ter­ra' ou a que se che­gue `de­pois da mor­te' –, a ho­ra, o tem­po, a vi­da fí­si­ca e su­as cri­ses não exis­tem em ab­so­lu­to pa­ra o Mes­tre da Boa No­va… O rei­no de Deus não é al­go que se aguar­de, não tem um on­tem, nem um “além de ama­nhã”, não che­ga `den­tro de mil anos' – é uma ex­pe­ri­ên­cia em um co­ra­ção, es­tá em to­da par­te, não es­tá em lu­gar al­gum (FRI­E­DRI­CH NIETZSCHE, O An­ti­cris­to).

À luz do men­ci­o­na­do tre­cho, Nietzsche con­si­de­ra que a:

Pa­la­vra “Cris­ti­a­nis­mo” ( Ch­ris­tenthum) é um mal en­ten­di­do – no fun­do hou­ve um úni­co cris­tão, e es­te mor­reu na cruz. O “Evan­ge­lho” mor­reu na cruz (FRI­E­DRI­CH NIETZSCHE, O An­ti­cris­to).

No que diz res­pei­to à te­o­lo­gia, Nietzsche cri­ti­ca a fi­na­li­da­de do Uni­ver­so e, si­mul­ta­ne­a­men­te, a anu­la­ção do tem­po e do es­pa­ço em fa­vor da di­vin­da­de. Es­cu­te­mos Nietzsche:

A te­o­lo­gia in­tei­ra es­tá edi­fi­ca­da so­bre o fa­lar-se do ho­mem dos úl­ti­mos qua­tro mi­lê­ni­os co­mo de um eter­no, em di­re­ção ao qual to­das as coi­sas do mun­do des­de seu iní­cio ten­de­ri­am na­tu­ral­men­te. Mas tu­do veio a ser; não há fa­tos eter­nos; as­sim co­mo não há ver­da­des ab­so­lu­tas (FRI­E­DRI­CH NIETZSCHE, Hu­ma­no, De­ma­si­a­do Hu­ma­no).

O niilismo, que es­tá pre­sen­te na cul­tu­ra oci­den­tal, des­de Pla­tão, ga­nha par­ti­cu­lar re­le­vo no cris­ti­a­nis­mo, que Nietzsche tra­ta co­mo a doença prin­ci­pal do niilismo. Os va­lo­res pró­pri­os do cris­ti­a­nis­mo têm sua ori­gem a par­tir da tor­tu­ra e o su­plí­cio da cons­ci­ên­cia. A trans­va­lo­ra­ção é, pa­ra o au­tor, a au­to­cons­ci­ên­cia em que o ho­mem pas­sa a en­fren­tar a “mor­te de Deus”. Es­sa au­to­cons­ci­ên­cia traz à vi­da a eclo­são da cri­se – su­pe­ra-se “Deus” pa­ra se ins­tau­rar uma no­va or­dem na qual o ho­mem vai ser a me­di­da de va­lor pa­ra a vi­vên­cia no mun­do.

O afo­ris­mo que me­lhor ca­rac­te­ri­za o niilismo ni­etzs­chi­a­no é es­te: Deus es­tá mor­to. O fo­co da crí­ti­ca do au­tor é o deus cris­tão, as­su­mi­do co­mo re­pre­sen­ta­ção do pen­sa­men­to platô­ni­co.

Se­rá o niilismo o mo­men­to der­ra­dei­ro da ci­vi­li­za­ção oci­den­tal? A res­pos­ta é ne­ga­ti­va. A mor­te de Deus é, pa­ra Nietzsche, o mo­men­to fi­nal dos va­lo­res mo­rais san­ci­o­na­dos por ele e, tam­bém dos subs­ti­tu­tos lai­ci­za­dos que o cris­ti­a­nis­mo, en­tre­tan­to, cri­ou. A mor­te de Deus é a mor­te do mun­do­ver­da­de cons­truí­do pelo pla­to­nis­mo e sig­ni­fi­ca que, do­ra­van­te, tu­do se­rá per­mi­ti­do àque­les que ou­sa­rem.

Se a épo­ca em que Nietzsche vi­veu é, por um la­do, a do triun­fo da ra­zão me­ca­ni­cis­ta, con­so­li­da­da atra­vés dos avan­ços tec­no­ló­gi­cos pro­por­ci­o­na­dos pe­la Re­vo­lu­ção In­dus­tri­al e con­cei­tu­a­da por fi­ló­so­fos co­mo Au-

gus­te Com­te (1798 – 1857) e Her­bert Spen­cer (1820 – 1903), ela tam­bém é a épo­ca do re­la­ti­vis­mo das pers­pec­ti­vas do mun­do e da vi­da. A ilu­são de um fi­nal fe­liz ou da exis­tên­cia de ver­da­des pe­re­nes já não se­rá mais pos­sí­vel. Nietzsche, an­te a ine­xis­tên­cia do mun­do-ver­da­de, se as­su­me co­mo o es­pí­ri­to li­vre an­te di­fe­ren­tes in­ter­pre­ta­ções tan­to da ver­da­de, quan­to do ide­al. Do­ra­van­te, a ci­vi­li­za­ção oci­den­tal não se­rá mais do que um tex­to, ob­je­to de in­ter­pre­ta­ção do fi­ló­lo­go:

Qu­em vos fa­la é o pri­mei­ro ni­i­lis­ta per­fei­to da Eu­ro­pa, que su­pe­rou o niilismo (FRI­E­DRI­CH NIETZSCHE, As­sim Fa­lou Za­ra­tus­tra).

A su­pe­ra­ção do niilismo, em Nietzsche, não é a re­des­co­ber­ta de um no­vo sen­ti­do pa­ra a vi­da, de um no­vo ho­ri­zon­te de con­so­lo pa­ra o so­fri­men­to, ou de uma re­e­di­ção do cris­ti­a­nis­mo. Pa­ra o au­tor, a su­pe­ra­ção do niilismo con­sis­te na que­bra das raí­zes que tor­na­ram o cris­ti­a­nis­mo em al­go de­se­já­vel pa­ra os es­cra­vos, is­to é, a exis­tên­cia hu­ma­na con­si­de­ra­da co­mo fon­te do so­fri­men­to.

É no eter­no re­tor­no que Nietzsche en­con­tra o pon­to de su­pe­ra­ção do niilismo. É no Uni­ver­so, on­de as di­vin­da­des es­tão au­sen­tes, que se ve­ri­fi­ca a exis­tên­cia de dois prin­cí­pi­os: a) o tem­po é in­fi­ni­to b) as for­ças são fi­ni­tas.

Do aca­ba­do de for­mu­lar de­cor­re que tu­do já re­tor­nou, na me­di­da em que a con­fi­gu­ra­ção das for­ças, fi­ni­tas, pos­si­bi­li­tou sua re­pe­ti­ção. Por ou­tro la­do, na me­di­da em que o Uni­ver­so não ca­mi­nha pa­ra um es­ta­do fi­nal, tu­do re­tor­na eter­na­men­te.

Nietzsche pro­cu­ra a re­cu­pe­ra­ção do sen­ti­do di­o­ni­sía­co da vi­da, na qual se ve­ri­fi­ca o amor aos fa­tos e a apro­va­ção in­te­gral da exis­tên­cia: a vi­da de­se­ja­rá vi­ver ou­tra vez na­qui­lo que, no pen­sa­men­to de Nietzsche, é a união fe­cun­da en­tre a eter­ni­da­de e o de­vir.

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