Pre­si­den­te da Bain bus­ca pro­fis­si­o­nais na área di­gi­tal

Valor Econômico - - | EMPRESAS SERVIÇOS&TECNOLOGIA - Con­sul­to­ria Gus­ta­vo Bri­gat­to

Acos­tu­ma­da a di­zer às em­pre­sas quais de­ci­sões es­tra­té­gi­cas elas pre­ci­sam to­mar, a con­sul­to­ria Bain & Company es­tá pon­do em prá­ti­ca os con­se­lhos que dá aos cli­en­tes pa­ra adap­tar-se aos no­vos tem­pos do mun­do dos ne­gó­ci­os. Na ho­ra de re­cru­tar no­vos ta­len­tos, os egres­sos de uni­ver­si­da­des com tra­di­ção na área de ges­tão já não são os úni­cos bus­ca­dos. De­sen­vol­ve­do­res de softwa­res e ci­en­tis­tas de da­dos tam­bém têm si­do de­man­da­dos.

Nos pro­je­tos, a área di­gi­tal — en­glo­ba de­sen­vol­vi­men­to de al­go­rit­mos, uso de softwa­res ana­lí­ti­cos, cri­a­ção de pro­tó­ti­pos, en­tre ou­tras ati­vi­da­des — es­tá pre­sen­te em gran­de par­te das ini­ci­a­ti­vas. “Em vá­ri­os as­pec­tos se­gui­mos o que de­fi­ni­mos co­mo em­pre­sa do fu­tu­ro. So­mos uma em­pre­sa sem hi­e­rar­quia, com ca­pa­ci­da­des glo­bais, ba­se­a­da na atu­a­ção de times, com ca­pa­ci­da­des di­gi­tais, tra­ba­lhan­do no mo­de­lo de ecos­sis­te­ma”, diz Manny Ma­ce­da, só­cio-di­re­tor glo­bal da Bain.

Há 30 anos na con­sul­to­ria, ele as­su­miu o car­go, que equi­va­le ao de pre­si­den­te, em mar­ço des­te ano, subs­ti­tuin­do Bob Be­chek. Ele nas­ceu nos Es­ta­dos Uni­dos, e foi cri­a­do nas Fi­li­pi­nas. Co­man­da­va, a par­tir de San Fran­cis­co, a di­vi­são da Bain que acon­se­lha exe­cu­ti­vos no pro­ces­so de trans­for­ma­ção de seus ne­gó­ci­os ao mun­do di­gi­tal. Ele é o sé­ti­mo a li­de­rar a com­pa­nhia fun­da­da em 1973 por Bill Bain, ex-consultor da BCG que mor­reu em ja­nei­ro, aos 80 anos.

Um dos prin­ci­pais de­sa­fi­os de Ma­ce­da, que ain­da mo­ra na Ca­li­fór­nia e es­te­ve re­cen­te­men­te em São Pau­lo, é li­dar com o au­men­to da con­cor­rên­cia. As em­pre­sas de tec­no­lo­gia, por exem­plo, têm avan­ça­do so­bre o mer­ca­do de con­sul­to­ria de ges­tão. Elas não ven­dem mais ape­nas su­por­te téc­ni­co. Ofe­re­cem tam­bém con­sul­to­ria de ne­gó­ci­os aos cli­en­tes. E não só elas. Gran­des com­pa­nhi­as de au­di­to­ri­as, co­mo EY, KPMG, De­loit­te e PwC, vêm am­pli­an­do seus ne­gó­ci­os de con­sul­to­ria.

De acor­do com Ma­ce­da, es­se mo­vi­men­to não tem im­pac­ta­do o de­sem­pe­nho da Bain, que cres­ce a um rit­mo de dois dí­gi­tos nos úl­ti­mos anos. Ele diz que o es­pa­ço das con­sul­to­ri­as não es­tá ame­a­ça­do. “Ain­da se­rá o lu­gar com ha­bi­li­da­de de pen­sar no con­tex­to mai­or e agir de for­ma in­te­gra­da”, diz. Mas uma pre­o­cu­pa­ção, co­mo dis­se ao “Fi­nan­ci­al Times”, é re­ter ta­len­tos.

