BTG Pac­tu­al de­ve man­ter 50% da Pe­troA­fri­ca e ser só­cio da Vi­tol

Ofer­ta da tra­ding ho­lan­de­sa fi­cou abai­xo de va­lor pa­go pe­lo ban­co há cin­co anos

Valor Econômico - - | EMPRESAS INDÚSTRIA - Gra­zi­el­la Va­len­ti

O BTG Pac­tu­al pla­ne­ja man­ter sua par­ti­ci­pa­ção de 50% na Pe­troA­fri­ca e não pre­ten­de mais acom­pa­nhar a só­cia Pe­tro­bras na ven­da do ati­vo. A tra­ding Vi­tol es­tá ne­go­ci­an­do a com­pra e ava­li­ou o ne­gó­cio em US$ 2,6 bi­lhões, con­for­me o Va­lor apu­rou com fon­tes en­vol­vi­das nas con­ver­sas.

No fim do ano pas­sa­do, Pe­tro­bras e BTG Pac­tu­al ini­ci­a­ram um pro­ces­so for­mal de ven­da con­jun­ta, com a ex­pec­ta­ti­va de ob­ter não me­nos do que US$ 3 bi­lhões pe­la to­ta­li­da­de do ati­vo, en­tão pou­co mais de R$ 10 bi­lhões.

A pro­vá­vel de­ci­são do BTG de fi­car com a pe­tro­lei­ra afri­ca­na não de­ve pre­ju­di­car a Pe­tro­bras na ali­e­na­ção dos seus 50% na com­pa­nhia. De acor­do com pes­so­as en­vol­vi­das nas con­ver­sas, a ho­lan­de­sa Vi­tol já ha­via ofe­re­ci­do as du­as pos­si­bi­li­da­des de tran­sa­ção, de com­prar 50% ou 100% do ca­pi­tal.

A de­fi­ni­ção do ban­co ain­da não foi for­ma­li­za­da, mas tu­do in­di­ca que es­se se­rá o ca­mi­nho es­co­lhi­do. Já co­me­ça­ram as con­ver­sas en­tre Vi­tol e BTG a res­pei­to de co­mo po­de­ria fi­car um acor­do de aci­o­nis­tas, que se­rá ne­ces­sá­rio pa­ra subs­ti­tuir o atu­al.

A ven­da da Pe­troA­fri­ca pe­lo BTG Pac­tu­al era uma ope­ra­ção em­ble­má­ti­ca e es­pe­ra­da pe­lo mer­ca­do, de­vi­do às po­lê­mi­cas em tor­no da aqui­si­ção des­se ati­vo, que sur­gi­ram no âm­bi­to da Ope­ra­ção La­va-Ja­to, em 2015.

A ins­ti­tui­ção com­prou os 50% da Pe­troA­fri­ca, en­tão in­te­gral­men­te de­ti­da pe­la Pe­tro­bras, em ju­nho de 2013. Na épo­ca, o bar­ril do óleo bru­to na bol­sa de Lon­dres su­pe­ra­va US$ 100 e o dó­lar os­ci­la­va de R$ 2,13 a R$ 2,21.

A es­ta­tal bra­si­lei­ra ad­qui­riu um pa­co­te de ati­vos na Áfri­ca em 2006 e seis anos de­pois ini­ci­ou um pro­ces­so de bus­ca de par­ce­ri­as pa­ra vá­ri­os de­les, vi­san­do só­ci­os que aju­das­sem a fi­nan­ci­ar os pro­je­tos de ex­plo­ra­ção.

O BTG pa­gou US$ 1,525 bi­lhão pe­la me­ta­de da em­pre­sa — aci­ma, por­tan­to, da ofer­ta atu­al da Vi­tol, que ren­de­ria US$ 1,3 bi­lhão a ca­da uma das só­ci­as. Em re­ais, po­rém, o ce­ná­rio é opos­to: o ban­co pa­gou R$ 3,3 bi­lhões e ven­de­ria ago­ra por mais de R$ 5 bi­lhões.

