Apu­ra­ção do MPF so­bre Gu­e­des é pre­li­mi­nar

In­ves­ti­ga­ção en­vol­ve in­ves­ti­men­to de fun­dos de pen­são; eco­no­mis­ta ne­ga qu­al­quer ir­re­gu­la­ri­da­de

Valor Econômico - - POLÍTICA -

A in­ves­ti­ga­ção cri­mi­nal do Mi­nis­té­rio Pú­bli­co Fe­de­ral (MPF) de Bra­sí­lia so­bre sus­pei­tas de ges­tão ir­re­gu­lar de fun­dos com ati­vos ge­ri­dos por Pau­lo Gu­e­des, co­or­de­na­dor do pro­gra­ma econô­mi­co do can­di­da­to à Pre­si­dên­cia Jair Bol­so­na­ro (PSL), foi aber­ta em ra­zão de in­for­me da Su­pe­rin­ten­dên­cia Na­ci­o­nal de Pre­vi­dên­cia Com­ple­men­tar (Pre­vic). O ca­so foi re­ve­la­do on­tem pe­la ‘Folha de S. Pau­lo’.

Pa­ra o MPF, é ce­do pa­ra quan­ti­fi­car even­tu­ais da­nos fi­nan­cei­ros que te­nham si­do cau­sa­dos aos co­fres pú­bli­cos e, por is­so, fo­ram re­qui­si­ta­das di­li­gên­ci­as pa­ra ob­ter no­vas in­for­ma­ções.

Se­gun­do pes­so­as a par do pro­ce­di­men­to, por ora tra­ta-se de “in­dí­ci­os re­le­van­tes” que jus­ti­fi­cam a aber­tu­ra de uma in­ves­ti­ga­ção, sem, no en­tan­to, em­ba­sar a pro­po­si­ção de me­di­das ju­di­ci­ais — co­mo o ofe­re­ci­men­to de uma de­nún­cia vi­san­do a ins­tau­ra­ção de ação pe­nal.

Con­for­me apu­rou o Va­lor, co­mo os fa­tos sob in­ves­ti­ga­ção são an­ti­gos, a in­ves­ti­ga­ção foi tor­na­da pú­bli­ca e não há pre­vi­são de que se­jam so­li­ci­ta­das me­di­das mais se­ve­ras, co­mo a re­qui­si­ção de bus­ca e apre­en­são, por exem­plo.

O que a Pre­vic e o MPF in­ves­ti­gam é um in­ves­ti­men­to fei­to in­di­re­ta­men­te por fun­dos de pen­são e pe­la em­pre­sa de in­ves­ti­men­tos do BNDES na em­pre­sa do se­tor de even­tos e de edu­ca­ção HSM, por meio de um fun­do de par­ti­ci­pa­ções ge­ri­do por Pau­lo Gu­e­des.

O FIP BR Edu­ca­ci­o­nal foi cons­ti­tuí­do em 2009, ten­do co­mo co­tis­tas Previ, Pe­tros, Fun­cef, Pos­ta­lis, In­fra­prev, Ba­nes­prev e Fi­pecq, além da BNDESPar. O va­lor que os co­tis­tas se com­pro­me­te­ram a in­ves­tir no fun­do era de R$ 400 mi­lhões. O FIP in­ves­tiu em uma sé­rie de em­pre­sas do se­tor edu­ca­ci­o­nal, en­tre as quais Abril Edu­ca­ção e Âni­ma (na épo­ca Ga­ec), que já eram ope­ra­ci­o­nais e pro­por­ci­o­na­ram lu­cro aos co­tis­tas.

Mas o pri­mei­ro in­ves­ti­men­to do FIP foi fei­to ain­da em 2009, na BR Edu­ca­ção Exe­cu­ti­va, em­pre­sa que se­gun­do MPF ti­nha o pró­prio Gu­e­des no qua­dro de só­ci­os e que re­ce­beu o apor­te pa­ra mon­tar a ope­ra­ção da HSM no Bra­sil. O in­ves­ti­men­to foi de R$ 62,5 mi­lhões.

O MPF le­van­ta sus­pei­ta so­bre as con­di­ções do ne­gó­cio, da­do que a HSM do Bra­sil es­ta­va em es­tá­gio ini­ci­al e ti­nha pre­juí­zos — si­tu­a­ção que se re­pe­tiu até 2016. Ou­tro pon­to em dú­vi­da é so­bre a co­bran­ça de ta­xa de ad­mi­nis­tra­ção de 1,75%, no pri­mei­ro ano, so­bre o to­tal do ca­pi­tal subs­cri­to, e não so­bre o in­te­gra­li­za­do, que era me­nor.

Os ad­vo­ga­dos de Gu­e­des, Ti­ci­a­no Fi­guei­re­do e Pe­dro Ivo Vel­lo­so, di­vul­ga­ram no­ta em que re­fu­tam as acu­sa­ções, di­zem que os fun­dos de pen­são ti­ve­ram re­tor­no “subs­tan­ci­al­men­te aci­ma” do pre­vis­to no re­gu­la­men­to do fun­do e que a de­fe­sa vai apre­sen­tar ao MPF “to­da do­cu­men­ta­ção que com­pro­va a li­su­ra das ope­ra­ções”.

Em 2011, a BR Edu­ca­ção Exe­cu­ti­va ven­deu 50% de par­ti­ci­pa­ção na sub­si­diá­ria HSM do Bra­sil pa­ra a Geo Even­tos por R$ 20 mi­lhões, apu­ran­do lu­cro con­tá­bil de R$ 4,9 mi­lhões e 51% da HSM Edu­ca­ção nu­ma re­or­ga­ni­za­ção so­ci­e­tá­ria pa­ra o Gru­po RBS, re­gis­tran­do um ga­nho con­tá­bil de R$ 9,9 mi­lhões.

Dois anos de­pois, em 2013, a fa­tia pró­xi­ma de 50% que o FIP Edu­ca­ci­o­nal ain­da ti­nha na HSM foi ven­di­da pa­ra a pró­pria Âni­ma, nu­ma tran­sa­ção que en­vol­veu tro­ca de ações, por R$ 55 mi­lhões.

Em co­mu­ni­ca­do, a Âni­ma ne­gou qu­al­quer ir­re­gu­la­ri­da­de na em­pre­sa ou na HSM e dis­se que o in­ves­ti­men­to do FIP ge­rou “va­lo­ri­za­ção de mais de 300%” aos co­tis­tas.

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