Sa­be de uma coi­sa?

Todateen - - Achou! -

O fe­mi­nis­mo es­tá em al­ta. De­mo­rou, mas veio pa­ra fi­car. As mu­lhe­res e su­as vo­zes. As mu­lhe­res e sua li­ber­da­de. As mu­lhe­res sen­do mu­lhe­res, com as ale­gri­as e as frus­tra­ções, mas, fi­nal­men­te, com mai­or es­pa­ço pa­ra atu­ar num mun­do que sem­pre foi tão mas­cu­li­no.

------------------------ ----------------------Eu sou uma mu­lher de sor­te. Na mi­nha fa­mí­lia, à mi­nha vol­ta, o ma­chis­mo nun­ca im­pe­rou. Meu pai é o meu mai­or exem­plo em fa­vor da igual­da­de de gê­ne­ro. Nun­ca se dis­cu­tiu em ca­sa o que uma mu­lher po­de­ria ou não fa­zer. Nun­ca se per­mi­tiu ou res­trin­giu al­gu­ma ação. Sim­ples­men­te as opor­tu­ni­da­des e os aces­sos sem­pre fo­ram iguais – sen­do eu fi­lha me­ni­na e meu ir­mão ga­ro­to, sen­do mi­nha mãe quem é – uma lí­der in­can­sá­vel e pá­reo du­ro com o meu pai.

------------------------ ----------------------As­sim, é di­fí­cil eu en­ten­der o ta­ma­nho do pro­ble­ma. Não o sin­to na pe­le, e qu­an­do sen­ti­mos na pe­le, tu­do fi­ca mais com­pre­en­sí­vel (e mui­to mais do­lo­ri­do, ver­da­de). No en­tan­to, em qual­quer can­to do nos­so país, as pro­vas ma­chis­tas se dão di­a­ri­a­men­te: mu­lhe­res re­ce­bem can­ta­das agres­si­vas e são vi­o­len­ta­das. Ain­da ho­je, os sa­lá­ri­os são 30% me­no­res do que os ho­mens em fun­ções pro­fis­si­o­nais se­me­lhan­tes.

------------- ------------Qu­an­do eu ti­nha 14 anos, re­pre­sen­tei a mi­nha es­co­la na As­sem­bleia Le­gis­la­ti­va do Rio Gran­de do Sul, es­ta­do on­de nas­ci e re­si­do. A nos­sa ta­re­fa foi cri­ar e de­fen­der um pro­je­to de lei na Câ­ma­ra dos De­pu­ta­dos. Pro­po­mos uma es­ta­ção de se­gu­ran­ça nos bair­ros con­tra o abu­so das ga­ro­tas. Foi a pri­mei­ra vez que pen­sei e agi a fa­vor do as­sun­to. Pas­sa­ram-se 15 anos e o Bra­sil evo­luiu um pou­co, mas o so­fri­men­to das ví­ti­mas con­ti­nua aí, es­tam­pa­do nos nú­me­ros que com­par­ti­lha­mos nas re­des so­ci­ais. O pro­ble­ma é o bra­si­lei­ro. O pro­ble­ma são as pes­so­as. Pre­ci­sa­mos, ain­da, atra­ves­sar a li­nha de dis­cri­mi­na­ção em to­dos os âm­bi­tos.

----------------------- ----------------------O que me pa­re­ce pe­gar, no meio dis­so tu­do, é a ati­tu­de do dia a dia, uma amos­tra pe­que­na pa­ra es­ta cau­sa gran­de: coi­sa le­gal um ho­mem es­tar no Tin­der. Coi­sa de ga­li­nha a mu­lher exi­bi­da co­mo um pra­to no me­nu. Sim, di­ver­sas bo­cas bes­tas fa­lam is­so (fe­mi­ni­nas e mas­cu­li­nas tam­bém). ------------------------ ----------------------Com uma crô­ni­ca não se faz his­tó­ria, mas com pa­la­vras pen­sa­das an­tes de se­rem di­tas, sim. Po­de­mos re­pro­du­zir a igual­da­de a co­me­çar pe­los nos­sos pen­sa­men­tos. A mi­nha ban­dei­ra é a se­guin­te: não so­mos iguais, mas te­mos os mes­mos di­rei­tos. Quem tá jun­to?

An­nie Mül­ler An­nie Mül­ler é au­to­ra do li­vro Os Do­nos do Mun­do - os 25 porquês dos ado­les­cen­tes se­rem tão po­de­ro­sos e da sé­rie A Tur­ma do Me­et. Fa­le com a An­nie: @an­ni­ep­mul­ler

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