A po­lê­mi­ca em tor­no da aqui­si­ção sur­giu de­vi­do às sus­pei­tas de que o ban­co po­de­ria ter fei­to uma ope­ra­ção le­si­va à Pe­tro­bras, su­ba­va­li­an­do o ati­vo. En­tre­tan­to, ne­nhu­ma das sus­pei­tas se com­pro­va­ram e o ca­so se­quer che­gou a ser al­vo de pro­ces­so. O va­lor pa­go pe­lo BTG foi su­pe­ri­or à úni­ca ou­tra ofer­ta con­cor­ren­te da oca­sião, d es­pa­nho­la Cep­sa, de US$ 1,4 bi­lhão.

Mes­mo as­sim, a ci­ta­ção nas in­ves­ti­ga­ções da La­va-Ja­to mar­cou de­fi­ni­ti­va­men­te o in­ves­ti­men­to pe­la ex­po­si­ção ne­ga­ti­va. Por is­so, o ban­co si­na­li­za­va des­de 2015 — com o bar­ril do pe­tró­leo ru­mo aos US$ 30 — que ven­de­ria a Pe­troA­fri­ca tão lo­go o pre­ço do pe­tró­leo se re­cu­pe­ras­se no mer­ca­do in­ter­na­ci­o­nal.

Pa­ra a Pe­tro­bras, o su­ces­so da tran­sa­ção é im­por­tan­te. Ao se des­fa­zer da em­pre­sa afri­ca­na, a es­ta­tal mar­ca­ria um avan­ço no seu pro­gra­ma de de­sin­ves­ti­men­tos, que vem se con­cre­ti­zan­do em rit­mo mais len­to que o pla­ne­ja­do. Se con­fir­ma­da a ope­ra­ção, a es­ta­tal po­de­ria ul­tra­pas­sar um quar­to de sua me­ta — ob­ter US$ 21 bi­lhões com ali­e­na­ção de ati­vos no bi­ê­nio 2017-2018. Com es­sa ne­go­ci­a­ção, a Pe­tro­bras atin­gi­ria a mar­ca de US$ 5,9 bi­lhões ar­re­ca­da­dos du­ran­te 2017 e 2018 — 28% do pro­je­ta­do pa­ra o pe­río­do.

O BTG Pac­tu­al não in­for­ma qu­al o va­lor de mar­ca­ção da Pe­troA­fri­ca em sua car­tei­ra de ati­vos. Mas, as­sim co­mo fez com Se­te Bra­sil e Bra­van­te, re­a­li­zou bai­xas no va­lor da em­pre­sa. Já no fim de 2015, os ajus­tes nas in­ves­ti­das do se­tor de pe­tró­leo su­pe­ra­vam R$ 2 bi­lhões.

Da fa­tia de 50% da Pe­troA­fri­ca aos cui­da­dos do ban­co, 32% são pro­pri­e­tá­ri­os, 8% per­ten­cem a cli­en­tes e 10% são do fun­do He­li­os, da Áfri­ca do Sul.

O fa­to de a ofer­ta da Vi­tol, em dó­lar, ser in­fe­ri­or ao va­lor pa­go há cin­co é que es­tá mo­ti­van­do a op­ção do BTG por man­ter o in­ves­ti­men­to. In­ter­na­men­te, de acor­do com pes­so­as pró­xi­mas à ope­ra­ção, a per­cep­ção é que o ati­vo fi­cou na car­tei­ra no pi­or mo­men­to do pre­ço do pe­tró­leo. A ideia, por­tan­to, é es­pe­rar pa­ra me­lho­rar o re­tor­no com ba­se nos re­sul­ta­dos da­qui pa­ra fren­te, uma vez que os con­tra­tos de pe­tró­leo pa­ra no­vem­bro es­tão pró­xi­mos de US$ 80 por bar­ril.

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