Seis gru­pos de­ve­rão dis­pu­tar a Ro­do­via de In­te­gra­ção do Sul

Valor Econômico - - EMPRESAS - Trans­por­te Fer­nan­da Pi­res

O úni­co lei­lão de ro­do­via do go­ver­no Mi­chel Te­mer des­per­ta o in­te­res­se de ao me­nos seis gru­pos, apu­rou o Va­lor. Mar­ca­do pa­ra 1o de no­vem­bro, na B3, em São Pau­lo, o lei­lão da Ro­do­via de In­te­gra­ção do Sul (RIS), um lo­te de 473,4 quilô­me­tros que cru­za 32 mu­ni­cí­pi­os do Es­ta­do do Rio Gran­de do Sul, es­tá na mi­ra da CCR, Eco­ro­do­vi­as, Ar­te­ris e do fun­do de in­ves­ti­men­tos Pá­tria.

Es­tu­dam ain­da o ati­vo em pro­fun­di­da­de uma cons­tru­to­ra de por­te mé­dio do Sul, cu­jo no­me não foi re­ve­la­do, e até a Triun­fo Par­ti­ci­pa­ções e In­ves­ti­men­tos (TPI), gru­po que es­tá em re­cu­pe­ra­ção ex­tra­ju­di­ci­al e até ju­lho foi con­ces­si­o­ná­rio de um tre­cho des­se lo­te.

Se­gun­do fon­te a par do as­sun­to, ape­sar da si­tu­a­ção fi­nan­cei­ra com­pli­ca­da da TPI, es­se se­ria um ne­gó­cio pe­lo qu­al a com­pa­nhia se dis­po­ria a bri­gar, da­do que já co­nhe­ce ope­ra­ci­o­nal e fi­nan­cei­ra­men­te o ati­vo e, por is­so, po­de­ria con­se­guir ser mais efi­ci­en­te que os con­cor­ren­tes.

A CCR es­tá bas­tan­te interessada. Mas a de­ci­são, co­mo de cos­tu­me, é to­ma­da na vés­pe­ra. A em­pre­sa pre­ci­sa re­por port­fó­lio, em par­te com­pos­to por ati­vos que ven­cem nos pró­xi­mos anos — mas não o fa­rá a qu­al­quer cus­to.

Já a Eco­ro­do­vi­as tem um “be­ne­fí­cio”. A cons­tru­ção do tre­cho Nor­te do Ro­do­a­nel que ar­re­ma­tou no iní­cio do ano es­tá atra­sa­da e a em­pre­sa ain­da não te­ve a apro­va­ção da Agên­cia Na­ci­o­nal de Trans­por­tes Ter­res­tres (ANTT) pa­ra com­prar a MGO Ro­do­vi­as, pe­la qu­al ofe­re­ceu R$ 600 mi­lhões. As­sim, a Eco­ro­do­vi­as tem ba­lan­ço pa­ra fa­zer a ofer­ta pe­la RIS. Jus­ta­men­te por­que ain­da não re­ce­beu o di­nhei­ro, a MGO, gru­po de cons­tru­to­ras de pe­que­no e mé­dio por­te, não de­ve­rá ter se ca­pi­ta­li­za­do su­fi­ci­en­te­men­te até lá pa­ra ir às com­pras.

Tam­bém a ita­li­a­na es­ta­tal Anas, que cons­trói e ex­plo­ra ro­do­vi­as, es­ta­va de­ci­di­da a in­ves­tir no Bra­sil e olha­va o ati­vo. Mas, con­for­me o Va­lor apu­rou, a em­pre­sa re­cu­ou de­pois que uma pon­te ex­plo­ra­da pe­lo gru­po Atlan­tia de­sa­bou em Gê­no­va, na Itá­lia, em agos­to. De­ze­nas de pes­so­as mor­re­ram. Po­lí­ti­cos do al­to es­ca­lão na Itá­lia, in­cluin­do o pri­mei­ro-mi­nis­tro, de­fen­de­ram a per­da das li­cen­ças da Atlan­tia pa­ra ge­ren­ci­ar as ro­do­vi­as no país eu­ro­peu. Des­sa for­ma, a Anas po­de­ria ser cha­ma­da a as­su­mir ou­tros ne­gó­ci­os na Itá­lia.

Por es­sa mes­ma ra­zão, é bas­tan­te di­fí­cil que a Atlan­tia, do­na da AB Con­ces­sões, con­ces­si­o­ná­ria de ro­do­vi­as no Bra­sil, apa­re­ça no lei­lão.

A RIS de­man­da­rá re­cur­sos to­tais ao lon­go dos 30 anos de con­ces­são es­ti­ma­dos em R$ 13,4 bi­lhões. Do mon­tan­te glo­bal, R$ 7,8 bi­lhões são pa­ra in­ves­ti­men­tos, sen­do que 30% dis­so de­ve­rá ser de­sem­bol­sa­do até 2022, so­bre­tu­do em re­cu­pe­ra­ção do sis­te­ma viá­rio e am­pli­a­ção da ca­pa­ci­da­de. Os ou­tros R$ 5,6 bi­lhões são cus­tos ope­ra­ci­o­nais du­ran­te a con­ces­são. A ta­xa in­ter­na de re­tor­no (TIR) de pro­je­to so­bre o flu­xo de cai­xa sem ala­van­ca­gem é de 9,20 % ao ano.

Vence quem der o mai­or des­con­to so­bre o va­lor do pe­dá­gio fi­xa­do em R$ 7,24. Es­tão pre­vis­tas se­te pra­ças de pe­dá­gio. As pro­pos­tas de­vem ser en­tre­gues no dia 30 de ou­tu­bro, na B3.

O lo­te que com­põe a RIS é for­ma­da por qua­tro tre­chos das BRs 101/290/386/448. São eles: BR101, en­tre a divisa San­ta Ca­ta­ri­na com o Rio Gran­de do Sul, em Tor­res, até o en­tron­ca­men­to com a BR-290 em Osó­rio; BR-290, no en­con­tro com a BR-101, em Osó­rio, até após a pon­te mó­vel do Rio Gu­aí­ba, na ca­pi­tal Por­to Ale­gre; BR-386, no en­tron­ca­men­to com a BR-285/377, pa­ra Pas­so Fun­do, até o en­tron­ca­men­to com a BR-116, em Ca­no­as; e BR-448, no en­con­tro com a BR-116, em Sa­pu­caia do Sul, até o en­tron­ca­men­to com a BR-116/290, em Por­to Ale­gre.

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