Ou­tro de­sa­fio é li­dar com o im­pac­to de um im­bró­glio po­lí­ti­co na Áfri­ca do Sul. Há evi­dên­ci­as de que uma con­sul­to­ria fei­ta pe­la Bain foi usa­da em uma ven­de­ta po­lí­ti­ca por um ali­a­do do ex-pre­si­den­te Ja­cob Zu­ma. KPMG e McKin­sey tam­bém fo­ram acu­sa­das de te­rem aju­da­do o go­ver­no Zu­ma, por meio da pres­ta­ção de ser­vi­ços, no pro­ces­so de “cap­tu­ra do Es­ta­do”. Zu­ma re­nun­ci­ou em fe­ve­rei­ro, após qua­se uma dé­ca­da de de­nún­ci­as de cor­rup­ção. A Bain se com­pro­me­teu a de­vol­ver US$ 10,8 mi­lhões, re­ce­bi­dos do fis­co sul-afri­ca­no por ser­vi­ços pres­ta­dos. O exe­cu­ti­vo res­pon­sá­vel pe­la Bain lo­cal foi de­mi­ti­do. “Lan­ça­mos uma in­ves­ti­ga­ção in­de­pen­den­te so­bre es­se ca­so es­pe­cí­fi­co e os re­sul­ta­dos vão nos aju­dar a apri­mo­rar ain­da mais nos­so mo­de­lo de go­ver­nan­ça pa­ra o fu­tu­ro”, in­for­mou a Bain.

Ma­ce­da pre­ten­de am­pli­ar os ne­gó­ci­os por meio de ex­pan­são ge­o­grá­fi­ca (tem es­cri­tó­ri­os em 56 paí­ses) e cri­an­do no­vas re­cei­tas. Is­so po­de ocor­rer via aqui­si­ções — em maio a Bain en­trou no mer­ca­do de mar­ke­ting di­gi­tal com a com­pra da agên­cia ame­ri­ca­na FRWD. “Quan­do en­trei na Bain, mi­nha prin­ci­pal fer­ra­men­ta de tra­ba­lho era uma cal­cu­la­do­ra fi­nan­cei­ra. Ho­je, te­mos uma gran­de va­ri­e­da­de de fer­ra­men­tas pa­ra en­ten­der di­fe­ren­tes as­pec­tos e cri­ar ‘in­sights’. Nos­sa ha­bi­li­da­de de fa­zer mais com os cli­en­tes au­men­tou”, diz ele, que an­tes de en­trar na Bain, em 1988, tra­ba­lhou na DuPont.

A Bain não di­vul­ga nú­me­ros, mas a es­ti­ma­ti­va é que ela te­nha ti­do fa­tu­ra­do en­tre US$ 3 bi­lhões e US$ 4 bi­lhões em 2017. O mon­tan­te faz de­la a me­nor en­tre as três mai­o­res con­sul­to­ria de ges­tão do mun­do. O gru­po é co­nhe­ci­do co­mo MBB, si­gla com­pos­ta pe­las ini­ci­ais de seus re­pre­sen­tan­tes: McKin­sey (a mai­or de­las, com ven­das per­to de US$ 10 bi em 2017), BCG (que tem re­cei­ta su­pe­ri­or a US$ 5 bi­lhões) e Bain.

So­bre o Bra­sil, Ma­ce­da diz que as pre­o­cu­pa­ções das em­pre­sá­ri­os são pa­re­ci­das com as de exe­cu­ti­vos de ou­tros paí­ses — ele tem vi­a­ja­do nos úl­ti­mos cin­co me­ses. “O ní­vel de ma­tu­ri­da­de po­de va­ri­ar em al­guns as­pec­tos, mas as do­res são as mes­mas. To­da in­dús­tria tem que pen­sar em ce­ná­ri­os fu­tu­ros e co­me­çar a se pla­ne­jar pa­ra eles”.

SÉR­GIO ZACCHI/VA­LOR

Manny Ma­ce­do, há 30 anos na Bain, as­su­miu o co­man­do há cin­co me­ses

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