Após desvalorização, in­fla­ção de agos­to é a mais al­ta do ano

Valor Econômico - - INTERNACIONAL - (MG)

A in­fla­ção ar­gen­ti­na te­ve em agos­to a mai­or al­ta men­sal em mais de dois anos, se­gun­do o Ins­ti­tu­to Na­ci­o­nal de Es­ta­tís­ti­ca e Cen­sos (In­dec). O ín­di­ce de pre­ços ao con­su­mi­dor (IPC) su­biu 3,9% em re­la­ção a ju­lho.

A al­ta de 3,9% es­tá de acor­do com o es­pe­ra­do pe­los eco­no­mis­tas. No en­tan­to, não re­fle­te to­tal­men­te a re­cen­te desvalorização do pe­so ar­gen­ti­no em agos­to.

“A al­ta de 3,9% es­tá per­to da es­ti­ma­ti­va de 4%. A in­fla­ção de agos­to ain­da é in­flu­en­ci­a­da pe­la desvalorização de abril, maio e ju­nho. Mas a de­pre­ci­a­ção de 35% do pe­so en­tre agos­to e a pri­mei­ra se­ma­na de se­tem­bro se­rá mais sen­ti­da nos pró­xi­mos me­ses”, diz Se­bas­tián Mar­tí­nez, ana­lis­ta ma­cro­e­conô­mi­co da con­sul­to­ria Abe­ceb. Pa­ra se­tem­bro, ele es­pe­ra in­fla­ção de 6%.

Em re­la­ção a agos­to de 2017, a al­ta da in­fla­ção foi de 34,4%. De acor­do com o In­dec, no acu­mu­la­do dos oi­to pri­mei­ros me­ses do ano, a in­fla­ção ao con­su­mi­dor avan­çou 24,3%.

Na se­ma­na pas­sa­da, o mi­nis­tro da Eco­no­mia, Ni­co­lás Du­jov­ne, afir­mou que a pre­vi­são é que o ano en­cer­re com in­fla­ção de 42%.

Mar­tín Te­taz, economista da Uni­ver­si­da­de de La Pla­ta, afir­ma que é mui­to di­fí­cil que a in­fla­ção ter­mi­ne 2018 den­tro do pre­vis­to pe­lo go­ver­no. “É mais pro­vá­vel que fi­que per­to de 45% do que de 42%”, afir­ma.

A Abe­ceb tra­ba­lha com dois ce­ná­ri­os pa­ra 2018, diz Mar­tí­nez. No pri­mei­ro, o dó­lar fi­ca­ria mais ou me­nos es­tá­vel e che­ga­ria a 42 pe­sos no fim do ano. A in­fla­ção de ou­tu­bro se­ria de 3,5%, cain­do pa­ra 2,5% em no­vem­bro e tam­bém em de­zem­bro. Is­so re­sul­ta­ria em uma in­fla­ção anu­al de 42,5%.

No se­gun­do ce­ná­rio, mais pes­si­mis­ta, o dó­lar che­ga­ria ao fim do ano co­ta­do a 46 pe­sos. Is­so le­va­ria a uma in­fla­ção men­sal mé­dia de 3,5% no úl­ti­mo tri­mes­tre e a uma in­fla­ção anu­al de 46%.

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